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Brasil pode registrar mais óbitos do que nascimentos pela 1ª vez

Neurocientista Miguel Nicolelis declarou a preocupação em entrevista

relogio min de leitura | Redação 01 de abril de 2021 - 22:05
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Em uma entrevista realizada pela CNN, o médico Miguel Nicolelis afirmou que a diferença entre o número de mortes e de nascimentos está ficando cada vez menor. A partir de uma estimativa com base em dados do Portal da Transparência do Registro Civil do Brasil, março pode ser o mês com mais óbitos do que nascimentos registrados.

 "Antes, havia por volta de 200 a 230 mil nascimentos por mês no Brasil, e por volta de 90 a 100 mil óbitos. A gente seguiu esses dados ao longo do ano passado e o que vimos é que a diferença entre os óbitos e os nascimentos está ficando cada vez menor", disse o neurologista.

No mês de fevereiro, o número de nascimento no país foi de 125 mil. No entanto, como março, até então, é considerado o pior mês da pandemia, a diferença entre nascimentos e óbitos pode ser negativa.

"Essa diferença, que era de 100 mil em favor de mais nascimentos do que óbitos por mês, caiu para menos de 4 mil. Sugerindo que em março, onde tivemos aproximadamente 160 mil óbitos no Brasil, numa estimativa preliminar, se o número de nascimentos ficar por volta dos 125 mil, teremos pela primeira vez na história do Brasil mais mortes do que nascimentos no país" – contou o médico.

Covid-19, gestantes e crianças

Segundo Nicolelis, também é importante ficar atento aos riscos da Covid quando uma gestante é contaminada. “Estamos vendo uma pandemia silenciosa de gestantes tendo partos prematuros devido a complicações da Covid, como a trombose placentária" – ele acrescenta.

Além disso, relembra sobre o perigo nas novas variantes do novo coronavírus e como elas afetam crianças, o que pode ampliar, ainda mais, o número de óbitos registrados.

"Uma das possibilidades é que as novas variantes possam ter ação numa faixa etária menor. O Brasil, infelizmente, já é campeão no número de gestantes infectadas e óbitos de crianças abaixo dos cinco anos."

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