Brechó do Davi: jovem de 11 anos decide abrir brechó após 'aperto' financeiro e acidente com a mãe

A família teve que vender móveis para conseguir se alimentar

Escrito por Ana Carolina Moraes 29/03/2021 14:22, atualizado em 29/03/2021 15:14
Davi e sua mãe, Ariana
Davi e sua mãe, Ariana . Foto: Filipe Aguiar

'Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima'. A frase de Beth Carvalho serve de inspiração para muitos brasileiros que sofrem com perdas e derrotas. Mas, parece que o jovem Davi Gabriel Moreira dos Santos, aos 11 anos, já entendeu que a vida foi feita para ser enfrentada, como diz a música. Ele resolveu abrir um brechó em casa, no último dia 18, para ajudar a mãe, que sofreu um acidente, a arcar com os custos da moradia enquanto ela ainda não consegue andar direito. Além de filho, Davi mostrou que é amigo e companheiro de sua mãe e se tornou o mais novo microempreendedor.

Tudo começou a mudar na vida de Davi quando sua mãe foi atropelada há oito meses. Na ocasião, ela estava retornando do trabalho usando uma bicicleta, quando um motorista desatento a atropelou e e ela teve a perna quebrada em três lugares, no Alcântara. A partir daí, a zeladora Ariana da Silva Moreira, de 36 anos, passou por uma cirurgia e voltou para casa de cadeira de rodas, até poder recuperar os ferimentos da perna. Na época, a mãe de Davi precisou ficar afastada do trabalho e não conseguiu o auxílio-doença do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Com isso, as condições financeiras da família começaram a piorar.

"Eu sempre trabalhei muito, mas com o acidente não consegui mais. Meus amigos, então, me ajudaram nas despesas aqui de casa, mas me incomoda pedir aos outros. Chegamos até a vender os móveis aqui de casa, até do quarto do Davi e, inclusive, as máquinas nas quais eu fazia salgadinho. Tudo para continuarmos tendo comida, casa e luz. Até que, há dois meses, o Davi sugeriu abrirmos o brechó. Na época, eu nem acreditei muito nele, pois fiquei com medo de não dar certo. Conseguimos então, nesse tempo, juntar as doações de amigos para o brechó e colocamos algumas coisas nossas também. Até que inauguramos. No primeiro dia, eu fiquei com medo de o Davi ficar frustrado e ia até chamar alguém e pagar R$ 2 só pra pessoa vim comprar por ele, mas, graças a Deus, eu nem precisei, no primeiro dia já conseguimos vender, ao todo, R$ 35. O Davi já ficou todo feliz", contou a zeladora.

Ariana acredita que Davi resolveu abrir o brechó por uma lembrança da infância, já que quando ele era bem novo, Ariana se separou do pai de Davi e abriu um brechó para sustentar a casa. A partir daí, Davi deve ter uma lembrança do assunto e se interessou também. Hoje, eles vendem roupas, sapatos, livros, biquínis, bijuterias e outros produtos no brechó. Os preços variam de R$ 0,50 a R$ 10 (podendo ter itens mais caros no Instagram da loja). 

"No início, quando vi minha mãe passando por dificuldade, vi que ela estava muito triste por não conseguir pagar as contas. Então, eu pensei em vender sacolé, mas pensei de ela talvez não aceitar. Então, pensei no brechó. Antes, eu queria ser jogador de basquete ou um chefe de cozinha, hoje, eu quero fazer o meu brechó crescer. Quero expandir ele para uma loja maior ou várias lojas", contou Davi. 

Ariana lembra que foi a amizade com o filho que a fez seguir a vida no seu momento de dificuldade. "Hoje eu agradeço por esse acidente, pois me mostrou o filho bom que eu tenho. Ele me ajudou muito. Na época do acidente, eu usava fralda, tinha que comer na boca e tudo e ele e a irmã me ajudaram. Ele sempre foi muito agarrado comigo e ficou nervoso com o ocorrido, mas me ajudou muito. Hoje, se não fosse o Brechó do Davi, eu provavelmente não conseguiria me reerguer tão rápido. Eu saí da cadeira de rodas e fui pro andador pra ajudar no brechó. Hoje, eu vou pra fisioterapia focada em conseguir ficar bem pra ajudar no brechó. Isso me dá forças! Eu vejo ele acordar antes da aula pra arrumar o brechó e vejo o homem bom que eu estou criando", disse Ariana.

O brechó de Davi foi compartilhado por Ariana nas redes sociais e fez sucesso! Agora, pessoas de outros estados afirmam que sente que Davi é um orgulho e um exemplo. "Com o brechó, eu sonho em reconstruir o meu quarto, já que tivemos que vender os móveis. Eu quero montar novas lojas do brechó assim que a pandemia passar e eu tiver dinheiro para isso, se Deus quiser", contou o jovem empreendedor.

Hoje, graças a ajuda de todos que doaram ou compraram no brechó, a família conseguiu juntar o dinheiro do aluguel do próximo mês. No entanto, a luta continua, já que mais contas estão por vir nos meses seguintes para a família, que também precisa arcar com alimentação. No Brechó do Davi, toda ajuda é bem-vinda. Por isso, quem quiser doar roupas e objetos, basta ligar para o número de Ariana ((21) 98657-9213), tentar contato pelo Instagram da marca (@brecho_do_davi1) ou visitar o brechó na Rua Tenente Carlos Augusto, no número 178, no Jardim Alcântara, em São Gonçalo. Davi também precisa de um notebook e uma cama usados, pois ele está sem cama em seu quarto e não consegue mais assistir aula pelo celular, por causa da bateria do telefone. 

Davi e sua mãe, Ariana
Davi e sua mãe, Ariana. Foto por Filipe Aguiar
. Foto por Filipe Aguiar
. Foto por Filipe Aguiar

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