Instagram Facebook Twitter Whatsapp
Dólar R$ 5,1443 | Euro R$ 6,0708
Search

Recém-contratados pela ‘Ingressos.com’ acusam funcionário da empresa de golpe em pelo menos 60 profissionais

O caso começou em maio de 2020

relogio min de leitura | Escrito por *Matheus Mattos | 26 de março de 2021 - 14:28
Uma das abordagens do suposto 'golpista' com os contratados
Uma das abordagens do suposto 'golpista' com os contratados -

Uma oferta de emprego que aparentava ser o ‘trabalho dos sonhos’ virou um pesadelo para cerca de 60 pessoas com a ‘Ingressos.com’. Segundo relatos, um suposto funcionário da empresa, teria oferecido vagas para o projeto Ingressos.com/ Rock in Rio em seu Instagram pessoal, com início marcado para agosto de 2020, mas não foi o que aconteceu. Justificativas e desculpas fizeram o suposto 'golpista' adiar o começo das atividades até que o caso chegou à justiça em março deste ano.

O até então analista de risco de crédito e um dos contratados, Jadir dos Santos, conta que muitos dos profissionais admitidos largaram seus empregos em busca dessa oportunidade e agora estão desamparados.

“Nesse período que eu mandei o meu currículo para ele, eu ainda trabalhava como auxiliar administrativo. Como o escritório onde eu estava trabalhando passava por dificuldades e estava mandando pessoas embora, eu falei com minha chefe para que se houvesse a necessidade, para me desligar,  pois eu já tinha um emprego em vista e não queria que outra pessoa fosse prejudicada no meu lugar. Eu fiquei desempregado aguardando o início do projeto. Não nos restou outra opção a não ser tentar levar essa situação para a mídia,  tendo em vista que maioria está desempregada, sem fonte de renda e não temos como arcar com um processo e muito menos perder um processo, caso a Ingresso.com se vire contra nós!”, comentou.

Jadir ainda conta que o coordenador dos setores de risco de crédito e SAC da ‘Ingressos.com’, utilizou os recém-contratados para recrutar novos profissionais.

“No período de maio até agosto, o  funcionário disse que precisaria aumentar as equipes e pediu a nossa ajuda para preencher as vagas com indicações de pessoas que teriam o perfil. Foi quando ele nos colocou em uma posição de liderança das equipes e nos orientou como proceder com as pessoas que estariam entrando no projeto.”

Após esse período, em agosto de 2020, data prevista para o início do trabalho, o homem que possivelmente fraudou todo o processo de contratação, usou diversas justificativas para postergar o começo das atividades presenciais.

“No mês de agosto não pudemos iniciar, pois o escritório ainda não havia se adequado para receber um grande número de funcionários devido à Covid-19. Teriam que preparar todo o ambiente do escritório para que houvesse um retorno seguro às atividades. A data de inicio foi adiada para setembro. Chegando a data, houve um novo adiamento e uma nova data para inicio. Os adiamentos começaram a se tornar frequentes, porém com justificativas muito plausíveis, como vazamento de dados, aglomeração de pessoas que fariam parte do projeto, quebra de contrato do Rock in Rio com a Ingresso.com etc”, revelou Jadir.

Segundo o relato do ex-analista de risco de crédito, em janeiro, alguns profissionais contratados junto com Jadir foram retirados do projeto por não terem cumprido o isolamento social. Após esse desligamento, o homem alegava sofrer ataques gordofóbicos pelas pessoas demitidas e não se sentia seguro para iniciar o projeto, que foi adiado para o mês seguinte.

Em fevereiro, ainda de acordo com Jadir, o suposto ‘golpista’ entregou contratos com a logomarca da ‘Ingressos.com’ digitalmente para os profissionais, que assinaram e devolveram por e-mail. O início mais uma vez foi adiado com a morte do diretor do RH da empresa. Apesar disso, o 'golpista' garantiu que os salários seriam repassados de forma correta, mas não foi o que aconteceu.

“Chegou o dia de pagamento e o salário não caiu, houve uma mudança de data informada através de comunicado em PDF por Whatsapp. A data não foi cumprida mais uma vez e as pessoas do projeto já estavam ficando revoltadas, pois muitas haviam feito dívidas comprando roupas para trabalhar, alguns compraram móveis para ter conforto no home office e além disso, a maioria das pessoas envolvidas no projeto estavam desempregadas há meses e dispensando oportunidades que surgiam , pois a vaga na 'Ingressos.com' era o trabalho dos sonhos de qualquer pessoa, tendo em vista o salário e os benefícios. A desconfiança que já circulava na cabeça das pessoas, ganhou força e muitas pessoas foram em busca de respostas por conta própria", disse o ex-analista.

Após alguns dias, em março deste ano, a verdade apareceu. O diretor do RH, Ygor Fagundes, estava vivo e o processo seletivo era uma farsa. A exposição aconteceu no grupo da empresa e também no Twitter.

“Para surpresa de todos, descobrimos que Ygor Fagundes estava vivo. Ele ainda afirmou que o 'golpista' nunca teve autorização para a criação do projeto ingresso, a empresa nunca soube da existência desse projeto, não tinha vaga de emprego e nem estava acontecendo nenhum processo seletivo. Houve uma revolta geral, pois foram meses de espera, meses criando expectativas de mudança de vida. Ele orientou as pessoas a pedirem demissão de seus empregos a troco de nada! Era tudo uma fraude", lamentou Jadir.

Depois de toda essa caminhada, o caso foi parar na Justiça em março deste ano, mas de acordo com os advogados, um processo contra a ‘Ingressos.com’ não daria em nada, pois não houve vínculo de trabalho para acionar uma causa trabalhista. Esses profissionais seguem sem emprego e desamparados após todo imbróglio.

A reportagem entrou em contato com o suposto 'golpista', mas não obteve resposta até o momento.

Em informe, a ‘Ingressos.com’ comentou o caso:

“Ficamos cientes sobre o assunto e estamos investigando. Não temos mais detalhes para compartilhar neste momento.”

A reportagem também procurou a Polícia Civil para saber o andamento da investigação, mas até a publicação desta matéria não recebeu retorno da corporação.

*Estagiário sob supervisão de Cyntia Fonseca

Matérias Relacionadas