Jornalismo perde Mário Dias, um dos principais nomes da imprensa no RJ
Óbito aconteceu durante uma cirurgia para retirada de tumor no intestino, em Niterói

O jornalismo está de luto. Morreu, nesta quarta-feira (24), em Niterói, Mário Dias, aos 78 anos. Um dos mais conceituados e conhecidos jornalistas do Estado do Rio, com marcantes passagens nos principais veículos de imprensa da região e também órgãos governamentais, ele era natural de São Gonçalo e fez história com incontáveis coberturas, com grande destaque no Carnaval, Segurança Pública e Polícia, suas grandes especialidades.
O jornalista passava por uma cirurgia para retirar um tumor no intestino, mas sofreu 3 paradas cardíacas durante o procedimento e não resistiu. Ele deixa 3 filhos e 2 netos, o enterro será no Cemitério São Gonçalo. Mário trabalhou por quase 60 anos no meio jornalístico, era conhecido no ramo por sua alegria e coragem.
Trabalhou em jornais locais como “O Dia”, “O Fluminense”, “Diário Fluminense” e “Jornal de Icaraí” e teve seu reconhecimento no Brasil e no mundo a partir da matéria sobre o “Caso das máscaras de chumbo” em 1966. Além de repórter, o talento do companheiro de profissão também era escrever livros, publicou sucessos como “Malditos Repórteres de Polícia” (1992), “Rio da Violência Armado com Humor” (1995), “Das Rosas para as Rosas” (1994) e integrou a coletânea “50 anos de crimes” (2007).
O renomado jornalista também escreveu sobre sua trajetória no livro “CTI - Antessala da morte: um passeio pela vida” (2014), que conta a história da vida pessoal como uma série de reportagens. Cooperou na cobertura do Carnaval pela TV Globo por mais de 40 anos, sendo o primeiro a entrevistar alguns sambistas nos desfiles. Cubanguense de coração, compunha o Conselho Soberano da escola da Zona Norte de Niterói.
Como amante de eventos e produtor cultural, ao trabalhar na assessoria de imprensa da Prefeitura de Niterói durante três gestões diferentes, foi um dos idealizadores da festa de Ano Novo na Praia de Icaraí, tradição niteroiense. Também era comum vê-lo apresentando grandes eventos na região. Ao longo da vida profissional, fundou e dirigiu dois jornais da região, o 'Novo Impacto' e o 'Casa da Gente'.
Um dos momentos mais marcantes de sua carreira, além das destacadas reportagens no jornal O Dia, foi quando pediu para assumir o comando de A Tribuna com a prisão do seu diretor, Jourdan Amora pela Ditadura Militar. Mário também foi vítima do Golpe Militar.Também foi um grande defensor da classe jornalística como diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro e da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).
A diretoria do Sindicato dos Jornalistas do Estado do Rio de Janeiro, divulgou nota de pesar pelo falecimento de Mário, que deixa três filhos e dois netos.