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Músicos de SG se manifestam pelo direito de se apresentarem em bares e restaurantes

Classe quer que o horário de funcionamento destes locais seja estendido

relogio min de leitura | Daniel Magalhães 24 de março de 2021 - 13:39
Classe pede um decreto mais claro para a classe artístisca da cidade
Classe pede um decreto mais claro para a classe artístisca da cidade -

Após um ano de pandemia não é mais novidade o quanto algumas categorias estão sofrendo consequências econômicas graves em decorrência das restrições tomadas pelas esferas estaduais e municipais para conter a proliferação da Covid-19. Também é de conhecimento geral que uma das categorias que mais sofre é a classe artística, que depende diretamente das aglomerações para conseguir o sustento. Pensando nisso, um grupo de músicos de São Gonçalo protestaram em frente à Prefeitura na tarde desta segunda-feira (22) pedindo medidas mais claras para que possam voltar ao trabalho.

Atualmente, mediante decreto da Prefeitura de São Gonçalo, bares, restaurantes e casas de show devem fechar as portas até às 22h, o que torna o trabalho dos músicos independentes praticamente inviável, já que antes do 'Novo Normal' este costumava ser o horário que os clientes chegavam nos estabelecimentos onde estavam os artistas, que saíam por volta de 1h ou 2h da manhã. Além da questão do horário, os artistas reclamam que os decretos sobre funcionamento não são claros ao informar se as performances musicais estão permitidas ou não na cidade. 

“Agora tem que fechar até às 22h, aí para ter um faturamento tem que começar às 17h. Nesse horário as pessoas estão saindo de seus trabalhos. Ainda não foi oficializado também essa questão de a gente poder trabalhar ou não. Corre risco de eu estar trabalhando em algum lugar e só por estar com as mesas cheias eu posso ser impedido de trabalhar porque não há um respaldo, não tem um decreto, não tem nada. Nós estamos abandonados.", contou Gilmar Damásio.

Músicos tentaram um encontro com o secretário de cultura, mas ele não compareceu por motivos de saúde
Músicos tentaram um encontro com o secretário de cultura, mas ele não compareceu por motivos de saúde |  Foto: Leonardo Ferraz
 

Os grupo de manifestantes contam que sentem como se a culpa da proliferação do vírus na cidade estivesse sendo jogada no colo deles, já que todas as categorias estariam trabalhando normalmente enquanto eles estão em casa ou em atividades informais sendo impedidos de trabalhar por conta dos decretos de restrição em estabelecimentos. 

"É impossível você creditar a proliferação do coronavírus na cidade a vinte casas noturnas e trinta músicos, dizer que são essas pessoas que estão espalhando a pandemia para uma população de 1 milhão e 200 mil pessoas. Só a gente sofre essa retaliação, porque a gente não tem respaldo nem apoio nenhum, ninguém que nos escute. Qual a ciência por trás da lógica de permitir que um estabelecimento fique aberto até às 22h, mas não até às 00h? Fica difícil de entender. Fica parecendo que nós somos os responsáveis por espalhar essa doença pelo município, o que não é verdade, até porque, pelo que eu saiba, nós somos a única categoria que está prejudicada.", contestou.

Com a inatividade do governo municipal em criar decretos específicos para a classe artística que depende das apresentações nos bares, restaurantes e casas de show da cidade, o próprio grupo pensou em iniciativas que podem ser tomadas pelo poder público para aliviar os problemas da classe. Entre as sugestões estão o pagamento de um auxílio, música ao vivo em horário de almoço e permissão para funcionamento das casas de show até pelo menos às 00h. Para isso, os músicos fariam uma ação conjunta com os donos dos estabelecimentos para fiscalizar o funcionamento dos bares. 

"Com essa abertura, os músicos e os donos dos bares seriam responsáveis pela fiscalização do espaçamento entre as mesas, servindo apenas às pessoas que estiverem sentadas para evitar aglomeração, o espaço com álcool em gel e os funcionários de máscara, os músicos não poderiam estar de máscara por causa da apresentação, claro. Com essas medidas poderíamos garantir o nosso trabalho sem que haja uma exposição a um ato violento contra o músico, como de tomar o instrumento musical dele ou até o fechamento da casa, de uma multa que a casa possa sofrer”, completou Gilmar. 

Os músicos chegaram a marcar uma reunião com o secretário de Cultura, Esporte e Lazer de São Gonçalo para discutirem as propostas, mas o secretário não conseguiu comparecer ao encontro por motivos de saúde. 

Para além do auxílio, o que os músicos mais querem é trabalhar, voltar a exercer arte nas ruas de São Gonçalo, mas com todas as normas de segurança sanitária que devem ser cumpridas na época de pandemia. 

"Tinha ao menos que ter um plano de segurança que desse uma ajuda de custo que não fosse uma água com açúcar. Não uma mão no ombro, como em breve pode ser feito só para satisfazer o ego de algumas pessoas. Na verdade, a gente quer mais o nosso direito de trabalhar, de ir e vir, trazer o sustento para dentro de casa. Tem muito músico passando necessidade, porque a gente vive disso, vive da arte. Queremos respeito a nossa classe.”, desabafou o músico Lucian Castro.

Questionada sobre decretos específicos para a classe artística da cidade, a Prefeitura de São Gonçalo ainda não se posicionou

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