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Dia mundial sem carne: conheça as tendências de quem opta por não consumir a proteína animal

Práticas como o vegetarianismo e o veganismo têm crescido no Brasil

relogio min de leitura | *Matheus Mattos 20 de março de 2021 - 10:44
Segundo o IBOPE, 55% dos brasileiros consumiriam mais produtos veganos se estivessem indicados na embalagem
Segundo o IBOPE, 55% dos brasileiros consumiriam mais produtos veganos se estivessem indicados na embalagem -

Hoje, 20 de março, é celebrado o Dia Mundial sem Carne, data que promove reflexões e alerta para as consequências negativas do consumo de produtos de origem animal. Diante disso, é de conhecimento que uma alimentação baseada em sua maior parte por frutas, verduras, grãos e legumes oferece benefícios não apenas para a saúde individual, mas também para o meio ambiente.

No entanto, a prática de tirar a carne do cardápio ainda gera algumas dúvidas sobre a falta ou não de nutrientes para o corpo. De acordo com a nutricionista, Nicole Pinheiro, a retirada da proteína animal de maneira adequada não tem impacto negativo na alimentação e pode prevenir problemas de saúde.

“A exclusão de produtos de origem animal não faz mal. Segundo o Guia de Dietas Vegetarianas para Adultos da Sociedade Vegetariana Brasileira, as dietas vegetarianas são benéficas na prevenção de doenças crônicas não transmissíveis.”, disse a especialista.

Apesar dos benefícios, a nutricionista atenta para certos nutrientes que precisam de atenção ao adotar este tipo de alimentação.

“Quanto aos nutrientes, de acordo com o tipo de dieta vegetariana é importante atentar ao ferro, zinco e ômega-3. Estes devem ser associados às estratégias que aumentem a biodisponibilidade e absorção. Já na dieta vegana, é necessário atentar à vitamina B12 e ao cálcio. A vitamina B12 deve ser suplementada ou obtida por meio de alimentos enriquecidos, para o cálcio as opções devem ser por alimentos fontes de cálcio ou fortificados.”, adicionou Nicole.

Além disso, a especialista explica que as alimentações de origem vegetariana possuem algumas ramificações.

“É importante destacar que as dietas vegetarianas se dividem em alguns tipos, sendo elas: ovolactovegetarianismo (faz uso de ovos, leites e derivados), lactovegetarianismo (faz uso de leites e derivados), ovovegetarianismo (faz uso apenas de ovos) e vegetarianismo estrito/ veganismo (não utiliza nenhum produto de origem animal).”, completou a nutricionista.

Mudança na alimentação

A mudança de hábito na alimentação pode ser desafiador no começo, mas ao longo do tempo a vontade de ingerir esses alimentos desaparece e o costume com as novas receitas e novos ingredientes passa a ser algo corriqueiro, como relata a estudante Carolina Hein.

“Considerei o vegetarianismo, a primeira tentativa foi em 2016, mas só consegui ficar sem comer carne por três meses. Em 2019, voltei a ser e sou ovolactovegetariana desde então. No início eu senti falta de uma carne específica, mas depois que criei intimidade com a cozinha e vi documentários, como ‘Terráqueos’, a vontade passou.”

Carolina ainda fala sobre a importância de levar uma alimentação dessa forma, e reitera que essa luta deveria ser geral, tendo em vista que essa problemática afeta a todos.

“O vegetarianismo e o veganismo não abordam apenas a causa animal, como são tratados e vistos, mas também uma luta pelo meio ambiente. Todos os anos provocam incêndios nas florestas propositadamente, fazendo parecer acidente, para terem mais espaço para a criação de gado e plantação de soja, além de explorarem pessoas e contaminarem a água e o solo. É importante pararmos de ignorar um problema, onde prejudicará todos nós... A luta é por todos nós, considerem o vegetarianismo e o veganismo.”, completou a estudante.

Crescimento no Brasil

De acordo com os dados de 2018 do IBOPE, a população vegetariana cresceu 75% de 2012 a 2018, nas regiões metropolitanas do país. O levantamento mostra que 14% da população se declara vegetariana, porcentagem que representa cerca de 30 milhões de brasileiros.

Esse número sobe para 16% nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Recife.

Receitas

Para não ficar somente na leitura, confira duas receitas para mudar o cardápio e inovar na sua cozinha.

Estrogonofe de carne vegetal

Ingredientes:

- 1 pacote de proteína de soja bolinha pequena

- 2 dentes de alho picados

- 1 cebola média picada

- 3 colheres de sopa de azeite ou óleo

- 2 caldos de carne

- 1/2 xícara de molho de tomate

- 1 vidro de palmito picado

- 2 colheres de sopa de catchup

- 1 colher de sopa de mostarda

- 1 caixinha de creme de leite

- salsinha a gosto

Modo de preparo:

1 - Deixe de molho com água morna a proteína de soja para hidratar por 1/2 hora.

2 -  Após esse tempo escorra muito bem.

3 - Refogue a cebola e o alho no azeite, acrescente a proteína de soja.

4 - Mexa bem e acrescente os demais ingredientes na ordem.

5 - Deixe apurar um pouco e desligue.

6 - Sirva com arroz branco e batata palha.

Bolo de cenoura vegano

Ingredientes (bolo):

- 3 cenouras em pedaços

- suco de 2 laranjas

- 1/2 copo de óleo

- 1 copo de açúcar

- 3 copos de farinha de trigo

- 1 colher de sopa de fermento químico

Ingredientes (cobertura):

- 200 ml de leite de coco

- 7 colheres de sopa de cacau em pó

- 7 colheres de sopa de açúcar

Modo de preparo (bolo)

1 - No liquidificador bata todos os ingredientes, exceto a farinha de trigo e o fermento, que devem ser colocados em um recipiente à parte, e misturados com uma colher de pau aos ingredientes já batidos do liquidificador.

2 - Unte uma forma com óleo e polvilhe farinha de trigo.

3 - Despeje a massa do bolo que deve estar uniforme.

4 - Leve ao forno, preaquecido por aproximadamente 45 minutos.

Modo de preparo (cobertura)

1 - Em uma panela misture todos os ingredientes, leve ao fogo até que forme uma calda lisa, sem pedaços.

2 - Reserve a calda e a despeje sobre o bolo tão logo o tire do forno.

*Estagiário sob supervisão de Cyntia Fonseca

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