8 em cada 10 famílias nas favelas dependem de doações para sobreviver na pandemia
Moradores de favelas fazem menos de duas refeições diárias, aponta pesquisa

O Instituto Locomotiva, em parceria com a Data Favela e a CUFA, acaba de finalizar a pesquisa "A favela e a fome", que entrevistou 2 mil moradores de 76 favelas brasileiras na segunda semana de fevereiro. A pesquisa mostra que cerca de 7 em cada 10 (68%) pessoas que vivem nestas favelas afirmam que a pandemia fez piorar a sua alimentação - isso representa um aumento de 25 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, realizado em agosto de 2020.
Entre eles, a média de refeições diárias é de menos de duas (1,9) e 68% afirmam que, nos últimos 15 dias, em ao menos um faltou dinheiro para comprar comida. Com o fim do auxílio emergencial, 67% precisarão cortar despesas básicas - como comida (53%), limpeza (45%) e atrasar contas (61%) -, enquanto somente 8% conseguirão manter o padrão de consumo. A pesquisa aponta também que 71% das famílias das favelas brasileiras estão sobrevivendo com menos da metade da sua renda e 93% não têm qualquer dinheiro guardado.
As doações ajudaram a lidar com o problema de forma mais imediata: 90% dos moradores de favelas receberam alguma doação durante a pandemia do coronavírus e 8 em cada 10 famílias entrevistadas afirmaram que não teriam condições de se alimentar, comprar produtos de higiene e limpeza ou pagar contas mais básicas caso não tivessem recebido a doação.
Mais de 16 milhões de pessoas moram em favelas no Brasil atualmente. Se essa população compusesse um estado, seria o quinto maior, atrás apenas de SP, MG, RJ e BA. Entre eles, 8 em cada 10 conhecem alguém contaminado pela Covid-19 - se considerarmos apenas a região Norte, esse número sobe para 96%. Vale destacar que 97% dos moradores de favela não possuem plano de saúde, enquanto no Brasil como um todo 74% não o possuem. A maioria da favela (65%) afirma tentar seguir as medidas de prevenção do vírus. Entre quem não consegue seguir, a principal justificativa é a necessidade financeira (78%).
Soluções Possíveis
Em Niterói e São Gonçalo, as pessoas se reuniram para formar coletivos que ajudassem os mais carentes durante a pandemia. Conheça alguns deles:
São Gonçalo
O ‘Coletivo por gentileza’ nasceu em 2016, através de um interesse de amigos em atuarem no lixão de Itaoca. O principal objetivo do grupo, atualmente, é conseguir melhorar a comunidade da Itaoca e eles fazem isso fornecendo material escolar, alimentos, empregabilidade e profissionalização para as pessoas do local. Mas, com o coronavírus, o grupo resolveu se focar em doações para as pessoas mais afetadas com a pandemia.
Para quem se interessa em doar para o coletivo, basta entrar em contato com eles através do número (021) 96988-7187 ou pelo Instagram do coletivo "Por Gentileza" (@porgentilezaoficial). Todas as doações do grupo estão sendo feitas com luvas e máscaras, seguindo as normas da Organização Mundial da Saúde (OMS) para essa época de quarentena.
Niterói
O coletivo ‘Favela & Arte’ é oriundo do Morro do Viradouro, em Santa Rosa. O instituto visa incluir arte, cultura e educação nas favelas, e também ajudar os mais necessitados durante a pandemia da Covid-19.
Para quem se interessa em ajudar o Favela & Arte, o projeto está recebendo doações de alimentos e material de higiene em sua sede e também pode buscar. Local: Rua Nossa Senhora das Graças 474, Viradouro, Santa Rosa. Maiores informações pelas redes sociais @favelaearte (Instagram) e facebook.com/favelaearte .