Confusão e ameaças de processo marcam troca de diretoria do Espaço Rosa, em SG

Problema teve início logo no primeiro dia útil do ano

Escrito por Redação 16/01/2021 08:18, atualizado em 16/01/2021 10:21
Espaço funciona na Rua Francisco Portela, 2744, no bairro Zé Garoto
Espaço funciona na Rua Francisco Portela, 2744, no bairro Zé Garoto . Foto: Divulgação

O ano começou e, com mudanças no cenário político de São Gonçalo, houve também reformulação no quadro de funcionários do Espaço Rosa. A mudança, no entanto, não proporcionou o bem-estar que o espaço propaga. A unidade de Saúde, que funciona na Rua Francisco Portela, 2744, no bairro Zé Garoto, virou, no dia 4 de janeiro, um palco para confusão, acusações e ameaças de processos entre a equipe atual e os funcionários comissionados que foram exonerados devido ao enxugamento de cargos.

A confusão teve início no primeiro dia útil do ano, 4 de janeiro, logo pela manhã. Segundo a equipe de funcionários do Espaço Rosa, liderados pela diretora Tânia Loyola, os funcionários exonerados disseram que ajudariam na transição, informando como funciona o espaço e as senhas para administrar o sistema com os dados dos pacientes, mas, segundo eles, todos os funcionários, agora dispensados, se recusaram a fornecer a ajuda necessária. Também em um vídeo publicado em sua página no Facebook, Loyola conta que Patrícia Silva, antiga diretora, publicou um vídeo no dia 30 de dezembro informando que não estaria no local.

Segundo Nathália Rodrigues, a antiga coordenadora do espaço, a história foi diferente. De acordo com ela e uma nota emitida pela equipe, Tânia Loyola e equipe "chegaram invadindo o setor e praticamente expulsando sem dar oportunidade aos funcionários de nada". De acordo com ela, em nenhum momento houve uma conversa entre as equipes para falar sobre a transição, mas Tânia e equipe foram ao local na segunda-feira, antes do horário de abertura e ocuparam o espaço.

"Não houve conversa entre as equipes antes. A senhora Tânia Loyola e sua equipe não apareceram antes para dizer que estariam assumindo no dia 4 e nem conversaram nada sobre fazermos a transição, simplesmente aparecem na segunda-feira tomando conta de tudo, sem ao menos ter alguma conversa, chegaram antes do horário de abertura e simplesmente ocuparam o local, sem apresentação e conversa com os funcionários que se encontravam na unidade dispostos a fazer a transição", contou a ex-coordenadora.

Em um outro momento, Tânia e seus funcionários contam que, além de recusar o fornecimento de ajuda, os funcionários da antiga gestão já estavam no local retirando o material do Espaço, significando que eles já sabiam que a nova equipe estaria assumindo. Já Nathália diz que estavam tirando apenas o material do projeto social e que a ajuda não foi fornecida porque, diante da situação, ficaram 'coagidos'.

"Quando cheguei na unidade, às 08h, meus funcionários estavam lá atrás coagidos, sem saber o que fazer, enquanto a outra equipe já estava lá dentro tomando conta, mexendo em tudo, sem dar oportunidade de os meus funcionários de fazerem algo", completou Nathália.

As acusações continuam em outro momento do vídeo, quando Tânia mostra que um exame preventivo datado de outubro de 2020 ainda estava no espaço, não sendo entregue à paciente. A diretora também mostra cinco caixas de frascos de álcool gel que estavam com a validade vencida desde outubro que, segundo ela, foram deixados pela antiga equipe, além de espéculos também vencidos.

Em resposta, Nathália informou ao O SÃO GONÇALO que o preventivo de 15 de outubro estava no local porque  o laboratório devolveu por falta de documentação da paciente, sendo assim, não tendo possibilidade de liberar o laudo.

Sobre os produtos vencidos, a ex-coordenadora respondeu que "a respeito do álcool em gel, temos comprovante que recebemos esses álcool de doação e doamos para as pacientes tudo que foi possível, tendo em vista que já estava perto da data de vencimento, não doamos mais e deixamos na parte de descarte, estavam lacrados, não estavam em uso", afirmou.

Segundo Nathália, diante das acusações, a equipe de funcionários exonerados pediu a interpelação do vídeo por conta de "acusações infundadas, passível de providências judiciais."

Sobre o vídeo postado no dia 30 por Patrícia Silva, antiga diretora do espaço, Tânia Loyola informou no Facebook que registrou um boletim de ocorrência e acusou a equipe de injúria e difamação.

OSG tentou contato com Tânia Loyola, que pediu que a reportagem se dirigisse à assessoria de imprensa da Prefeitura. A Prefeitura respondeu que "a atual direção está com foco exclusivo em garantir a manutenção e melhoria no atendimento à população e não irá comentar sobre acusações improcedentes".

Veja abaixo a nota na íntegra:

"A diretora do Espaço Rosa, Tânia Loyola, esclarece que o Espaço Rosa está funcionando normalmente, com horário ampliado, e que as dispensas envolveram apenas funcionários comissionados, em função das determinações para enxugamento de cargos que não fossem essenciais para a prestação de serviços. As exonerações foram publicadas em Diário Oficial, seguindo as determinações legais. Não houve transição entre a gestão antiga e atual. As chaves do espaço foram entregues à atual direção, que rapidamente se organizou para que todos os serviços oferecidos fossem mantidos. Está sendo criada uma força-tarefa para entregar os laudos em atraso desde setembro do ano passado. A atual direção está com foco exclusivo em garantir a manutenção e melhoria no atendimento à população e não irá comentar sobre acusações improcedentes."

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