A tragédia de Mariana (III)
Passado pouco mais de um mês após a tragédia de Mariana, marcando para sempre a história e realidade de Minas Gerais, discute-se o que há de ser feito para restabelecer o equilíbrio da natureza. Após duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco se romperem e uma quantidade gigantesca de lama destruir a localidade de Bento Rodrigues, na cidade de Mariana, pesquisadores e profissionais ligados a área do meio ambiente trabalham para tentar calcular o prejuízo, tanto financeiro, como também, quanto ao impacto causado ao meio ambiente. Pergunta-se: por onde começar para que seja restabelecido o equilíbrio ecológico da região? Como trazer de volta a fauna e flora local, muitas delas exclusivas das áreas afetadas? Pesquisadores e cientistas trabalharam para tentar obter alguma saída e diminuir o tempo de restruturação em todos os aspectos, porém, são taxativos: o dano ambiental nesta região é incalculável e a recuperação ambiental é de décadas, no mínimo. O primeiro ponto e talvez o mais importante é o da retirada, o mais breve possível, da lama que está causando toda a dificuldade de fotossíntese e oxigenação da água e solo, fatores fundamentais para desenvolvimento e subsistência das espécies. O Rio Doce mantinha mais de 80 espécies de peixes, 11 classificadas como ameaçadas de extinção e 12 espécies que só existem ou existiam neste rio. Os dejetos que chegaram até o rio, trazendo consigo substâncias tóxicas, foram se instalando no fundo do mesmo, tornando-o infértil. A capacidade de manter as espécies aquáticas, praticamente foi reduzida a zero. A água teve suas características totalmente alteradas, impossibilitando a fauna e a flora que ali habitavam de se manterem vivas. Não existe uma forma mágica para combater todas essas consequências, apenas há de se ter um planejamento forte e completo para que sejam tomadas as medidas pertinentes para que o máximo de lama seja retirada e seja renovada a terra onde anteriormente a fauna e a flora habitavam de forma plena. A natureza tem capacidade para tomar as próprias providências para que esse quadro se modifique, mas torna-se um processo lento para o estado de urgência que está instalado sobre a cidade. Vidas, lembranças, objetos pessoais e de cunho sentimental, jamais retornarão. Faz-se necessário que a lama seja diluída para que comecem os procedimentos de recuperação do meio ambiente. Mas, para que ela seja diluída, é necessário que haja chuva e estas estão escassas na região. É preciso que o desastre de Mariana não caia no esquecimento. O ser humano precisa fazer a sua parte, pois do contrário, a natureza sucumbirá, levando consigo, ele, o homem.
“A NATUREZA NÃO QUER NOSSA AJUDA, SÓ QUER QUE PAREMOS DE FAZER M...”. (RODRIGO CEBRIAN) – Preserve o meio ambiente.
ROGÉRIO TRAVASSOS – Advogado, especialista em Direito Privado e Direito Ambiental. Professor Universitário com dedicação exclusiva a Universidade Salgado de Oliveira. Sócio e Advogado da Empresa de Consultoria AMBIENTE E TAL, morador da cidade de Maricá, em colaboração com as alunas HELANE SOARES PINTO GUIMARÃES (10º período), MONIQUE PORTELLA (9º período) e JUCIANAN REIS ROCHA (3º período), estudantes do Curso de Direito da Universidade Salgado de Oliveira, PROJETO DE PESQUISA - PESQUISANDO E FALANDO DE MEIO AMBIENTE.