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Ame o Rio: 25 anos de icônica marca na camisa Tricolor

A estreia da marca na camisa foi em uma partida épica

relogio min de leitura | Redação 03 de maio de 2020 - 12:28
Rio de Janeiro (RJ) - 30/04/1995 - Futebol - Campeonato Estadual - Octagonal decisivo - Fluminense 4 x 3 Flamengo - Primeiro jogo - Renato Gaúcho (jogador - Fluminense) -  Foto Ivo Gonzalez / Agência O Globo. Neg: 95-05893
Rio de Janeiro (RJ) - 30/04/1995 - Futebol - Campeonato Estadual - Octagonal decisivo - Fluminense 4 x 3 Flamengo - Primeiro jogo - Renato Gaúcho (jogador - Fluminense) - Foto Ivo Gonzalez / Agência O Globo. Neg: 95-05893 -

O dia 30 de abril de 1995 tem um lugar especial na história do Fluminense. Naquela data, em meio ao octogonal final do Campeonato Carioca, o Tricolor teve uma partida decisiva para o seu destino na competição. Um Fla-Flu daqueles, com casa cheia, placar movimentado e golaço. E para este jogo, a camisa verde, branco e grená ganhou uma novidade: Ame o Rio.

Sem patrocínio na camisa desde o início de abril daquele ano, o Fluminense tinha um espaço branco onde anteriormente estava estampada a marca da Coca-Cola, parceira desde outubro de 1987. Visualizando uma oportunidade, o consultor de marketing esportivo João Henrique Areias criou a marca "Ame o Rio", uma forma de exaltar a cidade e, ao mesmo tempo, demonstrar o potencial de mídia do Tricolor.

" Mais do que nunca, em 1995, a nossa camisa pesou na conquista de um título.  Quando o Fluminense aplicou o slogan "Ame o Rio", tradições foram evocadas. O clube foi estabelecido na Rua Guanabara, erguido sob o leito do Rio Carioca e seu nome, em Latim, quer dizer "aquele que vem do rio". Por sinal, o Fluminense só não foi batizado com a denominação "Rio" porque outra agremiação usurpou o nome dias antes de nossa fundação. Logo, é natural que o primeiro grande clube de futebol da cidade seja chamado de "o mais carioca do Rio", expressão corriqueira do começo do século XX quando o assunto era o Tricolor. Não por acaso, a expressão "Ame o Rio" deu tão certo e ainda foi um sucesso de vendas quando lançamos uma camisa retrô em 2015, 20 anos depois de ela ter sido aplicada", conta Dhaniel Cohen, do Flu-Memória.

A estreia da marca na camisa foi em uma partida épica, que entrou para a história dos Fla-Flus: 4 a 3 para o Tricolor, de virada. Após um início de octogonal final complicado, o Fluminense iniciou uma arrancada que culminou com o título e o Ame o Rio foi um sucesso instantâneo. A inscrição na camisa exaltando a Cidade Maravilhosa rendeu ao clube uma verba repassada pela Prefeitura do Rio - comandada na época por César Maia -, em uma triangulação envolvendo os postos Ipiranga.

A ampla exposição da marca fez com que o clube conseguisse fechar um patrocínio novo, da fabricante de carros sul-coreana Hyundai. Ainda assim, o Fluminense resolveu manter o Ame o Rio exposto em sua camisa para a reta final do Carioca, deslocada para a parte de trás, acima do número.

Um dos jogos mais marcantes deste momento de recuperação foi este clássico contra o Flamengo. O rival esteve na frente praticamente o jogo inteiro, fazendo 1 a 0, 2 a 1 e 3 a 2, com o Tricolor sempre buscando o empate. Os gols do Flu foram de Super Ézio, Renato Gaúcho (um golaço, por cobertura) e os dois da virada foram marcados por Rogerinho, na etapa final.

Um dos destaques do Fluminense durante a campanha do título Carioca de 1995 foi o meia Aílton, hoje auxiliar técnico do Tricolor. Além de ser o autor oficial do gol do título - aquele, de barriga -, o jogador esteve presente na estreia do Ame o Rio e relembrou esta partida épica.

" O Fluminense estava há um tempo sem patrocínio na camisa, até que surgiu o "Ame o Rio". Eu, particularmente, fiquei muito feliz. Estava muito tempo fora do Rio e colocar em um patrocínio "ame a sua cidade", cidade que eu já amo, foi muito legal. Compartilhei com os companheiros e percebi que todo mundo ficou muito feliz. Sabemos como o futebol é supersticioso e pensei: "quem sabe se isso não vai trazer a sorte que estávamos precisando?" , disse Aílton, que ainda completou:

"Éramos um time experiente, tentávamos manter a posse de bola, mas o Flamengo apertava, foi um jogo difícil. Acho que jogamos bem abaixo do que a gente rendia, principalmente nos Fla-Flus. Foi uma vitória que empolgou muito. Não só a equipe, mas também a torcida e todo o clube. Praticamente ninguém acreditava na gente e ressurgimos das cinzas. A gente sempre acreditou. Essa vitória nos deu a empolgação que a gente precisava. Conseguimos arrancar para um título muito importante para o Fluminense".

Depois desta vitória, o Fluminense seguiu firme em sua arrancada. Sem perder mais até o fim da competição, garantiu o título em 25 de junho, na vitória por 3 a 2 novamente contra o Flamengo. Durante este período, venceu Bangu (duas vezes), America, Volta Redonda e Entrerriense, e empatou com Botafogo e Vasco. Em todos estes jogos, a marca Ame o Rio esteve estampada na camisa.

A invencibilidade e o épico título carioca de 1995 com o Ame o Rio estampado ficaram marcados na memória afetiva da torcida do Fluminense. Tanto que, em 2017, para a final da Taça Guanabara justamente contra o Flamengo, um movimento de torcedores pedindo novamente a utilização da marca na camisa foi atendido pelo clube. E o Tricolor levantou mais um caneco, com vitória nos pênaltis após empate em 3 a 3 no tempo normal, mantendo a invencibilidade e a fama de "amuleto" do Ame o Rio.

Ao todo, utilizando a marca na camisa, o Fluminense disputou 10 partidas, com sete vitórias e três empates. Foram 18 gols marcados e apenas oito sofridos, sendo que o time saiu de campo sem sofrer gols em sete destes jogos, sendo vazado apenas no 4 a 3, no 3 a 2 e no 3 a 3 contra o Flamengo.

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