Após deixar o futebol paraguaio, zagueiro mantém a forma em casa, em SG, na quarentena

Solluander Petcof cuida de sua mãe, que se recupera de um câncer, e procura clube para jogar. Ele ainda sonha em atuar na Europa

Enviado Direto da Redação

Por Rennan Rebello


O jogo de bola para alguns é um objeto de diversão e entretenimento enquanto para outros se torna um trabalho e até mesmo um 'passaporte' para conhecer outras partes do globo.


Este é o caso do zagueiro brasileiro, de origem búlgara, Solluander Petcof, de 28 anos, que recentemente esteve no futebol paraguaio, onde defendeu as camisas de Cerro Porteño, da cidade de Presidente Franco (2018-19), e Nanawa (2019), e desde novembro do ano passado, está de volta à São Gonçalo, mais precisamente no bairro do Pita, onde ainda é morador e aprendeu a jogar futebol.


Durante a quarentena de prevenção contra o novo coronavírus (covid-19), o defensor 'pitense' mantém a forma em casa, onde ajuda a mãe a se recuperar de um câncer enquanto procura um clube brasileiro para poder ficar mais perto de sua matriarca.


"Treino sozinho em casa, sigo todo o treino que fazia nos clubes que me ajuda bastante. Costumo falar que o único que me pode me mandar parar é Deus e enquanto eu tiver respirando, estarei treinando e indo atrás dos meus sonhos. Mas imagina, ir viajar para realizar um sonho, deixar a sua base em casa e depois de algum tempo tomar este choque (doença de sua mãe). Por isso, retornei e deixei o Nanawa, onde ainda tenho contato e posso até voltar mas nesta pandemia, tudo parou. Hoje, procuro clubes para jogar no Brasil ou em algum outro, que me dê condições para levar a minha mãe comigo", disse Solluander, que também atua nas posições de lateral-esquerdo e líbero.

O jogador está de volta ao Pita, seu reduto de origem, que tem um sub-bairro intitulado como Ponte Paraguai (em alusão à Guerra no Paraguai, ocorrida entre os anos de 1864 e 1870) por causa de uma ponte de concreto armado projetada na localidade, pelo engenheiro francês François Hennebique na época. O feito deu origem ao nome do distrito Sete Pontes, em São Gonçalo, por causa da expressão 'cette pont' (esta ponte, na tradução para o português) e que era dita por Hennebique e que a população entendia como sete pontes.


Em paralelo à história local; o jogador relembrou à reportagem de O SÃO GONÇALO, como saiu do Bela Vista, de Niterói, onde jogou em 2013, para desbravar o território guarani e sobre seu convívio com os paraguaios.


"Eu estava pensando em parar por já ter visto muita coisa no futebol, que é algo coisa que amo. Mas através de um preparador físico, o Edilson (Pipiu), que conheci o professor Carlos Condeixa- a quem sou muito grato por tudo o que fez por mim - e por sua causa fui ao Paraguai e quando cheguei lá, conheci o professor Aníbal Sosa, que é uma pessoa que amo demais e o tenho como um pai; sou grato a ele e sua família por tudo o que fizeram por mim. Nos meus primeiros dias no Paraguai não fui a nenhum clube pois fiquei me adaptando ao clima e me recuperei de um início de depressão. Depois de alguns meses fui me apresentei ao clube Colegiales (em 2018). Enfim, sou grato a Deus e a minha mãe Ivone Petcof, que são fundamentais na minha vida; e a cada um que me ajudou, dentro e fora de campo aquele país é espetacular e as pessoas são extraordinárias, como o professor (Cristóbal) Maldonado (falecido em 2019), que foi jogador do Libertard, da capital Assunção, e do Real Madrid. Ele também foi treinador de grandes equipes e da seleção paraguaia sub-20. Ele era mais que um treinador, foi um amigo e sinto muito a sua falta", relembrou o futebolista, que pediu ao longo da entrevista ao OSG, para que mais nomes fossem registrados nesta presente matéria como forma de agradecimento.


"Eu tenho uma gratidão enorme pelos paraguaios, e por isso, gostaria de registrar algumas outras pessoas e suas famílias, que foram fundamentais para mim, como o Jorge Medina, tio Carlos (cozinheiro), José Torres, Lucho Orrego, Profe Pate, tia Muñe e família Kyrios, Diego Lopez, presidente Ramón Sánchez , Javier González, Hugo e Lore, Iván , Wildon, Carmen, Miguel e a todos de Presidente Franco e Paraguai que me ajudaram e conhecem a minha história e peço desculpas por não falar os nomes de mais gente", concluiu.


Europa é uma possibilidade - Com o sobrenome Petcof (originalmente Petkov, mas registrado de forma errada em cartório brasileiro) de origem búlgara; Solluander, projeta em se tornar um cidadão búlgaro, assim como o ex-craque Hristo Stoichkov, para tentar jogar no futebol europeu. 


"A minha avó erada Bulgária e meu avô, da (extinta) Iugoslávia. Eles vieram ao Brasil, fugindo da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). O único filho que nasceu por lá (na Europa) foi o meu tio Dragutin, o restante da família de minha mãe nasceu em Cachoeira de Macacu. E como um dos meus sonhos é jogar na Europa, penso em solicitar minha cidadania mas fiquei sabendo que é muito caro, e me falaram que preciso ir até Brasília. Seria muito bom poder jogar na Bulgária e em outros países europeus como Portugal e Alemanha ou também atuar em lugares como China, Arábia Saudita e Tailândia", finalizou.

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