Gonçalense a um passo de disputar a Copa do Brasil

Acima, o atual elenco do Gonçalense, que conquistou Série C em 2014, com torcida numerosa
Foto: Leonardo FerrazPor Ari Lopes e Sérgio Soares
Com apenas dois anos de fundação, o Gonçalense Futebol Clube (G.F.C), já conseguiu a proeza de conquistar um título na primeira competição que disputou - a Terceira Divisão Estadual, em 2014. A criação do clube, no segundo semestre de 2013, marcou o início de um sonho acalentado durante anos pelo presidente do clube, o empresário da construção civil Joacir de Olivera Thomáz, de 61 anos. Ele é o mentor de um plano ousado, para transformar o clube do Jardim Catarina em uma referência do futebol profissional, não apenas com um time de qualidade, mas também com a construção do primeiro grande estádio no Leste Fluminense.
O título de 2014, conquistado sobre outra equipe da cidade - o São Gonçalo Futebol Clube -credenciou o clube a disputar, a partir de agosto, a Copa Rio, competição que reunirá 20 clubes da capital e Baixada Fluminense. O campeão da competição terá o direito de escolher a participação em duas competições nacionais em 2016 - a Copa do Brasil ou o Campeonato Brasileiro da Série D. “O nosso sonho é fazer uma equipe forte, que possa revelar jogadores e projetar a imagem da cidade para o país”, afirmou Joacir. Desde o último dia 6, o elenco de 28 jogadores, com a mesma base vitoriosa e alguns reforços, passou a treinar diariamente.
O fôlego dos jogadores é o mesmo do início do ano, quando em dois jogos preparatórios para a Série B, conseguiram duas vitórias por 1 a 0 sobre o Botafogo, ambas em fevereiro. A equipe manteve quase todo elenco que está no clube há um ano e meio, com a chamada ‘espinha dorsal’ formada pelo goleiro Júlio, os zagueiros Rodrigão e Alemão e o atacante Wiliam das Graças Silva, ou Wiliam Amendoim, que fez fama no Flamengo e peregrinou por Macaé, Madureira, Bonsucesso e Ipatinga.
Aos 27 anos, ele diz estar na melhor fase da carreira. Outra cara nova no elenco é o irmão de Wiliam, David Silva, o Paçoca, uma promessa que aos 17 anos, ainda na idade de juniores, já integra o elenco profissional. Com eles, o clube de São Gonçalo não se assustou com a primeira participação na chamada ‘zona de acesso’ do futebol estadual na Série B. O clube ficou com a quinta colocação, com sete vitórias, sete empates e três derrotas.
Profissionalismo - Desde o primeiro ano de existência, em 2013, o Gonçalense mantém uma sólida estrutura profissional. Ao contrário de vários times do interior, que por falta de condições financeiras disputam divisões intermediárias com amadores, a direção do Tricolor planejou em detalhes cada passo a ser seguido. Para se filiar à Federação de Futebol do Rio de janeiro (Fferj), o presidente Joacir Thomáz comprou, por R$ 500 mil, o Tanguá Esporte Clube e o fundiu com o Gonçalense, dando a estrutura administrativa necessária à sobrevivência da agremiação. Foram criadas outras categorias para a disputa de competições de base e o Tricolor só trabalha com atletas federados. A folha salarial, gira em torno de R$ 70 mil. Um ônibus com o escudo e as cores do clube, com ar condicionado, transporta os atletas para os jogos, no melhor estilo das chamadas grandes equipes do futebol brasileiro.

Caminhoneiro virou presidente do clube
O empresário Joacir Thomáz sempre foi um apaixonado por futebol. Desde pequeno na cidade de Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo, já dava os primeiros chutes em bolas de futebol. Quando tinha cinco anos, seus familiares vieram para São Gonçalo em busca de trabalho e uma vida melhor. E foi como caminhoneiro numa empresa de construção civil, que ele vislumbrou outro sonho: o de ter o próprio negócio. Joacir não apenas conseguiu realizá-lo, como também faz da empresa Macroaction a “base” para o crescimento do Gonçalense, junto com os filhos Leonardo e Thiago Thomáz, seus ‘auxiliares’.
Diariamente, caminhões e tratores são vistos no Jardim Catarina em operações de construção do estádio. Como bom investidor, Joacir não revela quanto já gastou na empreitada, mas se mostra feliz com tudo que conseguiu realizar.
“Plantamos a semente e a árvore está crescendo. Amo o Jardim Catarina e São Gonçalo, que tem um histórico da formação de grandes jogadores e vocação para o futebol”, afirmou.
O envolvimento de Joacir com o futebol cresceu com a projeção de um de seus filhos, Thiago Pinto Thomáz, de 32, com o mundo da bola. Além de Thiago, Joacir dava carona a outros ‘coleguinhas’ do filho que treinavam nas divisões de base do Olaria. Alguns anos depois, quando o garoto se profissionalizou, Joacir acabou virando seu empresário e passou a trabalhar com outros jogadores.

Meia ‘Sabão’ passa por testes no Vasco
O sucesso do Gonçalense também faz os jogadores pensarem grande, como o meia atacante Antônio Welington Batista da Silva, o Sabão, de 22 anos, que foi um dos destaques da equipe na Segunda Divisão. Nascido em São Lourenço, bairro de Niterói, ele começou a jogar nas divisões de base do Flamengo, e antes de chegar ao Tricolor Metropolitano, teve passagens pouco expressivas pelo Itaboraí e São Pedro da Aldeia.
Em 2014, quando foi chamado para uma fase de testes na equipe, estava fora de atividades e trabalhando em uma padaria para sobreviver. Fã do atacante Ronaldinho Gaúcho, acha que o esquema profissional implantado pela direção ajuda os jogadores a ganharem projeção.
“As pessoas pensam grande, têm objetivos. E isso, para quem quer viver do futebol e alcançar o sucesso, é fundamental”, diz ele, que está em fase de testes no Vasco e pode deixar o Tricolor Metropolitano nos próximos dias. A participação na Segunda Divisão o valorizou a ponto de ser sondado por algumas equipes de fora. 3

Paixão atrai novos torcedores
A popularização do Gonçalense já começa a render bons frutos. Mesmo com pouco mais de um ano e meio de existência, o time vem ganhando cada vez mais adeptos e tirando torcedores de outros clubes. O corretor de imóveis Marcelo Júnior, de 22 anos, morador de Vista Alegre, em São Gonçalo, vive um autêntico ‘caso de amor’ com o Tricolor Metropolitano.
Botafoguense desde pequeno, ele decidiu dividir seu coração ao fundar a Torcida Jovem Gonçalense, que fez a estreia na primeira partida da grande final contra o São Gonçalo Futebol Clube, pela Terceira Divisão, no dia 16 de setembro de 2014, em Saquarema, na Região dos Lagos.
“Passei a me interessar pelo Gonçalense, não apenas por ser uma equipe da minha cidade. O clube tem um audacioso projeto que vai projetar São Gonçalo através do esporte”, afirmou. A torcida já tem uma base de quarenta integrantes e conta também com simpatizantes em Itaboraí, Mesquita, na Baixada Fluminense, e na Região dos Lagos.
“Queremos ir a todos os jogos e ajudar o clube a chegar à elite do Estado”, afirmou. Outro que tem orgulho de ser Gonçalense é o estudante universitário Wescley de Medeiros Viana, 24, morador do Jardim Califórnia. Ele tinha o Flamengo como clube de coração até começar a acompanhar trajetória do Tricolor Metropolitano pelo noticiário na imprensa, no ano passado. Agora, Wescley não perde um jogo da equipe.
Mas há quem tenha o clube, literalmente, na pele. Há três anos, o roupeiro Reinaldo da Cruz, de 56 anos, trocou a profissão de metalúrgico por essa atividade. Começou no São Gonçalo Futebol Clube, em 2012, mas ao ser convidado para trabalhar no Tricolor Metropolitano, um ano depois, passou a viver um autêntico “caso de amor” com a agremiação, a ponto de fazer uma tatuagem do escudo do clube no braço direito.
Morador do mesmo local onde fica o campo da agremiação, ele se diz certo do acesso da equipe à Primeira Divisão em 2016. “Na elite, os torcedores verão o clube pela televisão. E isso nos fará crescer”, profetizou.