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69 anos depois, time de São Gonçalo disputa um estadual

relogio min de leitura | Redação 23 de julho de 2015 - 09:25

A equipe atual do S.G.E.C, tem feito uma campanha regular na Série C, em busca de ascensão

Foto: Divulgação

Por Ari Lopes e Sérgio Soares

Somente após 69 anos o Metalúrgico conquistar o vice-campeonato Estadual, na final com o Royal, de Barra de Piraí, um clube de São Gonçalo voltou disputar as divisões profissionais do futebol no estado. Em 2011, o deputado estadual Aristeu Rafhael Lima da Silveira, o Raphael do Gordo, fundou o São Gonçalo Esporte Clube (S.G.E.C) que já em 2013 conquistou o título da 3ª Divisão, a ‘Terceirona’, e o acesso à 2ª Divisão do Carioca. Mas a alegria durou pouco e no ano seguinte a equipe foi rebaixada.

Mas, nada melhor do que o retorno de um atleta importante no inédito título profissional da equipe em 2013, para sonhar com dias melhores: o volante gonçalense Roberto Brum, além do zagueiro Luiz Alberto, outro ‘veterano’ filho ilustre da cidade, reforçam a equipe para o campeonato, iniciado há dois meses.

Mesclando a experiência dos dois, com a disposição de jovens atletas vindos de São Gonçalo, municípios vizinhos e até de outras regiões do país, o S.G.E.C montou um elenco, que desde março vem buscando retomar o caminho de vitórias.

Título - Em 29 de setembro de 2013, o S.G.E.C comemorava o título estadual na Série C, após uma vitória e um empate contra o Miguel Couto. Sete meses depois, em 17 de maio de 2014, acabava rebaixado, voltando à Terceira Divisão. Após o insucesso, chegou-se a cogitar um pedido de licença do clube junto à Federação de Futebol do Estado do Rio em 2015.

A retomada das atividades só foi definida no fim de dezembro do ano passado. E a participação do ex-tricolor Roberto Brum foi fundamental para isso. Embora não ocupe nenhum cargo oficialmente na direção, ele vem atuando como uma espécie de gestor, sendo fundamental na captação de recursos e na utilização de sua imagem para que portas sejam abertas para o S.G.E.C. O retorno do zagueiro Luiz Alberto ao futebol profissional deve-se muito à amizade entre os dois ex-tricolores.

Outra pessoa importante nessa retomada é o técnico Reginaldo Assad, que assumiu a equipe desde o início, e hoje acumula a gerência de futebol, junto com Sérgio Bartha.

“Plantamos uma semente e cativamos as pessoas. Queremos retornar com força, focando nos objetivos futuros”, afirma Assad.

Na pré-temporada para a Série C, uma antiga rivalidade foi deixada de lado. Sem um campo de futebol próprio, problema que assola a grande maioria dos times de divisões intermediárias no estado, a equipe intercalou os treinamentos entre Cachoeiras de Macacu, na Região Serrana Fluminense, e o campo do Gonçalense Futebol Clube, que atualmente disputa a Série B do Campeonato Estadual, no Jardim Catarina.

A falta de campos aptos para receber torcedores na região, inclusive, fez com que a direção do S.G.E.C optasse por mandar suas partidas da Série C no Estádio Eucy Resende, no distrito de Bacaxá, em Saquarema, na Região dos Lagos Fluminense.

A diretoria do clube preferiu fazer essa opção a realizar os jogos em estádios com portões fechados, prática comum na Série C Estadual por falta de dependências adequadas e de condições de segurança.

Roberto Brum e Luiz Alberto: experiência dentro de campo

Luiz Alberto também aceitou o desafio
Luiz Alberto também aceitou o desafio

Depois de mais de dois anos aposentado, o volante Roberto Brum, aos 36 anos, decidiu assumir o desafio de voltar a jogar futebol, justamente pelo último clube profissional que defendeu - o São Gonçalo Esporte Clube. Com passagens por Fluminense, Coritiba, Santos e alguns clubes do exterior, Brum intercala o tempo de treinamento com as funções de pastor de uma igreja evangélica, em Camboinhas, na Região Oceânica de Niterói, onde organiza cultos às quintas-feiras e domingos.

“A Série C se torna uma competição muito difícil por causa da falta de recursos. Porém, atualmente vejo algumas mudanças. Espero ajudar nessa evolução”, afirmou. Além de jogar, o volante diz que vai desempenhar outra função fora de campo para atrair mais investidores. No período em que esteve afastado dos campos, Brum tentou uma carreira de treinador. Ele também é dono de uma escolinha de futebol, no mesmo bairro.

Com essas atividades, ele descarta defender outro clube que não seja o S.G.E.C. Brum também foi o responsável pelo retorno do ‘grande amigo’ Luiz Alberto ao futebol profissional.

No Brasil, o zagueiro vestiu camisas ‘pesadas’ como Flamengo, Fluminense, Santos e Atlético Paranaense. Na Europa, passou pelo futebol francês e espanhol, enquanto na Argentina, defendeu o tradicional Boca Juniors. Aos 37 anos, Luiz Alberto considera estar em um novo momento em sua carreira. “Minha vinda ao São Gonçalo foi para ajudar. Quero colaborar com minha experiência, qualidade dentro de campo, sem qualquer interesse financeiro. Tem muito garoto no elenco buscando seu espaço e por que não ajudar?”, declarou.

Equipe mescla veteranos com jogadores jovens

Além dos experientes Roberto Brum e Luiz Alberto, o S.G.E.C tem outros talentos, como o atacante Marcos Vinicius, 23, com boas passagens pela equipe em 2013 e 2014, quando marcou 15 gols em 56 partidas. O atacante, que estava sem clube, foi o que mais vestiu a camisa da agremiação desde a fundação. “Me sinto em casa e confiante de que em breve, estaremos novamente na Série B e depois, entre os grandes do futebol carioca. Esse é o desejo de todos”, declarou.

Luiz Felipe
Luiz Felipe já morou na Bahia

Mas o clube possui também jogadores que vieram de longe em busca de um lugar ao sol, como o meia Júnior Mineiro, 23, e o atacante Luiz Felipe, 21, paulista, mas que viveu quase a vida inteira na Bahia. No projeto de retorno à Série B, a performance da equipe é satisfatória. No último fim de semana, o S.G.E.C goleou o Futuro Bem Próximo por 8 a 1, no Estádio Eucyr Resende, em Saquarema, chegando a 19 pontos no campeonato.

Campanha de popularização para conseguir novos torcedores

Para voltar a se firmar e tentar uma vaga na Série B, a direção do S.G.E.C decidiu seguir conceitos modernos de gestão, o que a credenciao como uma das favoritas na Série C. A escolha, apenas, de jogadores profissionais e federados foi uma das preocupações dos gestores, que adotaram também outras medidas para se aproximar do torcedor.

Em breve, será lançado o site oficial do clube. Na estreia da Série C, foi lançada a camisa número três, inspirada no apelido “Papa-Goiaba”, uma alusão a que nasceu no eixo São Gonçalo-Niterói. Foi realizada também uma promoção para a compra da camisa oficial, por R$ 99,90, além de ingressos para os cinco primeiros jogos da equipe como mandante na Série C.

O clube foi fundado pelo deputado estadual Aristeu Rafhael Lima da Silveira, o ‘Rafael do Gordo’, e seu pai, o vereador Eduardo Gordo.

Leia amanhã: Jucilei comanda clube de São Gonçalo

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