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Itaboraí quer ser a 'terra do futebol'

relogio min de leitura | Redação 19 de julho de 2015 - 18:45

Elenco da Associação Desportiva Itaboraí tem jogadores de outros estados e três escolhidos através de peneiras públicas realizadas em dezembro do ano passado

Foto: Divulgação

Com uma população de pouco mais de 500 mil habitantes, Itaboraí, no passado, ficou famosa como a ‘terra das laranjas’, por ser um dos maiores produtores da fruta no Brasil. Nos últimos anos, a cidade reapareceu na mídia em função da construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Sambaetiba. Mas o “combustível” que realmente move paixões e alimenta os sonhos de grandeza da cidade leva o nome de Associação Desportiva Itaboraí (ADI). Fundado em 1976, o clube conheceu altos e baixos ao longo de seus quase 40 anos e, somente em 2014 retomou as atividades do futebol profissional, participando da 3ª Divisão do Campeonato Estadual.

A experiência, serviu como uma espécie de ‘dever’ de casa para a temporada de 2015. No primeiro turno, a “Águia” venceu todos os adversários de sua chave, mas acabou derrotada pelo Artsul por 2 a 1, no último dia 5, no Estádio Elcyr Rezende, em Saquarema. O clube inicia o returno amanhã, em casa, contra o Nova Cidade, no Estádio Alziro de Almeida, pensando em dias melhores para tentar chegar à Série B no ano que vem e continuar sonhando com a elite do futebol carioca.

Entre as equipes da Série C, a ADI foi o que iniciou mais cedo, em dezembro, a preparação para o campeonato. O time manteve a ‘espinha dorsal’ do ano passado, mas procurou qualificar o elenco de 22 jogadores escolhidos ‘a dedo’ pela comissão técnica: nomes experientes, como Wiliam Bersan, que disputou o último estadual pelo Boavista, de Saquarema, e o goleiro Luiz Felipe Leonel, de 23 anos, que veio do Friburguense e assumiu a posição, além do novo reforço, o centroavante Edu, que disputou a Série B pelo São Gonçalo, onde se tornou artilheiro da equipe.

A comissão técnica do ‘Azulão’ é a mesma do ano passado. O treinador Paulo César Teixeira, que estava trabalhando na Tailândia aintes de se tranferir para Itaboraí, em 2014, e seu auxiliar, o ex-jogador Brener, nascido e criado na cidade, comandam as atividades. Depois de ‘bater na trave’ na decisão do primeiro turno, o treinador espera conquistar o acesso.

“Temos a responsabilidade de representar um município grande como Itaboraí, que é celeiro de grandes jogadores. Não podemos fazer um trabalho que não seja forte”, afirmou. De olho na escolha de novos valores para qualificar o elenco, a comissão técnica também realizou as tradicionais 'peneiras'.

Nada menos do que 160 jogadores de diferentes pontos de Itaboraí participaram desses testes, realizados em dezembro. Apenas três nomes foram aprovados: o lateral esquerdo Wilton, o meio campo Léo e o volante Raí.
Para a empreitada, a equipe de Itaboraí conta com a ajuda de empresários e da prefeitura local, que colabora para manter em dia a folha salarial de R$ 70 mil mensais.

Longe da família, jogadores vivem na concentração e sonham com futuro

Serie de futebol  18 500 Time ADI no  Alojamento LEONARDO F (8)
Jogadores se outros estados moram no “QG” em Venda das Pedras (Foto: Leonardo Ferraz)

Numa casa ampla, em Venda das Pedras, a cinco quilômetros do centro de Itaboraí, foi montado o ‘QG’ do time na preparação para a 3ª Divisão. Além de funcionar como concentração para todo elenco na véspera dos jogos, a casa também serve de moradia para jovens atletas que sonham com um futuro promissor no futebol.

Natural da cidade Mineira de Astolfo Dutra, o zagueiro Victor Nunes Pereira, de 21 anos, é remanescente da equipe formada na temporada de 2014.

Desde pequeno, ele sonha em ser jogador profissional. Mais velho dos três irmãos, ele viveu a adolescência peregrinando por diferentes equipes, como o Ceará, Tupi e Serra Macaense.

Natural de Rio Verde, em Goiás, o lateral esquerdo Eduardo da Silva Castro, de 19 anos, mesmo com idade de um jogador júnior, já tem passagens por Paraná, Atlético de Sorocaba e pelo clube da cidade onde nasceu, que é da Segunda Divisão. Filho de um caminhoneiro e de uma dona-de-casa, ele diz que não conseguiria vive longe do futebol.


Desafio para reativar equipe

Serie de futebol 18 500  Itaborai FC treinando LEONARDO F (21)
Brener compõe a comissão técnica, que reforçou equipe com o centroavante Edu, destaque no São Gonçalo Futebol Clube na Série B (Foto: Divulgação)

No início do ano passado, o presidente do clube, o empresário Hebson Júnior Cardozo, de 30 anos, assumiu o desafio de reativar a equipe para disputar a Série C. Ex-goleiro nas divisões de base do ‘Azulão’, na década de 90, ele teve muito trabalho. A primeira etapa foi ‘limpar’ o nome do clube na Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Fferj), onde havia dívidas de R$ 7 mil das administrações anteriores. A boa campanha na Terceira Divisão de 2014 foi determinante para a continuidade do trabalho nessa edição. A equipe chegou às finais mais perdeu a vaga para o São Cristóvão.

A Prefeitura de Itaboraí manteve o apoio ao clube, também por meio da cessão do Estádio Municipal Alziro de Almeida para a realização de jogos e treinamentos. “Como no ano passado, começamos a trabalhar cedo e esperamos ter sucesso nessa edição”, afirmou o presidente.

O técnico Paulo César Teixeira, ex-goleiro profissional que atuou no Botafogo, Bangu, Paraná e Mogi Mirim, já tem história no clube, onde iniciou a carreira como técnico.

Como auxiliar de Paulo César, está um velho conhecido da torcida: o ex-jogador Brener Antunes das Chagas, 39, ex-Vasco, Guarani e Avaí, entre outros. “Como morador de Itaboraí, sempre sonhei em participar do crescimento esportivo da cidade”, declarou. Quinze equipes da Série C disputam quatro vagas de acesso à Série B.

Fundado em 1976, clube já quase chegou à elite do futebol carioca

A Associação Desportiva Itaboraí quase chegou à ‘elite’ do futebol carioca pouco depois de sua fundação, em 30 de junho de 1976, por um grupo de empresários e outras pessoas ligadas ao esporte na cidade. No Campeonato Estadual Fluminense de 1977, que não abrangia ainda as equipes da capital, conseguiu o vice-campeonato, perdendo o título para o Manufatora.

Em 1978, disputou a a Divisão de Acesso (2º Divisão) do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro, no primeiro certame após a fusão dos estados da Guanabara e Rio de Janeiro, mas com uma campanha ruim não conseguiu se classificar para a 2ª fase. Anos depois, em 1995, o ‘Azulão’, com o apoio de empresários e da prefeitura, voltou às atividades sendo o 5º colocado na classificação geral, atrás do Tio Sam Esporte Clube, Belford Roxo, Estrela da Serra e Brasil Industrial. A última participação da equipe na 3ª Divisão foi em 2010.

Por Ari Lopes e Sérgio Soares

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