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Gonçalense publica livro com visão crítica da Copa do Mundo e Olimpíada no Rio

Livro foi intitulado como ‘Copa pra quem? Olimpíadas pra quem?

relogio min de leitura | Redação 28 de fevereiro de 2019 - 09:24
Alex usa ilustrações como forma de repensar os megaeventos que ocorreram nos anos de 2014 e 2016
Alex usa ilustrações como forma de repensar os megaeventos que ocorreram nos anos de 2014 e 2016 -

Por Rennan Rebello

Arte para pensar, refletir e questionar, estas características compõem o trabalho desenvolvido pelo artista plástico Alex Frechette, 41, que utilizou a sua tese no mestrado em turismo na Universidade Federal Fluminense (UFF) para transformá-la no livro ‘Copa pra quem? Olimpíadas pra quem? - Arte e megaeventos esportivos no Rio de Janeiro - contranarrativas na cidade turística’, publicado pela editora Circuito, como forma de revisitar um passado recente na história.

“Fiz um rápido panorama dos legados destes megaeventos esportivos, levantando suas contradições e controvérsias, desde o pensamento grego antigo até as relações de poder que permeiam os jogos ainda hoje, sempre levantando os pontos de tangência das disciplinas de arte e turismo. A ideia de produzir um livro foi surgindo a medida em que escrevia (a tese)”, explicou o autor.

Embora não tenha o costume de acompanhar modalidades esportivas, o tema, para Alex, vai além das competições por se tratar de um assunto que é de interesse público, já que os megaeventos são capazes de mudar a dinâmica do território no entorno do qual está inserido.

“A arte da capa do livro, por exemplo, é uma releitura do trabalho ‘Guernica’ de Pablo Picasso, onde o pintor mostrava os horrores do bombardeio da cidade basca de Guernica. Segui a linha de Picasso e coloquei as siglas “SMH” (Secretaria Municipal de Habitação do Rio) que eram escritas nas portas das casas que seriam removidas, fiz uma figura indígena que representava o José Guajajara que ficara em protesto na árvore da aldeia Maracanã para que a construção (do Museu do Índio) não fosse transformada em estacionamento”, explicou ele, que é professor na Escola Estadual Dr. Jayme Memória, no bairro Cubango, Zona Norte de Niterói.

Apesar de ter concebido esta obra, o artista não tem planos para seguir nesta temática, no entanto, pretende seguir mesclando a sua veia artística para debater assuntos políticos. “Esta pesquisa que realizei durante dois anos foi muito enriquecedora, mas não sei se continuarei neste tema. Contudo, certamente a arte e política estarão presentes nos meus próximos trabalhos”, comentou.

O lançamento será na rua

Depois do livro publicado, agora, os próximos passos serão atividades referentes ao lançamento do mesmo. E o primeiro evento acontecerá em via pública no dia 22 de março, às 18h, no Obelisco da Praça Mauá - próximo ao Museu de Arte do Rio (MAR) e ao Museu do Amanhã - na Zona Central do Rio.

O lugar foi escolhido por ter sido um local que exemplifica parte das mudanças que foram geradas por causa do Mundial de 2014, e dos Jogos Olímpicos, em 2016.

“O livro vai ser lançado na rua, na Praça Mauá, próximo ao Obelisco, já que ali foi um ponto de mudança da cidade, por conta dos Jogos Olímpicos e porque a rua também é um local democrático e que precisa ser ocupado. A princípio, também terá um lançamento na UFF em Niterói e em São Paulo, mas os detalhes ainda não estão acertados”, revelou o escritor, que acrescenta que seu trabalho é algo que pode envolver outros saberes, usando como exemplo, a sua trajetória acadêmica.

“A minha atividade prioritária é a arte que é uma prática transdisciplinar, por isso achei interessante o desafio de interseção com o turismo, campo do qual eu até então, tinha pouco conhecimento teórico”, finalizou.

Aos interessados em se corresponder com Alex ou em obter um exemplar, o autor disponibilizou seu endereço de e-mail para contato: alexluiz@gmail.com.

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