Após matéria do OSG, gonçalense consegue patrocinador e vence torneio de jiu-jitsu
Cria do Salgueiro, João Victor e família vendiam trufas para arcar com os custos das competições

Após a repercussão de uma matéria publicada pelo jornal OSG em novembro do ano passado, o jovem gonçalense João Victor Nascimento, de apenas 17 anos, conseguiu o apoio de um patrocinador para ir à Roma, na Itália, realizar seu sonho, sagrando-se campeão absoluto do Campeonato Europeu de Jiu-Jitsu, organizado pela International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF), na última terça-feira (15).
“Isso significa muito para mim e para as pessoas que estão perto de mim. Sempre foi meu sonho ser campeão Europeu. Significa muito ver um jovem periférico vencer na vida, no esporte, em tudo. É difícil, quando as coisas apertam, são poucas pessoas do seu lado te motivando a continuar, mas estamos aí, dia a dia, trabalhando, voltando pro Brasil com a medalha de ouro no peito e focado que tem muito trabalho ainda ao decorrer do tempo. Eu tenho muitos sonhos mas vou conquistar todos eles. Voltamos com ainda mais sede de vitória.”, afirmou o jovem após o retorno ao seu país de origem.
O jovem, que vendia trufas para arcar com os custos de suas competições, ressaltou ainda que essa conquista foi fruto de muito esforço e determinação, vindo acompanhada de muitos sacrifícios, o que, segundo ele, o fez campeão antes mesmo de entrar no tatame.
“A minha postura dentro e fora do tatame é a mesma, sempre mantendo a disciplina. Mas não é a postura da pessoa que vai fazer ela ganhar e sim o quanto ela treinou, batalhou, o sofrimento que passou para estar ali, é o que faz dela campeã, perdendo ou ganhando. Todo mundo vai lá com sede de ganhar. Quem é merecedor colhe os frutos do que plantou e o sangue nos olhos é a primeira coisa que um atleta brasileiro, morador de favela tem que ter, garra e força de vontade. Então, tecnicamente falando, eu estava muito bem preparado, treinei muito e fui com a cabeça de um campeão.”, sustentou o lutador.
A cabeleireira Ana Paula Nascimento, mãe de João Victor, explicou que essa mentalidade de campeão vem de casa, que é algo que ela tenta passar a todos os seus filhos. Ela fez questão de expressar também sua gratidão ao jornal OSG pelo esforço empenhado em auxiliar o jovem na busca por um patrocinador.
“Eu ensino pros meus filhos que você sendo honesto, trabalhando duro, tendo foco, Deus bota as pessoas no seu caminho para te ajudar. Vocês foram um canal de benção na nossa vida. Os custos estavam muito além do nosso orçamento, está tudo muito caro e até o último momento o inimigo se levantou pra ele não ir. Mas Deus usou vocês para abrir as portas para nós. Ele podia desistir, por morar em uma comunidade e não ter condições, mas eu sempre ensinei eles a nunca abaixar a cabeça. Vamos para frente que a gente consegue. E hoje ele tá em Roma, um pobre, um favelado, que se esforçou para chegar lá, num lugar onde grandes gladiadores lutaram.”, contou ela.
João aproveitou a oportunidade para rasgar elogios ao seu benfeitor, que preferiu não ser identificado pela reportagem, deixando claro a importância de sua contribuição para essa que foi sua maior conquista até agora.
“Foi muito legal eles confiarem em mim, uma pessoa que eles não conheciam, só tinha ouvido histórias, e é muito bom eu poder confiar neles também. Hoje eu digo que eles são uma família, que me acolheu e tá me ajudando sempre, com suprimentos, com materiais esportivos, entre outras coisas, amor e carinho, tudo, eles são excepcionais.”, declarou ele.
Ana Paula acrescentou que sempre soube do potencial do filho, que sabia que ele só precisava de uma oportunidade para alcançar seus objetivos, e vê-lo chegando lá foi uma sensação indescritível.
“Eu sempre soube do potencial do João Victor. Ele é um menino muito dedicado, muito focado e eu sabia que ele ia chegar lá. Mas quando ele chegou, eu nem sei te explicar qual foi a sensação, estamos vivendo um sonho, tive que tomar calmante e tudo porque minha pressão foi a 16. Tivemos muitos nãos, muitas das portas em que a gente batia não se abriam. Então fomos buscar a melhor forma, vender trufa, empadinha, meu marido trabalhando até meia noite, uma hora da manhã, foi um esforço conjunto em família. Eu sempre soube que ele só precisava de uma oportunidade e essa hora finalmente chegou!”, desabafou a cabeleireira emocionada.
*Estagiário sob supervisão de Thiago Soares