Robinho é condenado em última instância por violência sexual
Crime do ex jogador foi cometido na Itália

A Justiça Italiana condenou, em última instância, o jogador Robinho e o amigo, Ricardo Falco, a nove anos de prisão por violência sexual de grupo. A sentença contra o jogador e o amigo vai sair em 30 dias.
O julgamento aconteceu na Corte de Cassação de Roma, que é equivalente ao Supremo Tribunal Federal no Brasil. Na manhã desta quarta-feira (19), Robinho e seus advogados apresentaram o último recurso, que foi negado pela corte italiana.
Apesar de Robinho e o amigo terem sido condenados em última instância, eles não poderão ser extraditados para a Itália, uma vez que a Constituição brasileira de 1988 proíbe a extradição de brasileiros. Também, o tratado de cooperação judiciária em matéria penal entre Brasil e Itália, assinado em 1989 e ainda em vigor, não prevê que condenações impostas pela justiça da Itália sejam aplicadas em território brasileiro.
Dessa forma, Robinho e Falco só correm o risco de serem presos se viajarem para fora do Brasil - podendo ser qualquer país, não somente a Itália. Para isso, o país precisa emitir um pedido internacional de prisão que poderia ser cumprido em qualquer país da União Europeia, por exemplo.
Robinho e Falco foram arrolados no artigo "609 bis" do código italiano, que fala sobre violência sexual cometida por duas ou mais pessoas - forçando alguém em condição de inferioridade física ou psíquica a manter relações sexuais. A vítima diz que foi embriagada e, enquanto estava inconsciente, foi abusada sexualmente por seis homens. Os advogados dos brasileiros dizem que a relação foi consensual.
Relembrando
Robinho e Falco cometeram o crime na Sio Café, uma conhecida boate de Milão, na madrugada de 22 de janeiro de 2013. Na época, Robinho era um dos principais jogadores do Milan. De acordo com a denúncia da Procuradoria de Milão, Robinho, Falco e outros quatro brasileiros violentaram sexualmente uma mulher de origem albanesa.
Os outros quatro brasileiros que acompanham Robinho no exterior eram amigos dele. Eles deixaram a Itália durante a investigação e não foram acusados, sendo apenas citados nos autos.
A vítima, que mora na Itália há alguns anos, foi à boate com uma amiga naquela noite em 2013 para comemorar o aniversário de 23 anos. Neste fim de semana, ela completará 32 anos.
A primeira condenação de Robinho aconteceu em 2017, quando ele jogava pelo Atlético-MG. Ele deixou a Itália em 2014, quando já tinha sido convocado a depor no inquérito que apurava o crime – o jogador negou a acusação, mas confirmou que manteve relação sexual com a mulher, dizendo que a relação foi consensual. No caso de Falco, foi encontrado sêmen dele nas roupas da jovem, revelou uma perícia.
Na segunda instância a justiça italiana manteve a condenação de nove anos de prisão. As três juízas disseram que Robinho tinha "particular desprezo" pela vítima e que ele tentou enganar a justiça italiana com uma "versão dos fatos falsa e previamente combinada" com os outros envolvidos.
Depois do Atlético-MG, Robinho passou pelo Sivasspor e Istambul Basaksehir, da Turquia. Em outubro de 2020, foi anunciado pelo Santos, mas nem chegou a entrar em campo, já que o contrato foi suspenso e depois encerrado.