Projeto de Kickboxing do Morro do Céu, em Niterói, busca patrocinadores
Fundado em fevereiro deste ano, alunos do HSTeam Niterói já colhem ótimos resultados

Em busca do sonho de ver os jovens moradores de comunidade alçando grandes voos e evitar que recorram à criminalidade, Willians Santos da Silva, de 30 anos, decidiu fundar no Morro do Céu o Henrique Silva Team Kickboxing (HSTeam) para abrir oportunidades de transformação social para as crianças e adolescentes de sua região através do esporte. O projeto, fundado em fevereiro deste ano, tem dado bons resultados, mas seus alunos lutam literalmente para ter patrocínio e e receber apoio financeiro para auxiliar os atletas que, apesar de pouco tempo de treino, já apresentam resultados de alta performance.
O projeto iniciou originalmente com o mestre Henrique Silva que fundou a primeira unidade do HSTeam no Complexo do Alemão em 1999. Após ser acolhido pelo projeto e ver seu potencial transformador, Willians conversou com o mestre e, com sua supervisão, abriu uma unidade em Niterói. O projeto, no entanto, veio após muitas lutas e dores.

"Eu conheci o projeto entre 2013 e 2014 quando o mestre estava dando aula aqui em Niterói, aí comecei a trabalhar com ele lá no Complexo do Alemão. E eu vi que lá não é simplesmente treino, é uma família, o projeto abraça a vida da pessoa. Eu estava sempre visitando as comunidades com ele, me ensinando sempre, aí veio essa vontade de estender o projeto para Niterói, e a gente tentando desde 2016", disse Willians, que completou dizendo das dificuldades que atrasaram o processo: "O projeto atrasou porque eu quebrei a perna duas vezes caindo da moto enquanto trabalhava vendendo lanche na parte da tarde. Então, esse ano, no dia 7 de fevereiro, ele me deu a oportunidade de dar aulas com supervisão dele aqui no Morro do Céu, em Niterói. Graças a Deus tudo no tempo certo. Independente das adversidades da vida, a guarda é sempre em pé. Isso que eu quero ensinar para os meus alunos."
Hoje, o projeto tem 48 alunos de várias idades, entre crianças de 5 anos e mulheres de 50. As aulas de kickboxing. As aulas dividem-se em autodefesa, disciplina e fundamentos da modalidade esportiva. Dos quase 50 alunos, alguns já se destacam em torneios regionais e nacionais, chegando a conquistar medalhas, mesmo ainda sendo iniciantes, como é o caso da Líbia Nunes e do Pedro Henrique Pereira, de 15 e 10 anos, respectivamente.
Aos 15 anos, Líbia já surpreende ao ser iniciante, tendo participado do Brasileirão de Kickboxing e conquistado o 2º lugar contra uma atleta profissional de faixa marrom, mesmo ainda sendo faixa branca, que é o grau inicial dos lutadores de qualquer modalidade.

"O projeto tem me ajudado bastante porque me ajuda no desenvolvimento de muitas coisas, é bom que eu faço exercícios. Nessa pandemia não tinha nada para fazer e o projeto ajudou nisso. Vai fazer um ano em fevereiro que eu entrei para o HSTeam e com menos de um ano eu consegui me classificar para o Brasileirão, que eu fiquei em segundo lugar contra uma faixa marrom. Eu pretendo continuar competindo, ganhando muita medalha, cinturão e em breve ser uma faixa preta, se Deus quiser", disse Líbia.
Já Pedro Henrique, com apenas 10 anos, já mostra ser um prodígio do esporte e destaca que o esporte e o projeto o ajudou a ser mais disciplinado.

"Antes do projeto eu era muito rebelde, como minha mãe falava, mas para poder treinar no projeto tinha que obedecer o pai e a mãe, não podia respondê-los, não podia faltar na escola, foi aí que desenvolvi mais disciplina." O menino, que também já treinou luta greco-romana, lutou contra atletas mais graduados e, com apenas seis meses de treino, também conquistou o segundo lugar lutando contra três atletas.
Além de Pedro e Líbia, há outros jovens promissores no projeto como a Mariana e o Brendon, que é uma das novas apostas de Willians para futuras competições. Enquanto as disputas por títulos não chegam, Brendon já está feliz com todas as mudanças que o HSTeam trouxe para sua vida, como mais calma, foco e disciplina.

"O projeto me ajudou tanto na área social como profissional, tem sido uma experiência ótima, a gente desenvolve mais disciplina até em pequenas situações do dia que você aprenda a focar e ter calma, tipo quando toma uma fechada dirigindo na rua, aprende a ter empatia e se colocar no lugar das outras pessoas, são pequenas coisas que aprendi no Kickboxing e tem mudado minha vida", disse o atleta, de 22 anos.
Apesar de todos os prodígios e novos talentos que estão sendo criados no HSTeam do Morro do Céu, Willians admite que o projeto precisa de alguém que apadrinhe a causa e patrocine a iniciativa. Enquanto o patrocínio e a ajuda financeira não chegam, Willians, a esposa e seus alunos vão às ruas de Niterói mostrar suas habilidades e correr atrás do dinheiro que pode servir para pagar seus exames de faixa, inscrições em torneios e a alimentação dos alunos do projeto.
"Nenhum projeto anda sem ajuda financeira. Nada que você planeja ou vá construir acontece sem investimento. E poucas pessoas olham para dentro da comunidade, às vezes até quem está na comunidade não olha para os projetos de lá de dentro. Nossa maior dificuldade tem sido manter o lanche das crianças, parece algo mínimo, mas temos muitas crianças e acabamos não conseguindo manter.", lamentou Willians. "Quando eu comecei a dar aula, juntamos os comerciantes locais e eles ajudaram, mas a gente precisa daquela ajuda que chega todo mês, que abrace o projeto, a gente não precisa de muito, a gente só precisa de uma pessoa abrace a gente, mantenha pelo menos o básico e invista e acredite em nós.", completou.
"A gente precisa desse patrocínio porque tudo envolve dinheiro, eu sei que muita gente tá passando dificuldade, muitas pessoas estão desacreditadas, mas ainda existem projetos que você pode acreditar e investir porque não é investir em mim, mas é investir no Pedro que lutou contra três atletas e levou o segundo lugar, a Lívia, que levou o segundo lugar contra uma faixa marrom, a Mariana, e o Brendon. Então é investir neles, investir em sonhos, investir em futuros.", disse.

Willians, a esposa e seus alunos são vistos frequentemente nos sinais de trânsito de São Francisco pedindo doações a motoristas que parem pela região. Mas não precisa ir muito longe para ajudá-los. O projeto tem uma conta que recebe doações via Pix através do número 21 96416-1147.