Gonçalense Fabio Bordignon conquista recorde das Américas e chega com promessa de medalha nas Paralimpíadas de Tóquio
Ele será um dos representantes do atletismo brasileiro no Japão

O gonçalense Fabio Bordignon será um dos representantes do Time Brasil nas Paralimpíadas de Tóquio deste ano. O velocista conseguiu o recorde das Américas nos 100m, da categoria T35 (paralisia cerebral), e quer continuar orgulhando a cidade de São Gonçalo, assim como fez no Rio, em 2016, quando conquistou duas medalhas de prata para o Brasil.
"A minha meta nesses jogos é medalhar mais uma vez, é claro, degrau por degrau, sempre pensando em obter a minha melhor marca e que ela venha a estar no lugar mais alto do pódio. Nossa meta sempre é buscar o melhor, não somente pra nós, mas também para colocar o Brasil no lugar mais alto", contou o velocista, que ainda descreve o sentimento de disputar mais uma vez os Jogos Paralímpicos.
"A sensação de estar disputando mais um dos Jogos Paralímpicos é única, mesmo depois de participar de Londres (2012) e Rio (2016), é inexplicável essa sensação, é um misto de sentimento novo com algo já vivido, pois é uma nova competição, um novo país, uma nova cultura. E eu sou um cara que sempre gostei de representar o nosso país, sou muito patriota e não gosto de perder. A gente sempre almeja ter bons voos, estar no alto do pódio e se Deus quiser virá muitas coisas boas por aí para o Brasil".
Apesar da euforia com o começo da competição, Fabio comenta que a preparação para este ano foi diferente por conta da pandemia, o que atrapalha o rendimento dos atletas de forma geral.
"Eu vejo a preparação como atípica. Nós vivemos um momento de pandemia, a gente teve esse empecilho, o que acabou prejudicando muito a gente. Foi um vírus novo, que devastou as nações, e a gente teve que se desdobrar para garantir a vaga. Os índices adotados pelo Comitê Olímpico Brasileiro eram bem fortes e os atletas tinham que obter a melhor marca pessoal. Então foi muito difícil, porque a gente ficou um ano parado, treinando em casa, treinando com garrafa d'água, com sofá, com mantimentos, respeitando a quarentena e os protocolos", contou o paratleta.
Fabio Bordignon ainda pontua os principais componentes que fizeram ele chegar preparado para a competição no Japão.
"O Comitê Paraolímpico Brasileiro desenvolveu uma plataforma on-line para auxiliar os atletas paralímpicos e até mesmo aquelas pessoas com deficiência que não praticam atividades de alto rendimento a se exercitarem e manterem as atividades. Eu também comprei equipamentos de musculação e consegui montar uma mini academia em casa para me auxiliar, e com ajuda dos técnicos, fisioterapeutas e psicólogos do Comitê Paraolímpico Brasileiro, por chamada de vídeo, a gente conseguiu mesclar os treinamentos e obter o índice paralímpico para representar o Brasil em Tóquio".
Além da árdua e desafiadora preparação, Fabio teve que enfrentar mais duas barreiras nessa jornada. O paratleta, que é morador do Portão do Rosa, em São Gonçalo, sofreu com lesões e ainda teve de encarar a Covid-19 nesse caminho.
"Eu tinha acabado de voltar de lesão e agora estou lesionado novamente. É um momento muito difícil, acredito que seja reflexo da pandemia, desse tempo parado, e mesmo com os auxílios on-line, não é a mesma coisa. E quando eu peguei Covid, foi muito difícil, pois o psicológico abala, vem pensamentos ruins, mas consegui me livrar dessa", relatou o velocista, que está focado na recuperação para chegar 100% nos jogos.
Com todas essas adversidades, Fabio Bordignon conseguiu seus objetivos e alcançou o recorde (12s40) das Américas na categoria T35, nos 100m, superando o melhor tempo anterior (12s57), que era do próprio velocista, e com isso, tem vaga garantida nas Paralímpiadas deste ano.
História nos Jogos Paralímpicos
Fabio teve conhecimento sobre os esportes paralímpicos em 2007, quando assistiu o Parapan-Americanos no Rio. Ele foi atrás de uma instituição para pessoas com deficiência e começou sua jornada no futebol de 7, em 2009. Participou de diversos campeonatos, chegando nas Paralímpiadas de Londres (2012).
No ano de 2015, ele mudou para o atletismo e no ano seguinte já alcançou o recorde das Américas. Em 2016, no Rio, ele foi ainda melhor e levou a medalha de prata nos 100m e nos 200m. No Parapan-Americanos em Lima (2019), ele foi campeão nos 100m e levou bronze nos 200m da T35.
Toda os desafios e a história no esporte mostram que Fabio Bordignon chega forte, e com promessa de orgulho para São Gonçalo e para o Brasil nessas Paralímpiadas de Tóquio.
*Sob supervisão de Cyntia Fonseca