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Jovens veem no futebol uma chance para mudar o futuro

Copa é ‘vitrine’ para 500 atletas sub 17 que sonham em se tornar craques

relogio min de leitura | Redação 30 de outubro de 2015 - 21:39

Ao todo, 20 times de comunidades de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Rio vão disputar torneio nos mesmos moldes da Copa do Mundo, no campo do 12ºBPM (Niterói), Centro do município

Foto: Leonardo Ferraz

Por Renata Sena e Matheus Merlim

A história de Jéferson Luiz, um adolescente de apenas 16 anos, reflete a dificuldade enfrentada por muitos outros jovens como ele, moradores de comunidades, que têm o sonho de se tornar um ‘craque’ dos gramados. A pouca idade esconde uma trajetória de vida carregada de desencontros. Goleiro oficial do time do Morro do Castro e estudante do 9º ano, o menino perdeu a mãe no ano passado, num acidente de motocicleta. Desde então, precisou deixar de lado o sonho de se tornar jogador de futebol para ajudar nas despesas de casa.

Jéferson é o mais velho de uma família de cinco irmãos. O pai é porteiro. Para conseguir pagar todas as contas e dar o suporte necessário para a educação dos irmãos, ele conta com a ajuda da avó. “Meu pai e minha avó conversaram comigo. Mostraram que eu não poderia desistir do meu sonho e me incentivaram a jogar. Minha avó ajuda meu pai, e eu e meus irmãos continuamos vivendo do mesmo jeito”, explica.

O destino de Jéferson poderia ter sido como de outros amigos do adolescente: se perder entre as vielas do Morro do Castro. Goleiro por amor e vocação, o estudante encontrou no futebol a saída para os problemas vividos na comunidade. “Eu já ajudei amigos a saírem do lado errado por causa do futebol. Mas também vi amigos lutarem anos no futebol e não chegarem a lugar nenhum profissionalmente. Isso que, às vezes, me desanima. Mesmo assim, eu nunca quis desistir”, afirma.

A 1ª edição da Copa das Comunidades, que começa amanhã, pode ser a porta de entrada para meninos talentosos como Jéferson, que tem talento e nome de goleiro. Sob os flashes de fotógrafos e com a responsabilidade de estar à frente do gol pela equipe de sua localidade, o adolescente espera ser visto também por ‘olheiros’ e empresários do ramo esportivo.

Apaixonado pelo Flamengo, Jéferson sonha em um dia defender a Gávea. “Creio que vá dá tudo certo. Não vou ficar com o sonho eterno, um dia isso vai virar realidade. Só quero ser um bom exemplo para meu irmão”, revela.

Construir uma história dentro das quatro linhas é também o sonho do meio-campo Marcos Wagner, que tem a mesma idade de Jéferson. O meia defende a equipe de Santa Rosa, na Zona Sul de Niterói. Assim como o Galinho de Quintino, o atleta é um dos mais temidos entre os adversários. Ao serem questionados quem põe medo no campo, vários colegas apontaram para ele, de imediato. Envergonhado, Marcos Wagner abriu um sorriso tímido e humilde. “Ainda tenho que comer muito arroz com feijão para ser bom desse jeito”, comenta.

Disputando títulos desde os seis anos, Marcos confessou que o sonho nem sempre foi ser o ‘rei’ da bola. “Antes, eu queria ser astronauta. Mas quando descobri o futebol, não larguei mais. Quero ser como Léo Moura”, ressalta.

Marcos se espelha em Léo Moura
Marcos se espelha em Léo Moura

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