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Gilberto Gil contou sobre como descobriu o racismo: "foi no ginásio"

O cantor disse que foi para uma escola com poucos negros

relogio min de leitura | Redação 06 de agosto de 2020 - 12:50
O programa foi exibido na última quarta-feira (05)
O programa foi exibido na última quarta-feira (05) -

O cantor Gilberto Gil, de 78 anos, fez um desabafo sobre a discriminação racial na última quarta-feira (05), no programa "Conversa com Bial". Segundo ele, as questões raciais só começaram a acontecer com ele quando ele foi para um colégio de elite, que tinha poucos alunos negros, na adolescência. Até então, ele nunca tinha sentido o preconceito em sua vida ou com relação a sua família. 

"Eu só fui perceber essas questões muito depois, na adolescência, na idade quase adulta. Foi no ginásio quando começou um pouco, pois meus pais me mandaram para um colégio da elite onde o número de negros era muito pequeno; de 400 alunos, tinham dez negros na melhor das hipóteses... Então, ali as questões do racismo, da discriminação e do deslocamento social que aquele grupo étnico sofria começaram a surgir", explicou o cantor. 

Gilberto explicou que nunca sentiu nenhum preconceito antes disso, pois seu pai e sua mãe era figuras conhecidas na cidade. "Eu não sentia nenhuma diferença. Meu pai era uma figura proeminente na cidade, um doutor muito querido, e minha mãe era professora na escola municipal, então não havia espaço para percepção da diferença. O racismo e a discriminação não eram exercidos em relação a minha família", explicou ele.

O cantor também falou que foi Jorge Ben Jor que o ajudou a se conscientizar melhor sobre as questões de raça. "Jorge era uma afirmação clara da grandeza do negro com aquele seu canto expressivo, sua poesia, seu versejar e a beleza que trazia aos temas negros de ser", afirmou ele. O pai de Preta Gil ainda completou: "Após isso, toda a questão histórica, a escravidão, as dificuldades raciais, o racismo e o preconceito, todas essas coisas ficaram evidentes para mim".

Bial e Gilberto Gil ainda falaram sobre a música "Pessoa Nefasta", do álbum "Raça Humana", de Gil. Isso porque aqueles que não gostam de Jair Bolsonaro estão relacionando a música com o governo do presidente. Gil então recordou que, na época em que foi composta, as pessoas identificaram a letra da música com o político Paulo Maluf. 

Sobre Bolsonaro, Gil falou que o presidente o inspira oração. "Que o ser pleno da compreensão o habite. Para seu próprio aperfeiçoamento e para o aperfeiçoamento das relações dele com o mundo", disse o cantor. 

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