Fórum da Alerj debate protocolos para retomada do setor cultural

O setor representa 4% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional

Enviado Direto da Redação

Foto: Divulgação

A recuperação do setor de cultura e entretenimento foi tema do primeiro encontro - de uma série de diálogos sobre os impactos da covid-19 e a retomada do crescimento econômico do estado - promovido pelo Fórum da Alerj de Desenvolvimento Estratégico do Estado. Durante a videoconferência, foram discutidas a possibilidade da volta das atividades culturais, resguardadas pelo protocolo de segurança sanitária criado pela Fundação de Artes do Estado do Rio de Janeiro (Funarj), e a adoção de medidas legislativas para proteger o setor. O debate contou com a participação do presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, deputado André Cerciliano (PT).


A Alerj aprovou, durante a pandemia, a Lei 8863/20, que autoriza o governo a utilizar até 30% dos recursos existentes no Fundo Estadual de Cultura para compra antecipada de ingressos de mecanismos culturais, minimizando o impacto do isolamento social no setor. A medida, de autoria de Ceciliano, visa a dar suporte aos profissionais da área cultural, produtores e técnicos, bem como ampliar o acesso à cultura no estado.


Segundo o presidente da Casa, a utilização de reservas financeiras é fundamental para ajudar a economia a se reerguer. "São recursos importantes que podem ser usados, principalmente neste momento de crise. E a Assembleia tem legislado para que a gente possa amenizar o sofrimento do setor", ressaltou Ceciliano.


Para a retomada das atividades culturais no estado, a Funarj criou um protocolo de segurança sanitária, que estabelece medidas a serem cumpridas tantos por profissionais da área, como também pelo público consumidor de performances artísticas. O presidente da Fundação, José Roberto Gifford, destacou que o protocolo serve para garantir ao público a certeza de segurança.


"Mais importante do que encher uma sala de espetáculo, por exemplo, é continuar a cultivar nas pessoas a vontade de ir ao teatro, e esse interesse se dará por meio da garantia de segurança. Se não for assim, vai demorar muito para que o público se sinta seguro em espaços fechados", destacou Gifford. O protocolo de segurança da Funarj pode ser acessado aqui.


Setor de entretenimento

De acordo com dados da Associação dos Promotores de Eventos do Setor de Entretenimento e Afins (Apresenta), hoje composta por 180 empresas, a indústria do entretenimento já demitiu 450 mil pessoas desde o início da pandemia. Para o presidente da Apresenta, Pedro Guimarães, apesar de a área cultural ter sido uma das primeiras a parar suas atividades, ela tem características próprias que são importantes para se reerguer, juntamente com o respaldo de políticas públicas.


"Quando a gente fala em retomada, estamos sinalizando para a necessidade de uma atenção do poder público no sentido de apoiar as iniciativas do setor, porque trabalhar com o futuro é usar as melhores ferramentas do presente", salientou o presidente da Apresenta.


Para o presidente da Comissão de Cultura da Alerj, deputado Eliomar Coelho (Psol), as atividades culturais no estado terão que ser ressignificadas no pós-pandemia. "Cultura significa instrumento de desenvolvimento econômico, social e político. Haverá, na retomada das atividades culturais, uma reconfiguração da cultura como bem simbólico. Aqui, na Alerj, estamos trabalhando para que a destinação de recursos à cultura tenha a mesma importância dada às áreas de educação e saúde", disse o parlamentar.


O presidente da Frente Parlamentar de Apoio à Economia Solidária, deputado Waldeck Carneiro (PT), completou destacando o papel da Alerj no mapeamento de atividades e de gestores culturais em todo o estado para o aprimoramento de políticas públicas. "A Assembleia está fazendo um esforço notável em relação à área da cultura. Além da adoção de leis de incentivo, estamos estabelecendo diálogos mais estreitos com os profissionais de cultura do estado. Percorremos várias regiões do estado e entramos em contato com produtores culturais tentando colher subsídios para aprimorar as políticas para o setor", destacou o deputado.


Para a secretária-geral do Fórum da Alerj, Geiza Rocha, o setor do entretenimento foi escolhido para ser o primeiro tema de debate da série 'Diálogos da Retomada' pela sua importância na economia do Estado do Rio. "É um setor que emprega muita gente e que tem uma extensa cadeia produtiva. Durante o encontro, os participantes destacaram, por exemplo, a interiorização dos eventos e o aperfeiçoamento de leis de incentivo que colaboram para o crescimento da área cultural, comentou.

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