Sem livrarias e feiras literárias, editoras da região se reinventam durante a crise

A venda de e-book e compra de livros por lojas virtuais têm 'salvado' o mercado editorial

Enviado Direto da Redação



Por Tatiane Gomes*


Apesar de muitas livrarias no Brasil já sofrerem com a famosa ‘crise literária’ nos últimos anos, a situação veio a piorar com a chegada da pandemia de coronavírus. Após o decreto do governo do estado do Rio sobre fechamento de todos os comércios não essenciais e cancelamento de eventos com aglomerações, muitas lojas de livros fecharam suas portas e feiras literárias foram canceladas. No entanto, o mercado editorial agora vem buscando se reinventar com a venda em massa de e-books e livros físicos através das lojas virtuais.



“Muitas editoras tiveram quedas nas edições de livros com investimento do próprio autor, a maioria deles prefere aguardar a normalização das coisas para editar e lançar suas obras. Da mesma forma, as editoras reduziram drasticamente a impressão de novas tiragens, o que afetou as gráficas, além do restante da cadeia do livro. Algumas editoras, sobretudo as pequenas, têm um grande percentual das suas vendas nas feiras literárias, mais do que nas livrarias. Essa receita está sendo completamente perdida em 2020. Com a pandemia, também se agravou a crise que atingia muitas livrarias e redes. O fechamento de dezenas de lojas vai acontecer nos próximos meses se não houver algum tipo de socorro especial ao setor”, explicou o escritor e editor da niteroiense Editora Itapuca, Celso Possas Junior.


Segundo Possas Junior, as editoras vêm apostando nas vendas online de livros físicos tanto por meio das grandes livrarias virtuais como Amazon e Submarino, quanto em suas próprias lojas digitais e se aproveitando do aumento das vendas de e-books e audiolivros. Além disso, o uso das redes sociais vem aumentando drasticamente nesse setor, com a promoção de lives, entrevistas e bate-papo com autores.



No fim do ano de 2018, o setor livreiro sofreu uma de suas maiores quedas no Brasil, com o fechamento de unidades da grande livraria Saraiva e Cultura, que eram responsáveis por cerca de 40% da venda de livros no país, e agora se encontram em processo de recuperação judicial. As empresas ficaram devendo mais de R$ 300 milhões, o que acarretou também uma demissão em massa. Já no ano passado, a área também não teve um crescimento muito diferente. A Associação Nacional dos Livros (ANL) divulgou que até abril de 2019, o melhor mês de vendas de livros foi janeiro, com 4.919 exemplares vendidos.



Um problema, uma solução


“Quem não tem se reinventado, não tem encontrado plataformas ou meio de vender seus produtos está num momento bem complicado. Agora, quem está buscando outras formas de se relacionar com seus clientes tem encontrado solução para esse problema”, esclareceu Vilson Ferreira, da Editora Proverbo, localizada em Maricá.



Segundo Ferreira, este é um momento ‘bem complicado’ para editoras, que antes tinham um relacionamento com seus clientes de maneira tradicional e interpessoal. “Tem muitas pessoas que continuam comprando nossos livros no site e a gente tem usado várias estratégias para entregá-los. A gente não sabe como vai ser no futuro, mas o que vem acontecendo hoje tem nos feito pensar em um novo modelo, que não pode ser mais exclusivamente concentrado em livrarias”, revelou Vilson, em entrevista a O SÃO GONÇALO.


Para quem ainda não conhece o trabalho das editoras da região, os sites para compra dos livros físicos e digitais são http://www.editoraitapuca.com.br/, de Niterói; e https://proverboeditora.com.br/,de Maricá. 


Estagiária sob supervisão de Cyntia Fonseca*

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