História de ex-kamikaze que viveu em Niterói vira tema de documentário

O japonês morava em Santa Rosa, onde dava aulas de karatê e judô

Enviado Direto da Redação

Por Rennan Rebello

Talvez se a expressão japonesa 'vento divino' for dita na rua possa passar despercebida ou gerar especulações sobre seu significado mas certamente poucos saberão que esta alcunha remonta aos kamikazes, ou seja, pilotos de avião japoneses que faziam ataques suicida a fim de aniquilar os inimigos. Em Niterói, um ex-kamikaze japonês que sobreviveu  Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Tokio Mao, viveu na cidade por um longo tempo e foi tema do documentário dirigido pela niteroiense Marina Pessanha, no final de 2018, no mesmo ano que o ex-militar do Império Japonês da Era Meiji faleceu, aos 94 anos, por causas naturais, em solo niteroiense do qual residia desde 1965 quando inaugurou o dojo Jinen-Kan Judo-Karate Clube para ensino de karatê, judô e ai mai (leque e espada), no bairro de Santa Rosa.



Na última quinta-feira (22), a cinebiografia 'Tokio Mao - O último Kamikaze' foi atração no Cine Arte UFF, em Icaraí, no cineclube 'Quase Catálogo' que exibe filmes dirigidos por mulheres. Na ocasião, a equipe de O SÃO GONÇALO conversou com a cineasta sobre a obra. "Eu descobri essa história através de um amigo que tinha sido um aluno dele. Eu fiquei impactada, porque é uma trajetória diferente pois um kamikaze que a princípio deveria morrer mas ele tinha sobrevivido a quatro quedas de avião e depois passou a ensinar aos jovens a serem kamikazes, porém, me apaixonei muito também por sua história como professor de karatê e judô, ele era amava este ofício, tanto que os alunos eram apaixonados por ele. Mas antes dele vir para Niterói, ele veio ao Brasil com sua esposa (em 1955), para trabalhar como engenheiro químico e morou em Santa Cruz (Zona Oeste do Rio) e chegou a dar aula de defesa pessoal para a polícia e para Associação de Cristãos e Moços, na Lapa", disse Marina que para convencer o ex-kamikaze e sua família tornou-se aluna do sensei Tokio Mao.



"Quando soube desta história entrei em contato com a família manifestando a minha vontade em produzir um documentário e depois inscrevi o projeto no edital da RioFilme (em 2014) e fui contemplada, porém, o sensei e seus familiares ficaram em dúvida se gostariam de proceder com as filmagens e para convencê-los, fui aluna de karatê durante dois anos e por isso, tive a chance de ter um contato com ele, sua família e com seus alunos que me ajudaram muito. Mesmo sabendo que várias pessoas tentaram fazer projetos como escrever um livro e ele sempre ter negado,  lembrei de uma frase do meu marido que me disse: 'o que japonês gosta é de persistência' e eu persisti e consegui convencê-lo, depois de dois anos", vibrou Marina que realizou esta produção com sua produtora, a Fírula FIlmes e teve apoio de uma entidade cultural local, a Academia Niteroiense de Letras.


Sonhando com 'Tóquio 2020'

Entre tantas ideias para a divulgação de Marina, também almeja uma exibição no país de seu biografado na sétima arte; e para isso começou a recorrer a contatos que podem ajudá-la a cumprir esta meta pessoal e profissional. "Meu sonho é exibir este filme no Japão e estamos tentando através do Consulado japonês no Rio, e da Fundação Japão em São Paulo para que o nosso trabalho seja exibido por lá, no ano que vem, já que a próxima Olimpíada será sediada Tóquio, e nesta edição, o karatê foi incorporado como esporte olímpico e isso vem de encontro com a nossa produção sobre o sensei Tokio Mao", revelou.


Em paralelo, a este 'plano nipônico', a realizadora de Niterói, também objetiva a exibição da película no circuito comercial no Brasil. "Já exibimos o nosso filme em festivais mas a nossa ideia agora é de colocá-lo em cartaz (nas salas de cinema) neste ano ou no próximo, vamos ver", finalizou.

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