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Morre Toni Morrison, primeira negra a receber o prêmio Nobel de Literatura

A escritora americana também ganhou o Pulitzer pelo romance "Amada"

relogio min de leitura | Redação 06 de agosto de 2019 - 16:26
A família informou que Morrison "morreu após uma breve doença"
A família informou que Morrison "morreu após uma breve doença" -

A escritora americana Toni Morrison, que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1993, morreu nesta segunda-feira (5), aos 88 anos. De acordo com sua editora, Alfred A. Knopf, a autora estava internada no Centro Médico Montefiore, em Nova York. Em comunicado divulgado nesta terça-feira (6), a família informou que Morrison "morreu após uma breve doença".

Comprometida com a luta contra a discriminação racial, ela foi a primeira afro-americana a receber o Nobel. A academia sueca que escolhe os ganhadores baseou sua decisão no fato de que "com sua arte narrativa impregnada de força visionária e poesia, ela oferece uma pintura viva de um aspecto essencial da realidade americana".

Chloe Anthony Wofford, seu nome de batismo, nasceu em 18 de fevereiro de 1931, em Ohio, nos Estados Unidos, em uma família humilde. Filha de um operário e uma dona de casa, ela mesma trabalhou como empregada doméstica na adolescência. Em seguida, formou-se em Filologia (estudo da linguagem em documentos antigos) Inglesa e trabalhou como editora em Nova York. Foi quando publicou seu primeiro romance e criou seu novo nome, recuperando o apelido que lhe davam na família e adotando o sobrenome de seu ex-marido: Toni Morrison.

A escritora teve sucesso de crítica e de público. Frequentou as listas de mais vendidos do jornal "The New York Times" e também teve várias obras indicadas pela apresentadora de TV Oprah Winfrey em seu clube do livro. Morrison, além do Prêmio Nobel, recebeu o Prêmio Nacional da Crítica pelo romance Song of Solomon (1977), o Pulitzer por Amada (1987) e tornou-se membro da Academia Americana de Artes e Letras e do National Arts Council.

Em “O olho mais azul”, seu romance de estreia publicado em 1970, Morrison conta a história de Pecola Breedlove, uma jovem negra que sonhava em ser loira de olhos azuis. “Se o parâmetro de beleza já foi ter a pele cor de marfim, com a qual sonhava Pecola, hoje é das bronzeadas que se gosta mais. Meus estudantes em Princeton, por exemplo, têm vergonha de muita brancura. Os códigos de pele mudaram, e o Brasil é o ideal nesse aspecto, como verifiquei aí, em 1990”, disse a escritora em entrevista, em 2003.

O filme Bem-Amada, lançado em 1998, foi baseado no livro Amada (1987), o mais célebre da romancista. No longa, Sethe (Oprah Winfrey), uma ex-escrava, vive com Denver (Kimberly Elise), sua filha adolescente. Sethe é surpreendida pela visita de Paul D. (Danny Glover), um velho amigo da época em que ambos eram escravos em "Doce Lar", uma plantação no Kentucky. Paul D. acaba se mudando para lá e logo vários mistérios são revelados, que começam com a chegada de Bem-Amada (Thandie Newton), uma jovem de origem desconhecida. Estrelado pela Oprah, o filme é ambientado durante a Guerra Civil Americana.

Morrison foi responsável não só por pautar um protagonismo negro na literatura como por revelar toda uma geração de escritores contemporâneos como Angela Davis e Gayl Jones. "Se há um livro que você quer ler, mas ainda não foi escrito, você deve ser a pessoa para escrevê-lo”, dizia.

Professora da Universidade de Princeton de 1989 até 2006, continuou escrevendo até o fim de sua vida e, em 2012, foi agraciada com a Medalha Presidencial da Liberdade pelo presidente Obama.

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