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'Uma Noite na Taverna' chega ao fim em São Gonçalo

relogio min de leitura | Redação 05 de dezembro de 2016 - 14:14
Idealizadores do projeto cultural ‘Uma Noite na Taverna’ decidem encerrar eventos na cidade
Idealizadores do projeto cultural ‘Uma Noite na Taverna’ decidem encerrar eventos na cidade -

Por Cyntia Fonseca

Prestes a completar 13 anos, o evento mensal de poesia “Uma Noite Na Taverna” chega ao fim, com última apresentação marcada para o próximo sábado, dia 10, no Bar Bossa e Jazz, no Mutuá, em São Gonçalo. O motivo? Cansaço com a falta de apoio. Quem conta é a própria dupla idealizadora do projeto, à mesa de um modesto bar no Barro Vermelho, durante uma entrevista a O SÃO GONÇALO, ao som de Noel Rosa e João Nogueira.

“Na verdade, a gente cansou. É muito tempo. Estamos mensalmente há 13 anos, tivemos apoio em alguns raros momentos, mas no geral o ‘Taverna’ sempre foi trabalhar ‘com caixa nas costas’. Quando a gente começou, não tinha nada parecido na cidade. Inventamos uma coisa que não existia e hoje o conceito de sarau já é popular. Mas chega uma hora que cansa ficar dando murro em ponta de faca em São Gonçalo”, explica o poeta e professor Rodrigo Santos, de 40 anos. Queda na produção e redução do público estão entre os motivos, mas Rodrigo acrescenta que a falta de apoio foi o que falou mais alto quando chegaram ao consenso de que precisavam parar.

“O próprio meio artístico da cidade é complicado. Não tivemos apoio do poder público, que nunca achou que cultura fosse algo importante. O empresariado também não chega junto. Passamos um bom período quando realizávamos no Sesc, mas de um evento que começou com público de 250 pessoas, passamos a ter 40, 50. Com o tempo, vamos desanimando”, comenta Rômulo Narducci, 41. Mas ao contrário do que possa parecer, não há mágoas, mas um sentimento de dever cumprido. Afinal, mais do que colocar São Gonçalo no cenário cultural fluminense - e nacional - com participações importantes em eventos, como a FLUPP, o SarALL, Circuito Carioca e Bienal Internacional do Livro, os componentes do “Taverna” inspiraram muita gente ao longo de todo esse tempo.

Gente que mal sabia o que era poesia e passou a admirá-la como arte. Gente que não tinha coragem de mostrar o que escrevia para ninguém e, tomando os poetas como referência, enfrentou microfone e plateia cheia. Gente que começou a escrever por causa do “Taverna” ou que decidiu cursar Literatura a partir do evento. “Sem falsa modéstia, a gente conseguiu criar uma coisa que não existia em São Gonçalo. A gente conseguiu tornar a poesia popular, que era exatamente o que queria. O povo gosta, mas você tem que mostrar. Conhecemos gente de outros estados, como Minas Gerais e Amazonas, que nos tomaram como inspiração para criar saraus nas cidades deles”, lembra.

O desfecho de mais de uma década de trabalho artístico na cidade não poderia ser mais emblemático. O último brinde de “Última Noite na Taverna” será em homenagem ao músico e poeta canadense Leonard Cohen, que faleceu há um mês. O evento vai acontecer às 19h, no Bar Bossa e Jazz que fica na Rua Coronel Artur Martins, 26, Mutuá.

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