Em nome do bom samba
Candongueiro completa 26 anos de existência com retomada de tradicionais ‘rodas’

Por Sérgio Soares
Imagine chegar aos 26 anos como uma referência nacional do samba. A ‘estrela’ em questão tem doze letras e desde a fundação oficial, já foi a ‘anfitriã’ de todos os grandes nomes do mais tradicional gênero brasileiro. Já imaginou quem seja? É o Candongueiro, que amanhã, a partir de 13h, retoma as ‘rodas’ no mesmo estilo que o consagrou: com música e gastronomia de qualidade. E para soprar as velinhas, além do público, estarão presentes artistas de renome que já se apresentaram na casa.
O Espaço Alternativo Livre Recreativo-Cultural Quilombo do Candongueiro ‘nasceu’ oficialmente no dia 23 de novembro de 1990 e sempre funcionou no mesmo local, no bucólico bairro do Rio do Ouro, em Niterói.
“No começo, fazíamos rodas de samba, regadas a cerveja e tira-gosto, para reuniões musicais entre amigos, mas à medida que os encontros iam ficando famosos e um número cada vez maior de pessoas comparecia, o espaço ficou pequeno. E a casa veio naturalmente, a partir desse movimento entre sambistas”, afirma o pandeirista Ilton Mendes, de 72 anos, que dirige o Candongueiro junto com a mulher Hilda Mendes, de mesma idade, e o filho, o clarinetista e percursionista Ivan Mendes, de 32.
Ivan cresceu ouvindo o bom samba e teve como influências uma legião de grandes nomes do gênero, que deram expressiva colaboração para que o espaço se tornasse um dos mais tradicionais do país, a ponto de receber clientes de outros estados e até do exterior. O espaço chegou a ficar fechado, entre 1993 1996 e foi reaberto a partir da mobilização dos sambistas, com show de Luiz Carlos da Vila. Além dele, a casa já recebeu toda a ‘constelação’ do mundo do samba, como Zé Kéti, Marisa Monte, Aldir Blanc, Beth Carvalho, Dudu Nobre, Guilherme de Brito, João Nogueira, Manacéia, Monarco, Nelson Sargento, Nei Lopes, Noca da Portela, Paulo Moura, Aniceto do Império, Toninho Geraes, Moacir Luz, Délcio Carvalho, Camunguelo, Helton Medeiros, Teresa Cristina, Zezé Motta, Aniceto do Império e as velhas guardas da Portela, da Mangueira e Império Serrano.