Festival Comida de Favela estreia nesta quinta (1º) com roteiro gastronômico por 16 estabelecimentos da Maré
Festival Comida de Favela estreia nesta quinta (1º) com roteiro gastronômico por 16 estabelecimentos da Maré 4ª edição celebra sabores, memórias e saberes da Maré do maior Conjunto de Favelas do Rio de Janeiro e lança campanha Maré sem Assédio

A gastronomia da Maré é um dos maiores motores econômicos do Conjunto de 15 Favelas da Maré, o 9º bairro mais populoso da cidade do Rio de Janeiro, na Zona Norte. A 4ª edição do Festival Comida de Favela, que estreia em outubro, representa muito bem o contexto histórico desse território: a forte influência nordestina, a memória da pesca na Baía de Guanabara e a força
produtiva de milhares de empreendimentos de alimentação que compõe o território (40% do comércio local (Censo Maré; Redes da Maré/2014). De 1 a 30 de outubro, os visitantes vão poder provar e votar nos pratos concorrentes do Festival nos 16 estabelecimentos participantes. Os estabelecimentos concorrem em duas categorias e os primeiros colocados recebem prêmios em dinheiro.
A iniciativa realizada pela Redes da Maré, com patrocínio do BNDES, é uma das quatro fi nalistas de Melhor Festival Culinário da América Latina de 2026 no World Culinary Awards, e o vencedor será conhecido no dia 14 de outubro. A indicação internacional reconhece uma experiência construída a partir da economia, da memória e dos conhecimentos produzidos dentro da favela.
“O Comida de Favela é uma celebração da cultura alimentar mareense. A gente quer dar visibilidade para esse ecossistema empreendedor, para os saberes das mulheres e para a ancestralidade nordestina que fazem parte da gastronomia da Maré”, afirma a coordenadora da Casa das Mulheres da Maré, projeto da Redes da Maré, e uma das idealizadoras do festival, Mariana Aleixo. Há 16 anos, a Redes da Maré vem transformando esses saberes em projetos de qualificação profissional, formação política, negócios sociais e geração de renda, benefi ciando mais de 1.500 mulheres.
Além da experiência gastronômica, o Festival Comida de Favela promove reflexões sobre o direito à livre circulação nos territórios e ao intercâmbio de experiências, celebrando a identidade, a memória e a cultura alimentar da favela.
“Selecionamos 16 empreendimentos locais que receberam uma curadoria do festival para desenvolver e fortalecer a rede de empreendimentos da Maré, e evidenciar suas histórias, tradições e sabores. O público vai experimentar um roteiro gastronômico com pratos cheios de memória e cultura alimentar da Maré e ressignificar o
território de favela como experiências de afeto, prazer, sucesso e inovação”, conta Mariana.
Os visitantes vão degustar os pratos do concurso e também votar nos preferidos, que serão premiados, três em cada categoria, com recursos para investimento, que variam entre R$ 3mil e 10 mil, separados nas categorias “Comida de Bar, Pensão e Restaurante” e “Comida de Rua e Quiosque”. Os pratos desta edição variam de R$ 15,00 a R$ 55,90 e são receitas como Bolinho de Aipim, Coxinha de Frango, Croquete de Costela, Quiabada Cearense, Feijoada de Frutos do Mar, Galo Mareense, cozido com feijão verde, Carne de Sol, Brownie, Rabada Cremoso, Hambúrguer, Angú, Pizza, Carne seca, Pão de alho.

Veja aqui os estabelecimentos, pratos e endereço dos participantes do Festival
Este ano, o Festival inova com o lançamento da Campanha Maré sem Assédio, que vai promover informação e formação sobre o tema nos espaços durante todo evento. Com o slogan “Respeito também é receita na Maré”, o Festival quer contribuir para que os estabelecimentos participantes sejam espaços mais preparados para prevenir situações de assédio, acolher mulheres que necessitem de apoio e oferecer informações seguras sobre como lidar com tais situações. “Sabemos que a responsabilidade é coletiva, tanto de quem frequenta, quanto de quem trabalha e administra esses espaços”, reforça Mariana. Os concorrentes e suas equipes receberam formação do Festival sobre o tema e contarão com todo um material de apoio para circular informações sobre a campanha.
Suco Lilás
Uma das principais iniciativas é o suco Lilás. Caso uma mulher se sinta ameaçada, constrangida ou em risco, ela poderá pedir um Suco Lilás. As equipes dos estabelecimentos do Circuito Seguro para Mulheres na Maré estarão treinadas para identificar a situação de risco e ajudar a mulher a sair da situação com segurança.
Caravanas
O festival também organiza caravanas para acolher pessoas de diferentes espaços da cidade que, além da experiência gastronômica, podem acessar o estímulo a reflexões
sobre o direito à livre circulação nos territórios, ao intercâmbio de experiências, e a possibilidade de evidenciar os tantos fazeres positivos que existem na favela. As caravanas acontecem a pé e também de van. Ambos os percursos têm a liderança de um morador da Maré que apresenta o território e o Festival e passa por cerca de cinco estabelecimentos que estão no circuito do festival. Os roteiros acontecem sempre aos sábados e domingos, com pontos de encontro pré-definidos. Para reservas e adesão à caravana, basta mandar um zap para (21) 99079-7966.
A abertura oficial do Festival acontece nesta quinta, 01/10 com uma série de atividades: Coletiva de imprensa (15h), seguida de apresentação dos participantes e pratos (16h), Aula-show com a chef carioca Jéssica Trindade (17h) e show com Brunna Oliveira (18h). Tudo isso na Casa das Mulheres da Maré, que fi ca na Rua da Paz, 42, no Parque União, na Maré.
Jéssica Trindade é chef carioca, com 21 anos de trajetória na gastronomia, sendo 20 deles ao lado do chef Claude Troisgros. É a única mulher à frente de um restaurante estrelado pelo Guia Michelin no Rio de Janeiro. À frente de cozinhas como Chez Claude, Cantina do Claude e Madame Olympe, construiu uma carreira marcada pela técnica, criatividade e valorização dos ingredientes brasileiros. Sua cozinha une referências, território e identidade, com um olhar atento à sazonalidade, aos pequenos produtores e à valorização das pessoas que fazem a gastronomia acontecer.
Brunna Oliveira - Cantora, compositora e multi-instrumentista, Brunna Oliveira é a voz potente e marcante que vem conquistando o coração do público e o respeito da cena musical brasileira. Nascida no Rio de Janeiro e criada em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, ela é uma das apostas mais promissoras da nova geração da música nacional — especialmente no pagode e no samba.

Votação e premiação
A votação é composta metade por júri popular e a outra parte por meio da avaliação de 16 jurados - entre chefes de cozinha, jornalistas, infl uenciadores, professores, cozinheiros, moradores da Maré e de outras favelas do Rio de Janeiro. Haverá prêmios em dinheiro para os três escolhidos em cada categoria, que serão conhecidos em uma festa, no Parque União.
Ao longo do ano, os estabelecimentos comerciais puderam se inscrever para participar da seleção do evento. Um comitê curador escolheu 16 locais, entre bares e restaurantes, que receberam ainda uma consultoria profissional personalizada para se aperfeiçoar e adentrar o festival com novas técnicas e ferramentas para o negócio. Os critérios da seleção foram baseados em tradição e identidade do estabelecimento na Maré; localização; diversidade do prato; qualidade da comida e disponibilidade do empreendimento e do empreendedor em participar do processo.

Serviço do evento:
Evento de abertura oficial do Festival: quinta-feira, 01/10
15h: Coletiva de imprensa
16h: Apresentação dos participantes e pratos
17h: Aula-show com a Jéssica Trindade, com a Macaxeira da Jéssica - aipim empanado, demi-glace de pé de galinha e aioli de coalho.
18h: Show de pagode e samba com Brunna Oliveira
Local: Casa das Mulheres da Maré. Rua da Paz, 42, no Parque União, na Maré.