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Momento nostalgia: Três gerações contam a história de evolução da rádio; saiba mais!

De 1922 até 2026, o que mudou na rádio e o que há de especial nesse veículo de comunicação?

relogio min de leitura | Escrito por Enzo Britto com edição de Cyntia Fonseca | 27 de janeiro de 2026 - 18:00
Edgar Roquette Pinto foi um precursor na rádio brasileira
Edgar Roquette Pinto foi um precursor na rádio brasileira -

Os meios de comunicação estão em constante evolução, desde o momento em que foram criados: a imprensa, o rádio, a televisão, as mídias sociais, podcasts. A adaptabilidade da linguagem e dos formatos foram essenciais para cativar todo tipo de público ao longo das gerações e levar diferentes tipos de conteúdo para informar e entreter a população.

No Brasil, a rádio teve diversas versões. Foi inventada no país em 1899, pelo Padre Roberto Landell de Moura, que abriu a primeira transmissão no país dizendo “Toquem o Hino Nacional!”. A primeira transmissão oficial aconteceu 23 anos depois, no dia 7 de setembro de 1922, quando o presidente da época, Epitácio Pessoa, abriu uma transmissão de rádio no Rio de Janeiro, a capital na época, para ouvintes de Niterói, Petrópolis e São Paulo. As barreiras da tradição oral foram quebradas, e histórias que dependiam da presença no local para ouvir se tornaram possíveis através do aparelho, se tornando um fenômeno nacional.

O conteúdo da rádio também foi mudando com o tempo. A primeira transmissão, em 1922, foi uma celebração ao centenário da independência do Brasil. No ano seguinte, passaram a ser formadas estações de rádio, como a tradicional Roquette Pinto, com conteúdos predominantemente educativos, com o papel de democratizar a educação.

No mesmo ano, o radiojornalismo começou oficialmente, na Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, criada por Roquette-Pinto, lendo notícias oriundas do jornalismo impresso, aumentando a acessibilidade das notícias à população.

Imagem ilustrativa da imagem Momento nostalgia: Três gerações contam a história de evolução da rádio; saiba mais!

Em pesquisa realizada em 2024 pelo jornal Valor Econômico, por meio de dados da pesquisa Credibilidade das Mídias, feita pela agência Ponto Map com parceria V-Tracker, a credibilidade da rádio é a maior entre os veículos de comunicação de confiança, com 81% de credibilidade, e 47% de frequência de acesso, sendo o 10° mais utilizado no país. O rádio no topo da lista da credibilidade está a frente de veículos como televisão, mídia impressa, mídias sociais, entre outros. 

A partir da década de 30, o rádio inicia sua época de ouro, com seu auge principalmente nas décadas de 40 e 50. As transmissões esportivas, musicais e as radionovelas entraram no imaginário popular se tornando um meio de comunicação popular, acessível e com uma programação diversa, encantando o povo brasileiro.

Edgar Roquette Pinto foi um precursor na rádio brasileira
Edgar Roquette Pinto foi um precursor na rádio brasileira |  Foto: Reprodução/Revista Com Ciência (SBPC)

Após o advento da televisão, e as constantes censuras da ditadura militar brasileira, o rádio foi se tornando obsoleto com os avanços tecnológicos, apesar de ser o meio favorito da população. Porém, na década de 90, surge um novo respiro para a rádio no país, com a popularização da internet no Brasil, tendo todo um ambiente novo para ser explorado.

E assim a rádio sobrevive até hoje, usando do ambiente digital a seu favor, explorando a variabilidade de formatos, dentre podcasts e webrádios, para continuar seu crescimento.

O radialista Alexandre Chalita, 58, trabalha na área há 30 anos e conta que suas primeiras memórias com a rádio datam da infância, na década de 70. A primeira em particular, é ouvindo na casa de sua avó o programa “Turma da Maré Mansa”, programa humorístico que já teve participação de diversos humoristas marcantes da história, como Chico Anysio, Os Trapalhões e Jô Soares.

"A linguagem sempre evolui, mas o rádio precisou se adaptar ao digital, às novas tecnologias, equipamentos e ao público, que está em constante mudança.”
"A linguagem sempre evolui, mas o rádio precisou se adaptar ao digital, às novas tecnologias, equipamentos e ao público, que está em constante mudança.” |  Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Para Chalita, a memória mais marcante trabalhando em rádio, vem junto à sua primeira experiência profissional na área:

"Eu era candidato a uma vaga de repórter esportivo de campo. Fui apenas para observar, sem nunca ter feito nada em rádio. Chegando ao estádio das Laranjeiras, em 1996, conheci meu mestre José Martins, diretor da antiga Rádio Rio FM, hoje Rádio Mania. Ele me entregou o microfone e disse para entrar em campo, foi tenso. Não tive preparo ou treinamento, e foi um desastre, mas depois do terceiro jogo comecei a evoluir, criar meu estilo e a coisa fluiu".

Para ele, a principal diferença da rádio para a webradio é o formato “ Antes, o rádio estava à frente da TV, hoje, a internet lidera. A linguagem mudou, assim como os hábitos e o consumo de informação, tudo está em constante transformação, mas a principal diferença é o formato. A linguagem sempre evolui, mas o rádio precisou se adaptar ao digital, às novas tecnologias, equipamentos e ao público, que está em constante mudança.” afirma.

“Quando eu cheguei lá, foi um momento mágico para mim, porque eu sempre quis trabalhar com mídia no geral"
“Quando eu cheguei lá, foi um momento mágico para mim, porque eu sempre quis trabalhar com mídia no geral" |  Foto: Arquivo Pessoal

O estudante de jornalismo, Gabriel Pugliese, 20, é de uma geração mais próxima à internet e aos conteúdos digitais. Ele conta que suas primeiras memórias relacionadas à rádio estão nas idas ao Maracanã com o pai, na infância: “A primeira memória que eu tenho com o rádio, era bem pequeno ainda. Eu frequentava o Maracanã e chegava a maioria das vezes atrasado por causa da saída do meu pai no trabalho. No caminho do estádio, a gente já ficava ouvindo o jogo pelo rádio”.

O estudante já teve a oportunidade de trabalhar em uma estação de rádio, e conta que sua lembrança mais forte foi o primeiro momento que entrou em uma cabine:

"Quando eu cheguei lá, foi um momento mágico para mim, porque eu sempre quis trabalhar com mídia no geral, e também foi um momento que eu fiquei muito assustado. Minha primeira reação foi olhar aquela mesa enorme, com um monte de microfone, com um monte de botões, que na época eu não entendia nada para que funcionava. Mas assim, logo eu fiquei calmo, me senti em casa, me adaptei".

Gabriel conta que também escuta o modelo digital dos podcasts, mas não abandona a rádio tradicional: “Quando se trata de podcasts eu procuro muito algo pela minha área, mas eu também ouço diariamente rádio. Eu diria que,  para mim, escutar rádio é essencial para se manter informado de tudo, de tanto que você gosta, de quanto que você quer no seu dia a dia.”

José Raposo
José Raposo |  Foto: Divulgação

José Raposo, aposentado, com 80 anos, viveu a era de ouro e não abandonou a rádio até hoje. Ele conta que suas primeiras memórias foram ao descobrir o aparelho, a rádio de galena, que funcionava sem pilhas ou tomada, mas sim captando energia das ondas eletromagnéticas por meio de uma antena:

“Um troço daquele sem energia me fascinava, então procurei me aventurar, ver como que era. Me disseram que tinha que usar uma pedra de cristal; depois descobri que se eu queimasse um pedaço de chumbo, um pouquinho de enxofre misturado, e aí deixasse esfriar, ele virava a pedra, e aí com a antena eu conseguia pegar a estação de rádio. E foi aí que começou. Comecei a ouvir algumas músicas, porque o rádio o meu pai só deixava ligar de noite, quando ele ouvia notícia. Havia uma novela que a minha mãe ouvia, e era essa a jornada”, disse.

As memórias mais marcantes para Raposo foram no começo da década de 60, com a onda do rock americano, passando por Elvis Presley, Little Richard, Pat Boone, Nat King Cole. Além da Jovem Guarda de Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa.

“A época mais marcante da rádio foi na época em que eu tinha 14 anos, mais ou menos, e que a onda era o rock. Então tudo que era rock americano vinha para cá,  era maravilhoso, gostava de tudo aquilo. E aqui tinha um cantor, que era o Carlos Gonzaga, que fazia as traduções, como aquela ‘Oh Carol’, que era a música do Neil Sedaka. Então essa sequência de música era o que realmente eu gostava, ouvia tudo.”

Ouvinte de rádio há cerca de 70 anos, ele conta que as principais diferenças que ele percebeu na rádio foram nos gêneros musicais. "Eu fui preso pela minha época de juventude por ouvir essas músicas americanas, que eram muito bonitas e tomavam conta do mundo inteiro. Mas com o passar do tempo, você acaba se acostumando a somente ouvir a música, não definir se ela é melhor ou é pior. Você vai se acostumando de tal forma que você não sente a passagem de uma época para outra”, completa.

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