Às vésperas do Dia dos Namorados, motéis notam novas tendências na forma de amar
Funcionários de motéis e especialista comentam maneiras de desfrutar de novas experiências 'na hora H' sem neuras

A dois, a três ou a quatro; de forma romântica, sexy ou agressiva; independente da forma de amar, os motéis estão preparados para receber todos os públicos no Dia dos Namorados? E a resposta é sim. Pelo menos em São Gonçalo e Niterói você encontra unidades com quartos temáticos, preços variados e espaços prontos para receber mais, muito mais, que duas pessoas no 'ninho' de amor.
Tradicionalmente a comemoração do dia dos namorados sempre foi conduzida para algo a ser feito por um casal, seja ele hétero ou homossexual. Aí, com o avançar dos anos, comemorações a três, a quatro ou mais têm se tornado comum e conquistado cada vez mais adeptos, mudando o padrão de motel com uma cama, uma banheira e um espelho.

A cama única e central ganha uma ou duas companheiras. Sai a banheira e entra uma piscina. O banheiro ganha duas duchas. A sauna triplica de tamanho e acessórios espalhados pelo apartamento mostram que diversas pessoas podem sentir prazer ao mesmo tempo.
Em um dos motéis mais conhecidos de Niterói, o Letom, os padrões já mudaram e muitos quartos ganharam mais de uma cama, por exemplo. Em alguns dos apartamentos você encontra três camas, uma delas cercada por grades, dando uma ideia de gaiola.

"É rotineiro grupos ou trios virem aqui. Temos quartos prontos para receber até vinte pessoas, por exemplo. E o perfil, que antes era de amigos que faziam festas, mudou muito. Hoje recebemos casais de meia idade, mais velhos, grupos que fazem trocas, não existe um padrão para quem tem esse interesse", comentou o proprietário do motel.
A psicóloga e sexóloga Pâmela Clarissa relembra que essa curiosidade acontece com práticas que não são novas, apenas chegaram agora à novos públicos. "A troca de casais e menáge sempre existiram, mas antes eram mais isolados por serem envoltos de tanto tabu. E as mulheres casadas, e que tinham filhos, jamais iriam aceitar essa prática. Hoje, as pessoas estão mais desconstruídas e existem várias formas possíveis aceitáveis de amor e sexo", ela reforça.
Para que a nova aventura seja benéfica, porém, é importante que o relacionamento esteja bem firme em termos de confiança e maturidade, como detalha a sexóloga clínica Barbara Ahlert.
"Há uma diferença entre vínculo amoroso e vínculo sexual. A sexualidade compartilhada do casal só é possível se o casal tiver uma boa relação conjugal, com confiança, diálogo e afinidades. Há uma tendência a aumentar a comunicação sexual, aprofundamento nos desejos e isso pode se dar num ambiente seguro como num motel. A sexualidade é aprendida, por isso, estar com mais parceiros aumenta o repertório sexual do casal", explica Barbara

Esse interesse por outras formas de se relacionar também vem rompendo a barreira do pudor e despertando outras curiosidades, fazendo, por exemplo, com que as suítes fetichistas da unidade estejam na lista das mais procuradas. E se engana quem pensa que as guilhotinas, amarras, algemas, cruzes suspensas e outros acessórios sejam procurados somente por pessoas adeptas ao sexo "violento" ou submisso.
Esses quartos, segundo funcionários dos motéis, também são muito procurados por casais considerados "padrão", que buscam o local apenas para matar a curiosidade ou testar algo novo.
Padrão ou ousado, adeptos dos fetiches ou apaixonados por sexo "baunilha", seja qual for sua predileção, sempre existe um motel pronto para te agradar.
Mas os funcionários de motéis deixam uma dica valiosa: "Os motéis estão prontos para receberem os clientes 24 horas por dia, todos os dias da semana. Nesse mês de junho, comecem a comemorar antes do dia 12, sigam até depois dele. A noite do dia dos namorados faz com que todos os motéis tenham fila e, muitas vezes, a pessoa acaba pagando por um quarto que não lhe agrada por não poder escolher. Então, abusem do romance o mês inteiro e usem o poder de escolha de vocês para conhecerem novas formas de prazer", orientou Fabiana Costa, de 56 anos, recepcionista de um motel em São Gonçalo há mais de 16 anos.
