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Minidocumentário 'Educando por uma vida' estreia amanhã (19) no Youtube

A produção audiovisual conta a história de professora de São Gonçalo que alfabetizou uma comunidade inteira sem nenhum apoio financeiro

relogio min de leitura | Bruna Aragão* 18 de outubro de 2022 - 11:17
“Educando por uma vida” conta trajetória e dificuldades enfrentadas por educadora que dedica a vida ao ensino de moradores da região com acesso restrito à educação há mais de 30 anos
“Educando por uma vida” conta trajetória e dificuldades enfrentadas por educadora que dedica a vida ao ensino de moradores da região com acesso restrito à educação há mais de 30 anos -

Promovido pelo Instituto Claro e produzido graças ao projeto “Diálogos Transformadores”, o  minidocumentário “Educando por uma vida”,  estreará nesta quarta-feira (19), às 19h, e será transmitido pelo canal do instituto no Youtube. A produção audiovisual conta a história de uma escola social fundada por uma educadora no bairro de Monte Formoso, comunidade que fica na zona rural de São Gonçalo, Rio de Janeiro.

Ghabriella Costermani Machado, de 22 anos, é jornalista recém formada pela UFF e criadora do minidocumentário. Moradora de São Gonçalo, ela já retratou o município anteriormente em documentário sobre profissionais autônomos do bairro do Gradim, o “Gradim Autonomia”, para Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).  

Amante do audiovisual e ganhadora do Prêmio Expocom ainda na graduação, Ghabriella teve sua reportagem considerada a melhor da região Sudeste e uma das melhores do Brasil, em 2020. Não por menos, foi uma das selecionadas para projeto de produção audiovisual da Claro neste ano.

O “Diálogo Transformadores” é um projeto do Instituto Claro – da operadora de celular Claro – que visa unir jovens para debater sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, além de promover capacitação audiovisual mobile. Dividido em 4 fases, a primeira seleciona 40 pessoas por meio de edital para participação de Laboratórios. Para a segunda fase, 10 são selecionados e terão que produzir e apresentar seus conteúdos audiovisuais na terceira e quarta fase, respectivamente.

Com base no objetivo 8 (ODS) da ONU – Emprego Digno e Crescimento Econômico –, a ideia de Ghabriella veio de uma vontade antiga da jornalista: contar a história de uma professora da comunidade de Monte Formoso, zona rural de São Gonçalo, que possuía uma escolinha social, onde alfabetizava todos da comunidade com acesso restrito à educação básica.

O minidocumentário

Protagonista da história, Janaína Angélica dedica sua vida a lutar contra a carência de educação. Sua escola social ensina português, matemática e teatro, além de crochê e artesanato para idosos
Protagonista da história, Janaína Angélica dedica sua vida a lutar contra a carência de educação. Sua escola social ensina português, matemática e teatro, além de crochê e artesanato para idosos |  Foto: Reprodução
 

A personagem central de “Educando por uma Vida” é Janaína Angélica, de 50 anos, moradora de periferia que saiu de casa em 1987, se formou como professora e, quando voltou para a comunidade de Monte Formoso, fundou a escola “Estrela do Amanhã”, em 1992.

A trama do minidocumentário conta a trajetória nada fácil da professora. Sem suporte do governo ou qualquer outra instituição, a pedagoga ensina português, matemática e teatro para crianças e demais moradores da vizinhança com difícil acesso ao ensino. A escola conta também com aulas de crochê e artesanato para idosos, além de prestar assistência social.

Com apenas dois pequenos cômodos, um banheiro e um depósito, a casa que se encontra no alto do morro se tornou “a escola da comunidade”. Em entrevista com Ghabriella, a jornalista relata que "desde netos a avós", a maior parte dos moradores da região se alfabetizaram graças a Janaína, que atuou como “educadora por amor” por mais de 30 anos. “Têm fotos dela mostrando a primeira turma lá no início da escola, pessoas que hoje em dia são cabeleireiras, tem profissões bacanas, tudo porque ela educou”, relatou Ghabriella, criadora do minidocumentário.

Escola “Estrela do Amanhã”, fundada em 1992, no alto do morro de Monte Formoso, São Gonçalo/Rio de Janeiro
Escola “Estrela do Amanhã”, fundada em 1992, no alto do morro de Monte Formoso, São Gonçalo/Rio de Janeiro |  Foto: Reprodução
 

“Fui até a escola. Todo o documentário se passou na escola. Então mostrei a infraestrutura do local que não era a melhor; tinha janela quebrada, parede quebrada, teto e afiação exposta. Era uma casa bem simples, de 2 ou 3 cômodos, mas que ela faz ali a escolinha dela, e foi ali que ela alfabetizou a comunidade inteira”, contou.

Além da educação, a professora proporciona alimentos para os que frequentam suas aulas, mas a falta de recursos é o maior obstáculo. A última refeição diária de alguns estudantes é garantida através do dinheiro de doações.

Ghabriella relata que Janaína chegou a chorar quando contou da dor que sentia ao ver as crianças passando fome: “(...) no ápice do documentário, ela conta que já chegou a tirar a comida da própria casa, da própria marmita para dar às crianças. Ela chora contando isso, que ela não aguentava ver as crianças passando fome, então mesmo ela também não tendo, ela tirava do dela para dar de comer para essas crianças”.

Cena do minidocumentário mostra primeira turma formada na escola “Estrela do Amanhã”
Cena do minidocumentário mostra primeira turma formada na escola “Estrela do Amanhã” |  Foto: Reprodução
 

A proposta de Ghabriella é, portanto, mostrar a professora como um agente transformador: “(...) aquele que ao invés do Estado, é quem proporciona educação de qualidade à sua comunidade”, complementou ela.

A jornalista pretende ainda montar uma vaquinha, a fim de arrecadar fundos para que Janaína reforme a escola. Ghabriella planeja criá-la após o lançamento do documentário: “Ela merece muito um presente como esse, depois de tanto ter ajudado, ela merece ser ajudada."

Ghabriella, criadora e produtora do minicocumentário, junto de seu namorado, Róbson, que ajudou na cinegrafia, e Janaína, após término das filmagens
Ghabriella, criadora e produtora do minicocumentário, junto de seu namorado, Róbson, que ajudou na cinegrafia, e Janaína, após término das filmagens |  Foto: Arquivo Pessoal
 

A transmissão que ocorrerá às 19h de amanhã, quarta-feira (19), pode ser acessada pelo link do canal do Instituto Claro, no Youtube: https://www.youtube.com/c/Instituto_Claro. Além disso, o minidocumentário “Educando por uma Vida” estará disponível também nos canais da Claro e no Now. 

Chave Pix de Janaína para doações: (21) 975987979.

*Sob supervisão de Cyntia Fonseca

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