Após estreia no cinema, niteroiense Tati Villela é indicada à premiação como melhor atriz
Ela é protagonista do filme “Mundo Novo”, de Álvaro Campos

“Para mim, ainda é tudo muito novo. Esse é o meu primeiro longa e já estreio como protagonista, concorrendo ao Troféu Redentor de melhor atriz”, celebra Tati Villela após dar vida à advogada Conceição, no filme “Mundo Novo”, de Álvaro Campos, o qual protagoniza. Lapidado durante a pandemia da Covid-19 nos bairros do Vidigal e do Leblon, o longa-metragem narra as complexidades da relação entre o casal inter-racial Cons e Presto.
Tendo na bagagem uma carreira consolidada no teatro, a niteroiense, de 35 anos, por meio desse reconhecimento colhe os frutos de sua entrega a essa personagem. “Ter um filme exibido no Festival do Rio, um dos festivais de cinema mais importantes e visados do Brasil, me deixa muito feliz pois é saber que o meu trabalho está chegando em outros lugares e alcançando diferentes pessoas”, ressaltou.
Com uma economia reservada, Cons, como é carinhosamente conhecida, é uma advogada com uma carreira promissora, já Presto, mais jovem que ela, é um artista cheio de sonhos. Durante o período de isolamento social, eles se aproximam mais intimamente, e Presto decide morar com Cons em sua casa localizada no Leblon.
“A minha personagem é a Conceição, uma mulher que tenta enxergar no Presto, o homem para dividir a vida, para casar, morar no mesmo lar e constituir uma família”, conta a atriz.
De acordo com Tati, apesar de seu relacionamento, ela se sente insegura em relação ao seu amor por ele e se realmente o ama completamente. “Eles estão juntos, mas ao mesmo tempo separados. Cons sabe que é bem sucedida e que em pouco tempo, com a estabilidade de sua vida profissional, poderia comprar o mesmo apartamento que é do seu sogro milionário, sem precisar do seu cunhado como fiador do seu apartamento no Leblon como deseja Presto”, disse.
Rompendo barreiras numa sociedade que marginaliza a imagem da mulher negra, a vida de Tati se confunde com a de sua personagem no que tange a força negra feminina em meio ao racismo estrutural. “É importante representarmos mulheres negras bem sucedidas no audiovisual. Precisamos nos acostumar com essa realidade. O mercado está cheio de atores negros ávidos para trabalhar e querendo oportunidades para poder representar personagens múltiplos, contribuindo para a formação de novos imaginários, novas narrativas, trazendo para o centro da cena outras perspectivas e subjetividades”, pontua.
E completou dizendo: “É uma grande honra estar na competitiva ao lado de outras atrizes e fazedores de arte que eu tanto admiro como Lázaro Ramos, Taís Araújo, Ailton Graça, Joelzito Araújo, entre outros. Estou muito feliz em mostrar o meu trabalho nesse festival e comemorar a volta presencial aos cinemas”.