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Escritor gonçalense publica seu primeiro livro de poesias com a temática 'liminaridade do humano'

A obra conta com escritos inéditos que prometem trazer ao publico uma outra visão sobre o mundo da poesia

relogio min de leitura | Redação 05 de outubro de 2021 - 17:13
Imagem ilustrativa da imagem Escritor gonçalense publica seu primeiro livro de poesias com a temática 'liminaridade do humano'

O poeta gonçalense Fábio Pessanha, lançou recentemente seu segundo livro, “A Forma fugaz das mãos”. A obra publicada pela Editora Patuá, traz à luz a forma do escritor de compreender seu lugar de existência através de discussões intimistas e observacionais acerca do ‘sentido de realidade e dos modos de agir criativos’, que se materializam em um corpo textual composto de 64 poemas, divididos em quatro partes interligadas.

Pessanha conta que os poemas foram escolhidos por uma questão poética-filosófica que se pauta sobre os limites e contradições da existência humana, o lugar indefinido que o sujeito ocupar ao tomar ciência da realidade que o interpela e ser assim atravessado por uma série de questões e conflitos. Tal fato, pode ser percebido no título da obra que reflete a tensão causada pelo o que ‘tentamos agarrar e simultaneamente nos foge’, ou seja, o paradoxo da existência humana.

“A maneira como a movimentação do real me afeta foi um dos estímulos que tive para escrever o livro, perpassando por discussões mais intimistas ou observacionais. Pensei numa questão poético-filosófica para reger a escolha dos poemas, a fim de criar uma corporeidade poemática. Tive o tema da liminaridade do humano como ideia norteadora do livro, ou seja, o modo tensional que nos habita ao percebermos a realidade nos atravessando e nos compondo. O título aponta para essa metáfora da fugacidade, do que tentamos agarrar e simultaneamente nos foge, criando nisso um tipo de materialidade pensativa.”, explicou o poeta.

O escritor revelou ainda que os textos são inéditos e sua seleção foi baseada no diálogo com os colegas de profissão, Diego Rebouças, Hirondina Joshua, de Moçambique, e Roberta Tostes Daniel, aos quais fez questão de expressar toda sua gratidão.

“Foi um processo regido pela escuta. Contei com a leitura do meu amigo, o poeta Diego Rebouças, que também assina a orelha do livro. Discutimos bastante a construção deste meu trabalho e acolhi todas as recomendações dadas quanto à supressão de alguns poemas ou mesmo alteração de outros. E, para completar o âmbito dialogal, ainda convidei as poetas Hirondina Joshua, de Moçambique, e Roberta Tostes Daniel, do Rio de Janeiro, para escreverem os textos de apresentação e posfácio, respectivamente. Não tenho palavras para mensurar o quanto as escritas dessas poetas dimensionaram meu trabalho. Foi um presente e tanto a leitura delas.”, esclareceu ele.

Pessanha também falou sobre as dificuldades enfrentadas por ele durante a pandemia e como encontrou refúgio no processo de produção de seu livro.

“Inicialmente, A forma fugaz das mãos seria publicado em 2019. Mas em 2020 aconteceu a pandemia do coronavírus, então achei melhor suspender tudo, já que me senti bastante emparedado, literalmente. Não foi fácil! Como muitos, tive crises de ansiedade, segui o mais à risca possível os protocolos de biossegurança e me isolei quase completamente do mundo por alguns meses. Daí, para não surtar, concentrei-me na produção do livro. De certa forma, isso foi até bom porque me deu tempo de fazer alguns módulos da oficina de poesia com o Carlito Azevedo, que foi muito importante para eu repensar o que seria meu livro. Em dezembro de 2020 enviei o original de A forma fugaz das mãos para a editora Patuá e começamos o processo de produção do livro. Em maio de 2021, recebi um e-mail do Eduardo Lacerda, editor da Patuá, com a ótima notícia de que o livro estava pronto e entraria em pré-venda.”, revelou.

Doutor em Teoria Literária e mestre em Poética, ambos pela UFRJ, Pessanha publicou ensaios em livros e periódicos sobre sua pesquisa a respeito do sentido poético das palavras, partindo principalmente das obras de Manoel de Barros, Paulo Leminski e Virgílio de Lemos, ministrou cursos, rodas de leitura e oficinas de poesia em diversos lugares, tais como a Faculdade de Letras da UFRJ, a Biblioteca Parque de Niterói, a COART / UERJ e o Atelier Casa 4 de Arte e Filosofia, e pretende fazer de seu livro um convite aberto a todos aqueles que desejam adentrar o mundo da poesia.

“Acredito que a poesia seja para todas as pessoas. Vivemos o poético diariamente, e nem sempre percebemos isso; principalmente se a poesia ficar atrelada ao contexto intelectual, voltada restritamente à ideia de gênero literário. Pensamos poesia e escrevemos poemas, mesmo quando não o sabemos. Poesia habita o domínio verbal da realidade, portanto, está em tudo que fazemos. Se nos detivermos mais amplamente à sua originariedade, seja no aspecto oral ou escrito, conseguiremos uma percepção maior a respeito do lugar do poético em nós, das palavras em nós. Conforme diz um verso de Manoel de Barros: “Posso dar alegria ao esgoto (palavra aceita tudo)”. Com isso quero dizer que meu livro é um convite a qualquer pessoa, mesmo para aquelas que não são leitoras de poesia; ou são, ainda que não saibam.”, sustentou o poeta.

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