Dia de São Patrício: saiba como os cervejeiros gonçalenses vão comemorar a data no município
O Dia de São Patrício é comemorado no mundo inteiro

No dia 17 de março é celebrado o Dia de São Patrício. A festa, que inclui muita cerveja e a cor verde como símbolo, é celebrada em diversos países como Estados Unidos, Irlanda, Canadá, Austrália e outros que tiveram colonização inglesa ou irlandesa. Mas, engana-se quem acredita que em São Gonçalo não há nenhuma celebração do tipo. O santo ficou tão popular no mundo que diversos bares e pubs da região de São Gonçalo vão celebrar esta data especial. Confira algumas dicas para a celebração de hoje!
São Patrício nasceu na Grã-Bretanha. Ele era pagão até os 16 anos, quando foi sequestrado e usado como escravo na Irlanda. Depois disso, ele fugiu e se tornou pastor. Ele, então, passou a tentar levar a palavra do cristianismo no país em que tanto sofreu. Hoje, o Dia de São Patrício pode ser visto como um carnaval para os países em que é celebrado. A cor verde é o principal símbolo da festa, já que ele ficou conhecido por usar o trevo verde para representar a Santíssima Trindade. Fitas, cerveja verde, roupas características e tudo mais são símbolos desta festa.
Joarez Lessa, de 41 anos, é um dos sócios da Cervejaria Dois Lados, com Jadilson Luna, de 47 anos. Lessa também é um dos donos do bar Dois Lados Taproom, junto a Phablo Damarcio, de 34 anos. Com esse currículo experiente na celebração de São Patrício e na produção de cervejas, Lessa contou um pouco sobre a história do evento e a programação para sua celebração. Sommelier de Cervejas formado pelo Instituto da Cerveja Brasil (ICB), é conhecido no município por vender cervejas artesanais e por celebrar a festa de São Patrício em seu bar. Lessa, como é conhecido por seus clientes e amigos, resolveu compartilhar com exclusividade para O SÃO GONÇALO um pouco de como será o dia de hoje em seu pub.
"Originalmente, o Dia de São Patrício não tem nada relacionado com a cerveja em si, na verdade, ele tem uma história toda focada em religião e cristianismo. No entanto, com o tempo, teve início a celebração e a cor verde se tornou a referência para a festa. Nela, até os rios ficam verdes na Irlanda, tudo fica verde, inclusive a cerveja. É um dia muito festivo! Em nosso pub, a galera adora, deixamos tudo verde, servimos chopp verde e petiscos especiais para o dia. Infelizmente esse ano será muito moderado devido a pandemia", contou.
A cervejaria de Lessa nasceu em 2016, após uma época de crise. Lessa e seu antigo sócio já produziam a cerveja artesanal como um "hobby" e resolveram lançar a marca Agora ou Nunca Summer Ale no mercado. Em 2018, nasceu o pub Dois Lados Taproom, que hoje fica no Jardim do Partage Shopping. Lá, a ideia é vender a cerveja artesanal da cervejeira do empresário e de parceiros, além de petiscos. "O Dois Lados Taproom é um pub focado em cerveja artesanal própria, feita na garrafa e na pressão, além de gastronomia, parcerias, entretenimento e cultura cervejeira. Focamos em produtos (muitos deles locais) de qualidade e artesanais, feitos a mão, com gerenciamento de todos os detalhes e processos internos do dia a dia. O foco é entregar uma experiência única ao cliente, criar relacionamentos e fidelização, assim como entregar produtos frescos com bom custo x benefício", relatou ele.

Além da Agora ou Nunca Summer Ale, Lessa também produz e vende a India Pale Ale (IPA ou PAR) e também trabalha com a Ser ou Não Ser. "Focamos muito na cerveja sem rodeios, sem frescura e com o que chamamos de “drinkability” ou, digamos, drinkabilidade. A Agora ou Nunca é uma cerveja leve, com menos amargor e muito aromática, cítrica e frutada. A IPA ou Par segue a mesma pegada mas com mais carga de malte e muito mais lúpulos americanos, tendendo ao maracujá e com bem mais mais amargor. A nossa Ser ou Não Ser é a nossa Pilsen e obviamente é a campeã de vendas. Ela é leve, um pouco mais maltada e puro malte, é sucesso na caneca congelada. Temos um equilíbrio, muitos clientes procuram as mais amargas ou que entregam sabores mais complexos, procuram sair da mesmice. Na Cervejaria Dois Lados, quando eu crio um produto, eu procuro agradar a pessoa leiga, aquela que quer algo diferente, mas não quer algo muito desequilibrado. Procuro a refrescância e busco lúpulos que tragam a memória olfativa que tendem a manga ,abacaxi, maracujá e laranja. No nosso bar, o Dois Lados Taproom, nós procuramos a cordialidade, prover um momento de experiência para o cliente. Além disso, um bom atendimento, conhecimento e sugestões de harmonização estão sempre presentes caso alguém procure algo mais específico", contou ele.
O contabilista Jadilson Luna, que é o sócio de Lessa na Cervejaria Dois Lados, começou a entrar no mercado da produção da cervejeira caseira em 2015. Logo depois, ele começou a investir em um curso básico na área. Hoje, o contabilista, que pretende celebrar o Dia de São Patrício com alguns "chopps verdes", já produziu uma cerveja em homenagem a sua filha. Ele também conta que quem quer investir na produção do produto deve entender que a ideia pode ter um custo financeiro alto, mas que o prazer da cerveja caseira compensa. "As cervejas artesanais caseiras são produzidas sem nenhuma adição de conservantes, motivo pelo qual temos sempre cervejas mais frescas e são utilizados apenas: água, malte, lúpulo e levedura nas produções", afirmou.

Jadilson relatou um pouco de como é a produção de suas cervejas, incluindo a Leona IPA, que é uma homenagem à sua filha. "De uma forma resumida: primeiro fazemos a moagem dos grãos, que é de suma importância, depois vem a mosturação dos grãos até a conversão total dos açucares que servirão de alimento para as leveduras, depois fervura por uma hora ou mais com as devidas adições de lúpulos, após é necessário resfriar o mosto o mais breve possível a uma temperatura de aproximadamente 25 graus para assim poder inocular as leveduras. Após a fermentação, o produto passará pelo processo de maturação e enfim teremos cerveja pronta, restando apenas a carbonatação e degustação", conta ele que diz que as famílias mais conhecidas de cervejas artesanais hoje são Lager, Ale e Lambic, dentro delas existe uma grande variedade de tipos de cervejas artesanais.
Jadilson também falou sobre os eventos do grupo Confraria dos Cervejeiros Caseiros Gonçalenses (CCG), do qual ele faz parte. "Sempre que produzimos alguma cerveja, geralmente fazemos escambos com outros cervejeiros e nessa troca eles avaliam nossas "brejas" e vice-versa e, posteriormente, trocamos ideias sobre o que achamos das cervejas analisadas. Também realizamos, através do CCG, eventos beneficentes onde doamos nossas produções para a Confraria. A partir daí, nesses eventos, os nossos produtos são trocados por alimentos não perecíveis e que, posteriormente, são doados para instituições de caridade no nosso município. No momento, no entanto, os eventos estão parados por conta da pandemia", contou ele.
Mulheres Cervejeiras Gonçalenses (MCG)
Em abril de 2018, três amigas resolveram se reunir numa mesa de bar e criar o grupo Mulheres Cervejeiras Gonçalenses (MCG). A ideia do coletivo é mostrar que as mulheres podem estar aonde quiserem, seja em bares, em casa, ou em qualquer lugar, assim como os homens, com suas cervejas. "A ideia é resumidamente mostrar que toda mulher pode ir ao bar e beber sua cerveja, sem precisar provar nada para ninguém", contou a profissional autônoma Thamiris Lavrador, de 28 anos, uma das três fundadores do grupo.

Ela, que entende sobre os tipos de cerveja artesanais hoje, conta que existem mais de 150 tipos de bebidas do tipo catalogadas no mundo. A produção de cervejas artesanais vem crescendo mais e mais e, segundo ela, "é difícil que uma pessoa não gosta de nenhum estilo". Os mais conhecidos são: American Lager, Pilsen, Weiss, Witbier, Stout e IPA.
O grupo de Mulheres Cervejeiras Gonçalenses (MCG) está aí para quebrar preconceitos, mas também existe para degustar as cervejas artesanais no município. Antes da pandemia, o grupo realizava eventos, se reunia e conseguiu também arrecadar alimentos e roupas para doações com algumas ações por São Gonçalo. Hoje, no entanto, com a pandemia e a corrida rotina das mulheres do coletivo, elas permanecem mais trocando dicas e ideias pelo Whatsapp. Mas, isso não quer dizer que elas não vão celebrar o Dia de São Patrício mesmo que cada uma em sua casa. "O Dia de São Patrício para algumas pessoas pode ser a porta de entrada no mundo da cerveja. É tradicional termos a cerveja verde como um dos símbolos de comemoração do dia, o trevo de três folhas e os leprechauns são essenciais para transmitir uma parte da história dessa data. Infelizmente, vou comemorar em casa bebendo obviamente, torcendo para no próximo ano estarmos no bar com as amigas", relatou Thamiris.
As mulheres do coletivo acreditam que hoje podem criar o grupo e se reunir em bares por causa das histórias de luta de outras mulheres que buscaram autonômia para o gênero pela história."Graças as mulheres que lutaram por direitos e igualdade antes de nós, é qu nós que ainda lutamos por isso. Uma mulher sentar em um bar, tomar uma cerveja sozinha ou com as amigas não deveria ser um ato que chamasse atenção. É um direito dela de frequentar os lugares que ela quiser, de fazer o que ela quiser. Levantamos essa bandeira para que outras mulheres se sintam confortáveis e apoiadas. Algumas integrantes já comentaram sobre olhares e comentários que ouviram por frequentarem um bar. Uma parte dos homens respeita, apoia e até compartilha sobre o grupo com as mulheres que conhece, mas, infelizmente ainda encontramos alguns homens que não entendem que não é nada demais", contou a representante do grupo Mulheres Cervejeiras Gonçalenses (MCG).
Uma outra fundadora do MCG, Raquel Gonçalves, de 35 anos, também produz a sua cerveja artesanal desde 2019. Ela, que representa um grupo de mulheres que deseja ter sua autonomia na produção da bebida caseira, vem recebendo diversas avaliações positivas na área.
"Comecei a frequentar bares e beber cerveja artesanal em 2014. A partir daí, passei a provar uma cerveja diferente, com os estilos que a cerveja artesanal oferece. Na época, ainda eram poucos estilos. Mas, conforme foram abrindo opções de bares que serviam essas cervejas em São Gonçalo eu fui provando novos estilos e fazendo amizades na área, com o Lessa e com a Thamiris, por exemplo. Alie a oportunidade de provar estilos, conhecer pessoas e estudando, resolvi começar a produzir, pois vi que não era difícil. Pesquisei sobre os equipamentos em casa e comprei o meu primeiro equipamento com a capacidade de produção de 20 litros. A pessoas no meio cervejeiro são muito solicitas para te ajudar nas primeiras dúvidas de cervejeiros caseiros e o Mulheres Cervejeiras Gonçalenses, o qual eu já fazia parte, ajudou nesse meu movimento para produzir a cerveja artesanal", contou.

Raquel produz sua cerveja artesanal no método BIAB (Brew in a Bag), técnica que utiliza uma panela, água e um saco de grãos. Essa técnica foi mais difundida em 2006 e é conhecida pela simplicidade e pela facilidade na limpeza do equipamento, já que após a brassagem de maltes, os grãos que ficam no saco, é só retirar o saco da panela e a mesma fica limpa. Após a brassagem, o malte vai para a fervura. "Eu sou iniciante, não vendo a minha cerveja, mas meus amigos e familiares que já provaram a minha bebida, sempre falam bem e eu estou sempre estudando para produzir melhor. Eu prefiro cervejas mais lupuladas, da escola americana de cervejas, então, eu produzo mais do tipo, mas estou aberta a novos aprendizados. Recentemente, venho procurando cervejas belgas, mais focadas na levedura.
Sobre as mulheres no mercado da produção de cerveja, ela acredita que, hoje, o sexo feminino vem conquistando seu espaço nesse mercado. "Acredito que mulheres que produzem cerveja no mercado cervejeiro ainda quebram paradigmas, mas já temos muitas mulheres se destacando na área e o mercado tem se aberto bastante para recepcionar as tribos. O cervejeiro caseiro é um inovador, já que ele pode criar um estilo novo que não existe. Então, além de estudar, o cervejeiro caseiro é um artista e tem que estar com a mente aberta de inovar e mostrar para o mundo que a cerveja é muito além do que conhecemos, podemos usar especiarias, frutas e etc", contou ela que vem se inspirando no livro Radical Brewing, que fala sobre os cervejeiros.
Para Raquel, o Dia de São Patrício vai ser importante para socializar com amigos e família, mesmo que de forma distante, nessa pandemia. "Certamente estarei bebendo uma bela cerveja verde hoje. Apesar de São Patrício não ser um santo da nossa cultura, a cerveja é a bebida mais procurada nas comemorações desta festa em diversos locais no mundo. Creio que seja uma oportunidade de socializar com familiares e amigos degustando essa bebida regada de história e cultura", relatou.
Comemorar na pandemia
Como visto, o Dia de São Patrício é uma data importante e de celebração. Para se ter uma ideia, o feriado é tão popular no mundo que, nos países de cultura inglesa e irlandesa, a Igreja Católica suspende a proibição do consumo de álcool durante a celebração, que cai sempre durante a quaresma, para que as pessoas possam beber a cerveja verde em homenagem ao santo.
Para celebrar o evento em casa, na pandemia, a ideia é investir na cerveja e em músicas que te façam sentir como se estivesse na comunidade irlandesa ou, inclusive, como se estivesse celebrando com amigos pessoalmente. Vale até uma reunião por vídeo para beber com os amigos!
Redes sociais
Para quem quiser saber mais sobre as cervejas de Lessa, basta seguir o seu pub (@doisladostaproom) e sua cervejaria (@cervejariadoislados) no Instagram.
Já as redes sociais das mulheres cervejeiras são: Instagram (@mulherescervejeirasgonçalenses) e Facebook (Mulheres Cervejeiras Gonçalenses).