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Festival Literário de São Gonçalo - Flisgo promove seminário online 'Escritas Pretas'

Evento acontece de 19 a 21 de fevereiro

relogio min de leitura | Redação 04 de fevereiro de 2021 - 12:25
Edição presencial do Flisgo no Partage Shopping
Edição presencial do Flisgo no Partage Shopping -

São Gonçalo é conhecida historicamente por não valorizar o suficiente a arte e a cultura. Somente nos últimos anos, houve o fechamento da Biblioteca Municipal e da Escola de Música Pixinguinha, além de tentativas de extinção da Secretaria Municipal da Cultura. No entanto, ainda é possível enxergar bons exemplos, como o caso do Festival Literário, o Flisgo.

Devido a pandemia da covid-19, a organização do festival segue com cronograma de eventos de forma online e o próximo será o seminário 'Escritas Pretas', que acontecerá de 19 até 21 de fevereiro no canal Q-Cria! do YouTube.

A ideia é promover a reconfiguração das rasuras da historiografia oficial que excluiu e apagou sistematicamente as culturas e escritas de pessoas negras e povos originários, e como esse fenômeno acabou fazendo com que efeitos da colonização obtivessem poder sob as formas de expressão escrita praticada por negros, negras e os povos indígenas do Brasil, segundo palavras do organizador Alberto Rodrigues.

“’Escritas Pretas’ se configura como uma ação afirmativa e inclusiva da autoria negra e indígena, dinamitando preconceitos e estereótipos veiculados pela literatura canônica, consolidando um campo de estudos linguísticos para o literário, reconhecendo especificidades a partir da criação de redes de diferença fundamentadas na similaridade de experiências históricas, existenciais, identitárias, raciais e étnicas”, acrescentou.

Nos três dias de evento, serão quase 12 horas diárias de programação entre oficinas, amostras de arte e painéis que trarão discussões de como a escrita perpassa em vários âmbitos sociais da sociedade e como as escritas dessas minorias trabalha no combate ao racismo. O objetivo do seminário é difundir as escritas resistentes do povo negro desde sua origem até os dias atuais, em meio aos processos de invisibilidade.

Além disso, procura-se também contribuir para a ampliação do processo da construção nacional multicultural e mostrar a importância da escrita negra/indígena nas diversas atividades da sociedade e de como a ausência da mesma enfraquece a construção da igualdade para a efetivação dos direitos humanos.

Segundo Alberto, as escritas simbolizam a jornada dos “21 Dias de Ativismo contra o Racismo” em março e o carnaval junto ao samba que se tornaram uma forma de resistência da escrita e cultura negra.

“É um resgate da ancestralidade, da diversidade, da valorização do povo preto quanto à sua história, recontando ou contando uma história que não foi contada, que foi invisibilizada”, explicou Alberto.

No último dia, que será no domingo (21), haverá uma grande saudação ao samba, com uma oficina sobre samba-enredo da Prof. Dra. Helena Teodoro, pesquisadora sobre a história da cultura africana e afro-brasileira. Ocorrerá também rodas de conversa que falará sobre escritas do samba e compositores de samba-enredo, que possui uma grande importância no resgate histórico.

“Todos os painéis vão contar com pessoas negras e com pessoas indígenas. Hoje em dia, falta muito essa representatividade e da inclusão do povo indígena, do lugar de fala deles. Vamos trazer o olhar de uma minoria social”, conta Alberto. “A gente já trabalhou com inclusões no Festival e nessa ação afirmativa, nós vamos trazer os povos originários para essa discussão também”, acrescentou.

Além de Helena Teodoro, outros nomes estarão presentes no evento, como o ator Licínio Januário, a atriz Sol Miranda, a ativista indígena Cristiane Papiõn, a escritora Ana Cruz, Prof. Josemar, além de outros nomes a serem confirmados.

Para mais informações sobre o evento, basta acessar o canal do YouTube Q-Cria! e o Instagram do Festival, o @flisgo.

Confira a programação do evento abaixo:

19 de Fevereiro - Sexta-Feira

10h - Oficina de Escrita /13h -Mostra de Texto /15h - Abertura

16h – Painel: Escrita da Fé

Sinopse: Como a escrita/literatura interage com a fé, com o ancestral, e como a mesma pode combater o racismo religioso.

18h – Painel: Historicidade da Escrita

Sinopse: Visibilizar grandes referências da escrita preta e indígena, apagadas pela mídia e desconhecida da população brasileira, apresentando projetos de pesquisas quanto a temporalidades históricas que indicam os “perigos de uma história única”

20h – Painel: A Lei escrita: Poder e Representatividade

Sinopse: A importância das políticas públicas de igualdade étnicorraciais e a representatividade negra e indígena nos espaços de poder, empenhada na construção de uma sociedade democrática e igualitária.

20 de Fevereiro - Sábado

10h - Oficina / 13h - Mostra de Arte Indígena /15h - Entrevista

16h – Painel: Escritas e Arte

Sinopse: A importância da escrita e da arte para a construção de políticas culturais de combate ao racismo e promoção da igualdade racial e étnica.

18h – Painel: Narrativas Negras e Indígenas: a perspectiva autoral e social

Sinopse: A relação entre os processos de escrita na denúncia e combate às desigualdades sociais. Impressões de leitura e o produto livro digital ou impresso.

20h - Painel/ Educação e Racismo: Escrita negra e indígena como estratégia de intervenção.

Sinopse: A importância das Lei 10639/03 e 11645/08 no processo educativo descolonizador, tendo em vista a criação de uma cultura da igualdade a través da atuação da escola.

21 de Fevereiro - Domingo

10h – Oficina /13h - Mostra “Lembranças de um carnaval” /15h – Entrevista /16h – Painel: A escrita do samba 

*Estagiário sob supervisão de Cyntia Fonseca

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