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Prefeito detona explosivos para perfuração de túnel

relogio min de leitura | Redação 08 de julho de 2015 - 11:25

Prefeito Rodrigo Neves dá início às obras de construção do túnel que vai ligar Cafubá a Charitas

Foto: Luiz Nicolella

Por Sany Medeiros e Gustavo Aguiar

Niterói vivencia um momento histórico. Peça chave no projeto da TransOceânica, via expressa que vai ligar a Região Oceânica à Zona Sul da cidade, o túnel Charitas-Cafubá começa a ganhar corpo. Ontem, na localidade conhecida como Fazendinha, o túnel começou a ser perfurado com a primeira detonação de 150 quilos de explosivos, realizada pelo prefeito Rodrigo Neves, que acionou o botão, às 11h53.

Rodrigo Neves aproveitou a ocasião para informar os próximos passos das obras. Segundo ele, ainda hoje, publicará um edital de licitação para urbanização de toda a região da Fazendinha. Anunciou também uma viagem para Washington, capital dos Estados Unidos, onde tentará junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento verba necessária para a implantação de Veículos Leves sobre Trilhos (VLT), que ligaria o bairro de Charitas ao Centro da cidade.

Poucos minutos antes de acionar os explosivos, o prefeito enfatizou a necessidade reprimida por anos em relação a um projeto de mobilidade urbana. “Há algumas décadas, Niterói ganhou o túnel Raul Veiga, que liga o bairro de São Francisco à Icaraí. De lá para cá, não tivemos mais nada, a não ser pequenos reparos ou obras. Hoje, damos o pontapé inicial para o maior feito de mobilidade dos últimos anos. A cidade precisava disso”, afirmou.

Para o vice-prefeito Axel Grael, a TransOceânica terá um impacto metropolitano, não afetando somente Niterói. “Essa não é uma obra viária, visando simplesmente o melhor fluxo do trânsito. Mas, sim, um conceito de mobilidade urbana a partir da ideia do transporte coletivo. Tem como objetivo priorizar o transporte de massa em detrimento dos veículos particulares”, disse.

Obras terão vias interditadas e explosões diárias

A TransOceânica será uma via expressa de 9,3 quilômetros de extensão e vai atender diretamente 11 bairros da Região Oceânica de Niterói. A previsão é de transportar cerca de 80 mil pessoas por dia. A primeira etapa é a construção do túnel, que tem duração prevista de um ano. A partir de hoje, serão realizadas três explosões por dia até o fim da obra. O túnel, que terá o nome do jornalista, poeta, professor e memorialista Luís Antônio Pimentel, falecido em maio, aos 103 anos, terá 1,3 quilômetro de extensão e duas galerias, com quatro pistas cada uma – duas para carros, uma para os ônibus do sistema BHLS e uma ciclovia. A obra completa ficará pronta em 24 meses. Para essa primeira etapa, a Estrada Francisco da Cruz Nunes será interditada a partir do dia 14.

A Niterói Transportes e Trânsito (NitTrans) informa que haverá interdições no tráfego no trecho da Estrada Francisco da Cruz Nunes entre a Avenida Ewerton da Costa Xavier (Central) e a Avenida Irene Lopes Sodré. A partir do dia 14 de julho, ficarão interditadas as pistas principal e auxiliar da Estrada Francisco da Cruz Nunes, sentido Praia de Itaipu, entre a ponte (canal) após a Rua Luiz Eduardo Lobo e o Colégio Estadual Alcina Rodrigues.

Para desviar o fluxo de veículos da Francisco da Cruz Nunes em direção à Praia de Itaipu, será criado um sentido duplo de circulação na pista oposta, em direção ao Largo da Batalha, durante 24 horas por dia, sete dias por semana, até o término da obra. A pista será dividida por cones, possibilitando a operação de faixas reversíveis nos horários de pico.

Nas saídas da Rua Repórter César Donadel e Avenida Senador Vasconcelos Torres, que ligam a Avenida Ewerton da Costa Xavier e a Avenida Irene Lopes Sodré, haverá agentes e operadores da NitTrans. Serão implantadas 40 placas de trânsito e diversas faixas informativas para indicação, advertência e regulamentação.

Uma vida inteira transformada

Enquanto havia a comemoração de início das obras do túnel da TransOceânica, acompanhada de anúncios de projetos futuros, a poucos metros dali, uma família demonstrava certo receio com a situação. Marinete de Souza, moradora do local há 35 anos, está preocupada com o seu futuro.

Família, que mora nas proximidades da perfuração do túnel, teme desapropriação
Família, que mora nas proximidades da perfuração do túnel, teme desapropriação (Foto: Luiz Nicolella)

“Falaram que teremos que sair daqui, mas para onde? Nada oficial chegou até agora, não nos dão perspectiva. Nos criamos aqui, temos nossa identidade. Temo que isso pouco importe frente ao progresso que eles tanto prometem. Nosso futuro não parece ter importância”, desabafou Marinete, que faz da casa onde mora uma pensão, de onde tira o sustento de toda a família. A assessoria de imprensa da Prefeitura de Niterói foi procurada, mas não deu retorno até o fechamento dessa edição.

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