Cruz Vermelha e GM farão trabalho de conscientização

Regina Lopes disse que vai pedir mapeamento da cidade para fazer campanhas nos bairros
Foto: DivulgaçãoA trágica morte de quatro jovens em um lago situado em uma área particular de Curuzu, em Itaboraí, colocou em evidência um problema que preocupa as autoridades com a chegada das estações mais quentes, quando a procura por lazer nesses locais aumenta. Para tentar evitar novos acidentes, a Cruz Vermelha de Itaboraí com o Grupo de Operações Especiais (GOI) da Guarda Municipal estudam medidas para prevenir os riscos.
De acordo com a coordenadora da Cruz Vermelha, Regina Lopes, muitas vezes – em função da proximidade com os locais onde moram – as pessoas não têm a noção exata do grande risco que correm. A profundidade e a densa camada de lama acumulada são algumas das características que fazem de um lago artificial uma autêntica “armadilha”.
“Na próxima semana, faremos uma reunião com o GOI para traçar as estratégias. Queremos conhecer as regiões e suas vulnerabilidades. Convidaremos um geógrafo para fazer um mapeamento da área para fazermos a prevenção e conscientização nos bairros”, disse.
Ainda segundo Regina, a ideia é criar núcleos de primeiro socorros nos bairros. “Em alguns lugares do Estado, a Cruz Vermelha já oferece esse tipo de ação. Aqui, por conta da logística, ainda não conseguimos. Com parcerias, poderíamos realizar oficinas de como agir em casos de afogamentos. Isso evitaria as tragédias”, afirmou.
O chefe do setor de investigações da 71ª DP (Itaboraí), Carlos Salém, aguarda laudos para confirmar afogamento como as causas das mortes dos rapazes. “Estamos aguardando os laudos. Nesta semana, vamos ouvir os três sobreviventes e o administrador da Fazenda São Tomé”, afirmou.
Lagos em fazendas não precisam de licenciamento
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo de Itaboraí não tem estatísticas consolidadas de todos os lagos abertos no município, já que só precisam de licenciamento ambiental aqueles que estiverem em local de interferência de Área de Preservação Permanente (APP) ou se tiver uma área de espelho d’água superior a cinco hectares. Como o Lago Olho D’água é menor, o licenciamento ambiental é inexigível, assim como em tantos outros da cidade.
Recordando
No último domingo, os amigos Carlos Eduardo Silva Soares, o Kadu, de 18 anos; Daniel Jandes dos Santos, 15; Higor Conceição Ferreira, 15 e Anderson Mateus, 18, morreram afogados no Lago Olho D’água, na Fazenda São Tomé, em Curuzu, Itaboraí. Os bombeiros do quartel de Itaboraí encontraram os corpos abraçados.
De acordo com os familiares, os rapazes, moradores de Monjolos, em São Gonçalo, haviam ido a uma partida de futebol, que aconteceria no Campo do Curuzu, mas como a partida foi cancelada, eles foram tomar banho no lago. Cinco entraram na represa e dois, que não sabiam nadar, ficaram do lado de fora. Iago de Oliveira Silva, 18, conseguiu atravessar o lago com Kadu, que voltou à represa para tentar salvar os três amigos que ficaram e também se afogou.