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Quatro jovens morrem afogados em represa

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 28 de setembro de 2015 - 23:01

Os quatro amigos, moradores de Monjolos, morreram afogados no lago artificial aberto dentro de uma fazenda particular em Curuzu

Foto: Leonardo Ferraz

Por Cyntia Fonseca, Marcela Freitas e Renata Sena

O que seria uma tarde de lazer no Lago Olho D’água, na Fazenda São Tomé, em Curuzu, Itaboraí, se transformou em uma grande tragédia. Quatro jovens morreram afogados, na tarde de domingo, em uma represa artificial dentro da fazenda. Os rapazes estavam em um grupo de sete e ficaram presos na espessa camada de lama que fica acumulada no fundo do lago. Eles morreram abraçados tentando se salvar.

De acordo com os familiares, os rapazes haviam ido a uma partida de futebol, que aconteceria no Campo do Curuzu. Mas como a partida foi cancelada, eles foram tomar banho na represa. O lago, aberto artificialmente para os gados beberem água, fica a cerca de 8 km do campo de futebol, possui água turva e com muita lama, que dificulta a flutuação. No local, morreram Carlos Eduardo da Silva Soares, o Kadu, 18 anos; Daniel Jandes dos Santos, 15; Higor da Conceição Ferreira, 15; e Anderson Matheus, o Bito, 18.

O motorista André Pereira da Silva, 39, pai do sobrevivente Iago de Oliveira Silva, 18, contou que o filho sabia nadar, assim como seu primo Kadu, que morreu tentando salvar dois jovens. “Meu filho atravessou o lago e saiu rápido. O Kadu também já estava fora da água quando eles ouviram os três jovens gritando que estavam com câimbra. O Kadu quis salvá-los e entrou na água, mas foi agarrado por um deles e não conseguiu se livrar da lama. O Iago também tentou ajudar e está com o braço todo machucado, mas ele não voltou para a água. Ele conta que foi tudo muito rápido e está muito abalado”, disse.

Os outros dois jovens que estavam com o grupo não entraram na água por não saberem nadar. O office boy Édipo Eduardo Rosa, 27, irmão de Higor por parte de pai, contou que o irmão não conhecia o lugar. “A mãe dele não deixou ele ir ao futebol. Ela foi a um enterro de um parente e ele aproveitou para sair para jogar. Até agora, estamos sem entender o que ele foi fazer ali. Não sei como vamos viver sem ele”, disse.

O pai de Kadu, Marco Aurélio Abreu da Silva, 38, que trabalha com manutenção predial, também ficou surpreso ao saber que o filho foi à represa. “Não entendo o que ele foi fazer naquele lugar. Ele não tinha o hábito de sair sem falar conosco. Esse menino era tudo para mim. A minha pedra preciosa. Morreu tentando salvar os amigos”, lamentou.

A irmã de Daniel, a professora Elisama Nunes, 28, contou que ele era muito querido por todos. “Foi uma fatalidade. Estamos sofrendo muito. Meu irmão era o xodó da família. Um menino que só trazia alegria”, afirmou. A família de Anderson Mateus não quis se pronunciar.

Fazenda São Tomé

De acordo com o administrador da Fazenda São Tomé, José Romildo da Silva, 55, esta não é a primeira vez que há mortes no local. Segundo ele, que administra a fazenda de gados há 35 anos, o local é bastante perigoso e um homem já morreu afogado.

“Eles entraram na propriedade sem o nosso conhecimento. É comum as pessoas fazerem isso para se refrescar, mas não aconselhamos. É um local muito profundo, que tem a finalidade apenas de bebedouro para os animais. Os banhos aqui não são autorizados”, contou.

Despedidas

Mais de 500 pessoas, entre amigos e familiares, foram no final da tarde de ontem, no Cemitério Parque da Paz, no Pacheco, onde os corpos de Daniel, Kadu e Anderson foram enterrados. Muitas crianças e adolescentes, amigos dos meninos, passaram mal e precisaram ser amparados. Muito abalados, os familiares preferiram não comentar o ocorrido e apenas lamentavam a fatalidade.

Higor também foi enterrado, na tarde de ontem, no Cemitério de São Miguel, no bairro de mesmo nome, em São Gonçalo. Pelo menos, cem pessoas, entre familiares e amigos, compareceram ao sepultamento.

“É muito difícil de acreditar. Eu vi esse menino nascer, crescer, era amigo do meu filho. Tão jovem, uma fatalidade”, comentou, entre prantos, uma vizinha. Familiares da vítima precisaram amparar a mãe e a irmã até o local do sepultamento, pois estavam muito abaladas.

Sepultamento de Higor, no Cemitério São Miguel, foi acompanhado por cem pessoas
Sepultamento de Higor, no Cemitério São Miguel, foi acompanhado por cem pessoas (Foto: Julio Diniz)
No Cemitério Parque da Paz, em Pacheco, foram enterrados Anderson, Daniel e Kadu
No Cemitério Parque da Paz, em Pacheco, foram enterrados Anderson, Daniel e Kadu (Foto: Luiz Nicolella)

Sonhos de meninos

Kadu era estudante do 2º ano do ensino médio da Escola Estadual Coronel Serrado, em Monjolos. Desde pequeno, ele tinha o sonho de ser jogador de futebol. Como não conseguiu uma boa oportunidade no ramo, ele se preparava para prestar vestibular para administração de empresas. Ele dizia à família que seria empresário do ramo de farmácias. Muito estudioso, os pais tinham certeza que ele realizaria o sonho.

Daniel era tido como um dos mais engraçados do grupo. Filho adotivo do pastor Ariovaldo Ribeiro, da Igreja Átrios do Senhor, em São Miguel, São Gonçalo, Daniel era evangélico e baterista da banda de sua congregação. Muito amigo de Higor, ele sempre dizia que os dois eram almas gêmeas. Os dois estudavam no Colégio Alecrim, em Monjolos. Além da amizade, os jovens compartilhavam o amor pela música e escreviam rimas e raps. Conhecido como MC Jandes, ele fazia sucesso, compondo raps gospels.

Higor, o MC Fight, fazia o 1º ano do ensino médio no Alecrim. Ele amava escrever raps. Sonhava em fazer carreira com o ritmo e dizia que ajudaria sua mãe quando tivesse oportunidade. Muito inteligente, Higor sempre tirou boas notas na escola.

Anderson era amigo
Anderson era amigo
Kadu ia prestar vestibular
Kadu ia prestar vestibular
Higor gostava de rap
Higor gostava de rap
Daniel era baterista
Daniel era baterista

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