É brincando que se aprende Psicopedagogia usa jogos para desenvolver aprendizado
Na sociedade do século passado, o campo da psicologia era tratado como tabu. Mas, aos poucos, esses pré-julgamentos foram superados e, hoje, as teorias têm sido incorporadas até dentro das escolas. Denominada psicopedagogia, essa “nova” ciência - que traça um paralelo entre as atividades psicológicas e pedagógicas - ganha espaço também no tratamento de doenças psiquiátricas, como dislexia, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).
“A psicopedagogia é uma área de trabalho de caráter interdisciplinar, que tem como objeto de estudo o processo de aprendizagem humana, na sua evolução normal e patológica”, resume a psicopedagoga clínica Adriana Aguiar Miranda. De acordo com a profissional, o trabalho psicopedagógico é indicado para todos aqueles que possuem dificuldade para aprender e também para pessoas que possuem transtornos clínicos, como deficiência intelectual e autismo. Mas Adriana ressalta que as intervenções são realizadas, geralmente, para alcançar objetivos escolares.
“A metodologia psicopedagógica consiste principalmente na utilização do jogo, que é uma atividade que estimula a criatividade e facilita, tanto o vínculo social, como a cura. Os jogos também promovem as habilidades lógicas e de estratégias, leitura, compreensão e interpretação”, explica.
Outra profissional no ramo, Gisele Alves Osório, da Psico & Aprendizagem, alerta que existe uma noção ainda muito “grosseira” de achar que o psicopedagogo é um professor particular. “Muitos pais pensam ‘Ah, meu filho estava tirando 10 e agora está tirando 3,5. Vou levar ao psicopedagogo!’, mas poucos entendem que, às vezes, não é apenas um problema escolar e sim clínico. Nossa função é fazer esse meio de orientação com os pais, com a família e até mesmo com a escola para iniciar um trabalho multidisciplinar”, explica.
Por apresentar rendimentos baixos ainda no jardim de infância, a família de João Paulo Oliveira dos Santos, de cinco anos, decidiu colocá-lo sob acompanhamento de Gisele. Em apenas um mês de trabalho, para a psicopedagoga, ele já apresenta grandes avanços. “Quando chegou aqui, havia a reclamação de ‘bullying’ na escola. Meu trabalho, então, foi tentar desconstruir a ideia que ele já tinha formado. Mesmo com pouco tempo de contato, a autoestima dele já está bem melhor”, conta. A tia da criança também nota a mudança de comportamento. “Ele era muito agitado, mas desde que começou a frequentar aqui, está mais calmo, mais atento”, detalha.
O trabalho psicopedagógico pode ser realizado individualmente ou em grupo. De acordo com Adriana Aguiar, quando a família já conhece o ramo, a procura costuma ser por conta própria, mas há também pacientes que são indicados por psicólogos, fonoaudiólogos, médicos e escolas. “É necessário que as atividades sejam realizadas de duas a três vezes por semana. Costumo comparar o tratamento psicopedagógico ao uso do antibiótico, que se tomado em doses exatas por um determinado tempo, a doença desaparece”, avalia.
Gisele também acredita que o acompanhamento do paciente ajuda no desenvolvimento do tratamento. “O período mínimo para investigação dos prognósticos é de oito à dez sessões. O tempo de intervenção, entretanto, vai depender da resposta da criança aos estímulos”, salienta.
Método ajuda no raciocínio e concentração
Do jardim de infância ao vestibular, a necessidade de complementar os estudos com um ensino além do oferecido pela escola regular, pode fazer toda diferença para o desenvolvimento do aluno. Prova disso é o método Kumon, que conquista espaço, principalmente entre os adolescentes.
Focado na concentração e na leitura, além de desenvolver o raciocínio da criança e do jovem nos conteúdos, o método também traz disciplina e estimula a autonomia. Orientadora da unidade Kumon em São Gonçalo, Bianca Xavier explica que o processo de ensino costuma gerar resultados em médio e longo prazos. “Cada aluno tem um processo diferente. Mas, em média, percebemos a diferença nos resultados e comportamento entre seis meses a um ano”, conta.
Diferente das aulas coletivas e expositivas da escola regular, o Kumon trabalha em sistema individualizado, com materiais desenvolvidos para serem resolvidos pelo aluno em casa todos os dias, a partir de um teste de avaliação. Depois disso, o aluno comparece à unidade, pelo menos, duas vezes na semana para corrigir o conteúdo.
“Temos um aluno, na fase do ensino fundamental, que tem déficit de atenção e sempre teve dificuldades em acompanhar a sua turma como, por exemplo, no momento de fazer prova. Sua mãe já havia tentado diversas formas de ajudá-lo, mas não havia obtido muito sucesso. Após ingressar no método, ele começou a superar grandes dificuldades, conquistando autoconfiança e segurança. Hoje, ele já consegue acompanhar a sua turma. Recentemente, ele conseguiu o resultado nove em uma prova, que fez no mesmo momento de sua turma”, relata Bianca Xavier.
Serviço
Psico & Aprendizagem
Rua Dr. Feliciano Sodré, 78,
sala 1813, Centro, São Gonçalo
Tel.: 3038-1136
Adriana Aguiar Miranda
Rua Salvatori, 40, sala 1004,
Centro, São Gonçalo
Tel.: 2601-6762
Kumon
Praça Doutor Luiz Palmier, 53, sala 211, Centro, São Gonçalo Tel.: 2607-0186
Rua Antônio Alves, 42, sala 201, Alcântara, São Gonçalo Tel.: 3857-1111