‘Sem lenço, sem documento’
Metalúrgicos do Mauá estão sem trabalhar, sem salários e com carteiras profissionais retidas
O Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói e Itaboraí realizou duas assembleias com os trabalhadores, ontem. A primeira aconteceu na porta do estaleiro Eisa Petro Um (Estaleiro Mauá) com os trabalhadores que ainda são funcionários da empresa, no entanto, não estão trabalhando. A segunda plenária do dia aconteceu com os demitidos pelo estaleiro na porta do sindicato. Nos dois momentos, o sindicato atualizou as informações aos trabalhadores e traçou os próximos passos para buscar soluções.
Na última segunda-feira, venceu o prazo para pagamento dos salários dos trabalhadores que ainda estão na ativa no estaleiro. O Eisa Petro Um ainda não informou a data para quitação e também não cumpriu uma exigência do sindicato de abrir os portões para que os metalúrgicos voltassem ao trabalho e mantivessem a produção e as negociações.
A direção da empresa alega retenção de fatura pela Transpetro, que inviabilizou o pagamento dos salários referente aos dias trabalhados em junho. O montante daria para quitar os salários dos cerca de dois mil metalúrgicos que aguardam em casa a reabertura do estaleiro.
Também na segunda-feira, a Justiça do Trabalho bloqueou R$ 15 milhões da Transpetro para garantir o pagamento das indenizações dos demitidos. Na sentença, o juiz da 3ª Vara do Trabalho de Niterói alegou relevância social e demissão em massa sem garantias dos direitos trabalhistas para os demitidos. A Transpetro tinha até às 17h30 de ontem para efetuar o depósito em juízo. O sindicato, agora, aguarda a liberação da Justiça do Trabalho para o início dos pagamentos e as homologações.
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Sobre as carteiras de trabalho retidas, a direção do sindicato acordou com o RH da empresa o envio de uma lista de trabalhadores que necessitam do documento para entrada em novos empregos. Essa lista será entregue o mais rápido possível para os procedimentos de baixas.
Os metalúrgicos aprovaram, ainda, sob orientação do sindicato, uma nova assembleia para sexta-feira na porta do estaleiro com todos os trabalhadores, demitidos e os que ainda são funcionários da empresa, o que dá um total de três mil metalúrgicos. O sindicato vai organizar, caso não haja nenhuma novidade em relação aos pagamentos, uma nova passeata até a sede da Petrobras, no Rio, com todos os trabalhadores que deverão permanecer acampados na porta da empresa até que uma solução seja apresentada.
