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Mãe acusa hospital após morte de criança de 1 ano

relogio min de leitura | Redação 23 de junho de 2015 - 12:05

Grazielle levou a filha Ana Clara, de 1 ano e 5 meses, com sintomas de diarreia ao hospital de Itaboraí

Foto: Luiz Nicolella

Uma jovem de 19 anos, mãe solteira, perdeu sua única filha na última terça-feira após tentar socorrê-la no Hospital Municipal Desembargador Leal Junior, Itaboraí. Ana Clara Barbosa, de apenas 1 ano e 5 meses, teria sido levada à unidade hospitalar com sintomas de diarréia.

A criança deu entrada no hospital, na segunda-feira (15), por volta das 15h30, com febre, vômito e diarréia. De acordo com a mãe, sem fazer qualquer exame no corpo da criança, o diagnóstico dado pela médica de plantão foi gastroenterite, uma inflamação que pode afetar o estômago e o intestino. Segundo a mãe, Grazielle Barbosa, o único procedimento realizado foi a aplicação de uma injeção.

Na mesma hora, Ana Clara teria apresentado manchas vermelhas na pele, sintoma típico de processo alérgico. Grazielle conta que ficou muito preocupada e questionou a médica. Prontamente, foi dito à ela que a reação era normal e que poderia ser resultado de algo que a criança havia comido.

Mãe de primeira viagem, ela foi aconselhada a voltar para casa e esperar pela melhora da filha. Conforme Graziele, o atendimento no hospital durou menos de duas horas e Ana Clara não chegou a ser internada.

No mesmo dia, à noite, a criança voltou a passar mal e apresentou os lábios bem roxos e indisposição. Foi quando Grazielle decidiu levá-la ao Hospital Darcy Vargas, em São Gonçalo, na esperança de socorrer a filha. No dia seguinte, ao chegar lá, os médicos não tiveram tempo de fazer nada. Ela já apresentava um quadro grave de desidratação, que a levou a ter convulsões.

Após várias tentativas de reanimá-la, a criança morreu. O laudo médico apresentou como causa morte choque hipovolêmico, cujo tratamento deve ser feito através da transfusão sanguínea e administração imediata de soro na veia.

Inconformada, a avó de Ana Clara acredita que a vida da neta poderia ter sido poupada se o atendimento do Hospital Leal Júnior tivesse sido adequado. “O hospital não podia ter liberado ela com os sintomas apresentados, sem examiná-la. Foi muita irresponsabilidade”, afirmou.

Secretaria vai abrir sindicância

A Secretaria de Saúde de Itaboraí alega que a criança não morreu após atendimento no Hospital Municipal Desembargador Leal Junior, mas sim numa unidade de saúde de São Gonçalo. “A menor Ana Clara Barboza Pereira, de 1 ano e 5 meses, deu entrada no Hospital Municipal Desembargador Leal Junior às 15h44, do último dia 15 de junho, com febre, vômito e diarreia. Foi atendida pela equipe médica de plantão na pediatria, que avaliou o quadro como suspeita de gastroenterite. A criança foi medicada com bromoprida, dipirona e reidratação oral. Após a estabilidade do quadro, já sem vômitos, ela foi liberada e a família foi informada sobre retornar ao hospital caso houvesse qualquer piora no quadro. Diante da denúncia da família, a Secretaria de Saúde irá abrir uma sindicância interna para apurar o caso”, informa a nota emitida pela Secretaria de Saúde de Itaboraí.

Já a direção do Pronto Socorro Infantil Darcy Vargas, em São Gonçalo, informou que “a criança deu entrada na unidade desidratada e séptica (com infecção generalizada), não ficando internada na unidade e que o tempo entre a chegada e óbito da mesma foi de uma hora. Durante esse período ela foi atendida com todos os recursos da terapia intensiva em tentativa de reverter o caso, sem sucesso”.

Negligência

Grazielle trabalha como manicure no salão de beleza da mãe e afirma não saber como reconstruir sua vida após a perda da filha. “Eu ainda não consigo acreditar no que aconteceu. É difícil aceitar que ela não teve chance de sobreviver. O que eu quero agora é que o hospital responda por negligência. Eu sei que isso não vai trazer minha filha de volta, mas vou lutar para impedir que aconteça com outras crianças”, disse.

Familiares e amigos contaram que a a criança era muito alegre, agitada e estava sempre brincando com os primos da mesma idade. “Todos sentirão muito a falta dela”, disse a avó da criança. O corpo da criança foi sepultado na quarta-feira, no Cemitério São Miguel, São Gonçalo. A família registrou a ocorrência na 72ªDP (Mutuá).

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