Estudo detecta 600 alunos com dificuldades nas aulas

Os estudantes com dificuldades de aprendizagem recebem um tratamento diferenciado
Foto: Divulgação/ PMICerca de 600 estudantes da rede municipal de Itaboraí têm algum tipo de dificuldade de aprendizagem. O mapeamento, feito pela Secretaria Municipal de Educação nas 87 escolas da rede, serve de base para que a Prefeitura ofereça atendimento diferenciado e acompanhamento com psicólogos, psicopedagogos, fonoaudiólogos, assistentes sociais e fisioterapeutas nos três polos no Núcleo de Atendimento Psicopedaqógico da Educação Municipal (Napem), em Nancilândia, Manilha e Bairro Esperança.
Hiperatividade, dificuldades de concentração, memorização e socialização são apenas alguns dos fatores que, segundo especialistas, podem interferir no rendimento do aluno na escola. Nos polos do Napem, os atendimentos são realizados uma vez por semana, durante 30 minutos de forma individual, e de até 1 hora para atividades em grupo.
Além dos estudantes, os responsáveis também passam por consultas com assistentes sociais e participam, se desejarem, de oficinas de artesanato, enquanto os alunos estão em atendimento. De acordo com a diretora do Napem do bairro Nancilândia, Clara Pereira, o acompanhamento especializado é necessário dentro da Rede Municipal de Ensino porque, geralmente, as crianças com dificuldades de aprendizagem tendem a apresentar constantes desmotivações com as tarefas escolares. As dificuldades variam, tendo em vista que inúmeros fatores interferem no desenvolvimento do estudante.,
“É visível o progresso do estudante no decorrer do tratamento. É um acompanhamento voltado para as dificuldades do aluno e também da família, pois, além dele, temos que trabalhar o meio onde convive”, lembra Clara Pereira.
Segundo a psicopedagoga Alexandra Goulart, que presta atendimento para o município, no momento em que o profissional da educação identifica alguma dificuldade na criança, ela é encaminhada automaticamente para uma das unidades do Napem. Para Alexandra, alguns sintomas ajudam os professores a justificar o baixo rendimento do aluno, como problemas na linguagem, de memória, de concentração, na escrita e até mesmo na coordenação motora.
“Quando um aluno apresenta essas características, o profissional da educação deve levar essas observações aos pais. Em seguida, os responsáveis são orientados a buscar informações conosco. Inicialmente, a equipe do Napem faz um levantamento de informações socioculturais, familiares e históricas do aluno. Somente então, inicia o acompanhamento de acordo com a necessidade”, destacou a especialista.
Jogos a serviço do conhecimento
Uma das técnicas utilizadas pelos profissionais do Napem para melhorar a memória e o raciocínio das crianças é a utilização de jogos lúdicos. O método consiste na realização de exercícios práticos, como repetições que estimulam as funções cerebrais.
“Essas atividades reforçam a percepção, a atenção e dão continuidade ao trabalho realizado na escola. Os efeitos são percebidos diretamente na escrita, leitura e no interesse da criança pela escola”, esclarece Alexandra Goulart.
Segundo uma dona de casa, de 61 anos, avó de um menino de 11 anos, o neto vem apresentando significativos avanços, desde que iniciou o tratamento.
“Ele tinha muitas dificuldades de atenção, baixo rendimento na escola e, com a ajuda dos profissionais, vem evoluindo bastante. Fazemos de tudo para não faltarmos nenhuma semana”, destacou a dona de casa.
Para uma moradora de Venda das Pedras, de 42 anos, o acompanhamento foi crucial para que seu filho de 13 anos melhorasse o relacionamento com os outros estudantes.
“Esse atendimento exclusivo faz toda diferença. Tudo o que ele quer é atenção e, por isso mesmo, é o primeiro a querer vir para cá e participar dos encontros”, disse ela.
Polos do Napem
Nancilândia: Rua Raimundo Leone dos Santos, nº 35
Manilha: Rua Gilberto de Carvalho, Lt 1, Qd 15
Reta: Rua Pedro Ferreira Pinto, Lt 16, Qd 26