Crianças autistas assistem Fla-Flu e ‘marcam um golaço’

Um grupo de vinte alunos da Clínica-Escola do Autista, em Itaboraí, entrou em campo, junto com os jogadores, no Maracanã
Foto: Sandro Giron/ DivulgaçãoFoi um domingo diferente. No gramado do Maracanã, o azul se misturou ao vermelho e preto do Flamengo, e ao branco, verde e grená do Fluminense. A cor ‘intrusa’ estava nas camisas de 20 autistas que entraram em campo junto com os jogadores, todos em busca de uma vitória difícil: a conscientização da população sobre a importância de se dar mais atenção ao autismo no Brasil.
O time era formado por jovens que frequentam a Clínica-Escola do Autista de Itaboraí, instituição da Prefeitura inaugurada há um ano, que atende a cerca de 100 autistas na cidade. Liderados pelo prefeito Helil Cardozo e por Berenice Piana, militante da causa e idealizadora da Clínica-Escola, o grupo entrou em campo representando o que há de mais avançado no Brasil em termos de tratamento e abordagem pedagógica para autistas no país.
A Clínica-Escola é a única do Brasil a oferecer tratamento multidisciplinar e orientação pedagógica gratuitos e especializados. Acompanhados dos pais e de profissionais da Clínica-Escola, os jovens saíram de Itaboraí no início da tarde. Após a viagem tranquila, todos aguardaram pelo grande momento numa sala ampla, próxima aos vestiários. A espera teve direito a treinamento pré-jogo.
“Os autistas que vieram foram selecionados entres aqueles que demonstram condição de frequentar locais onde haja agitação e uma grande concentração de pessoas, já que nem todo autista é capaz de lidar com esse tipo de ambiente”, explica Berenice Piana.
Para que o time de azul fizesse bonito em campo, Berenice preparou uma espécie de treinamento para o grupo, que corria pela sala de mãos dadas com os pais e colaboradores da Clínica-Escola, como se já estivessem entrando no gramado.
“O autista precisa estar tranquilo e confiante para realizar qualquer atividade de forma correta. Esse treinamento os deixa mais acostumados com a situação que encontrarão no campo. Tenho certeza de que vamos fazer bonito”, disse Berenice, antes do grande momento.
Dito e feito. Na hora combinada, os gritos da torcida não os assustaram. Pelo contrário. Os olhos de quem estava ou não de azul brilharam. O árbitro da partida, pouco antes de entrar, percebeu o interesse de um dos meninos, que acabou sendo o primeiro a tocar na bola.
“Hoje foi um dia para jamais ser esquecido. Temos uma satisfação enorme ao darmos aos autistas e às suas famílias aquilo que eles têm direito, como diz a lei: tratamento adequado e gratuito do poder público”, disse Helil Cardozo.
O prefeito também se disse realizado. “Faço aqui um apelo aos demais prefeitos, que também olhem para os autistas com a atenção devida. Em troca, eles vão receber o que eu recebo hoje: olhares de felicidade e agradecimento”, declarou.