Depois do temporal, o drama dos desalojados

Estimativa da Prefeitura é de que os temporais tenham desalojado 90 pessoas na região
Foto: Alex RamosUm dia após a forte chuva que atingiu o município de Itaboraí, moradores da localidade conhecida como Rato Molhado, em Rio Várzea e Ampliação, estão contando os prejuízos. De acordo com a Coordenadoria de Proteção Social Básica do município, estima-se que 90 pessoas estejam desalojadas. Quem não buscou ajuda na casa de parentes, foi abrigado em uma igreja evangélica e em dois bares da região.
Moradora do Rio Várzea, a dona de casa Thaiany Carola Sena, 20 anos, chegou a quebrar o pé na tentativa de salvar seus familiares que moravam no mesmo quintal. “A água subiu muito rápido. Na hora, só pensei na minha avó. Como a correnteza estava forte e precisava ajudar as pessoas, acabei machucando o meu pé. Fui socorrida por funcionários da prefeitura, que me levaram até o hospital”, contou Thaiany, que mora com o pai, mas perdeu tudo, inclusive roupas e documentos.
O motorista João Alves da Silva, 63 anos, disse que foram cinco horas em baixo de água até que os moradores pudessem retornar para as casas. “Tem uma ponte sobre o Rio Várzea que acaba dificultando a passagem da água. Não é a primeira vez que isso acontece, mas este ano, o alagamento foi bem maior do que esperávamos”, afirmou.
Durante a manhã de ontem, a correnteza ainda estava muito forte. Mesmo preocupados, muitos moradores resolveram limpar os imóveis.
Este foi o caso do auxiliar administrativo José Renato Pereira, 31 e Márcia Moura Corrêa, 42 anos. “Perdemos todos os móveis, e passamos a noite na casa de parentes. Resolvemos voltar bem cedo para limpar tudo. Vamos ter que começar do zero”, lamentou José Renato.
Rato Molhado foi a comunidade mais castigada
A comunidade do Rato Molhado, na Ampliação, foi a mais castigada pela tempestade. Segundo moradores, a água atingiu o teto dos imóveis da região conhecida como beira Rio.
Muito abalada a manicure Joilma Belarmino do Amor Divino, 36 anos, lamentava ter perdido todos os seus pertences.
“Sai com água no pescoço. Essa é a sétima vez que vivo essa situação. Já estou cansada. O que mais me dói é que ontem foi aniversário do meu filho e comprei o videogame que ele tanto sonhava, mas a chuva destruiu os sonhos dele. Estou muito triste com tudo isso”, chorou.
Morando de aluguel em uma casa na comunidade a dona de casa Maria Cirlene da Silva, 42, disse que é a segunda vez que passa por isso. “Não tenho para onde ir. Aqui o aluguel é mais barato e, como sou do Nordeste não tenho como recorrer a parentes. O jeito é comprar tudo de novo”, disse a dona de casa que teve a perna ferida durante o alagamento.
Mas não foi só a comunidade que sofreu. Na Rua João Feliciano da Costa, na Ampliação, parte de uma casa desabou. Segundo a proprietária, Marta Ribeiro, 49 anos, a escada que levava ao terraço e uma dispensa foram levados com a força da correnteza.
Secretarias prestam auxílio
Na manhã ontem, equipes das secretarias de Saúde e de Serviços Públicos estiveram no local para prestar assistência às vítimas. O prefeito Helil Cardozo solicitou ao DETRAN o envio uma equipe para agilizar a emissão de 2ª via de carteiras de identidade e certidão de nascimento para quem tiver perdido esses documentos em razão do alagamento.
De acordo com coordenadora de Proteção Social, os desalojados estão sendo cadastrados, para saber qual a necessidade de cada família. Os moradores receberam lanche na parte da manhã composto de biscoito, guaraná e água e receberão também almoço e jantar.