Fábrica de Sonhos produz fantasias para o Carnaval

Na Fábrica de Sonhos, são passados ensinamentos sobre confecções de fantasias para o Carnaval
Por Sérgio Soares e Matheus Merlim
A história do Carnaval de Itaboraí foi interrompida há três anos. Por falta de verba e de mão-de-obra para produzir desfiles de agremiações e blocos pela cidade, a folia praticamente desapareceu do calendário de festejos. Desde 2013, dois conterrâneos tentam resgatar os tempos áureos da festa, que na década de 70, foi considerada a terceira maior do Estado do Rio.
Para conseguir isso, a dupla fundou a Liga Independente das Escolas de Samba e Blocos Carnavalescos de Itaboraí. Basicamente, o trabalho da entidade era unir todas as agremiações (12 escolas) e produções independentes (27 blocos) da cidade para fazer uma pressão a fim de trazer de volta o carnaval de rua. Mas, visionariamente, eles decidiram ir além: montaram o projeto social Fábrica de Sonhos, em Itambi, onde são ensinadas mão-de-obras para confecção de um carnaval.
Com parceria da Petrobras, o primeiro curso inaugurado foi de corte e costura, que já funciona há dois anos. A princípio, seriam formados apenas 80 alunos, porém os moradores abraçaram de tal forma o programa que, em fevereiro deste ano, somarão 140 formandos. Outros cursos - como aderecista, escultor, ferreiro e percussão - ainda não foram implantados por falta de patrocínio.
Para o presidente da Liga e produtor cultural Leandro Mesquita, de 35 anos, não há nada mais gratificante do que proporcionar uma oficina de geração de renda para famílias, que muitas vezes dependiam apenas de um integrante para sobreviver. “É muito legal ver as pessoas crescendo. Muitas alunas abriram até o próprio negócio”, afirmou.
De acordo com a coordenadora de projetos da Liga, Ana Paula Araújo, de 36 anos, eles escolheram especificamente o bairro de Itambi para desenvolver o projeto por dois motivos: “Na pesquisa, vimos que Itambi é um dos distritos de Itaboraí que tem a população mais pobre. Também constatamos que o bairro concentra 50% dos blocos de toda a cidade”, argumenta.
A dona de casa Flávia Barbosa de Oliveira, de 39 anos, foi aluna da segunda turma de corte e costura da Fábrica de Sonhos. Com três filhos e uma renda curta, ela viu na tesoura e na linha a possibilidade de desenvolver outras habilidades.
“Eu estava na fila da lotérica quando a professora do curso perguntou se eu conhecia o projeto. Fiz o curso e quando comecei a trabalhar. No primeiro dia, fiz duas fantasias. No segundo, fiz oito”, contou.
O projeto recebe fantasias de escolas de samba de outras cidades para confeccionar. Atualmente, as alunas participam da construção do Carnaval da Unidos de Bangu, da Zona Oeste do Rio.