Samba em ritmo lento
Falta de planejamento para Carnaval 2016 em Niterói pode gerar redução de alegorias

OI galpão cedido pelo prefeitura ainda não tem energia elétrica nem abastecimento de água
Foto: DivulgaçãoFaltando pouco mais de um mês para o Carnaval de 2016, os integrantes das 30 agremiações escaladas para os desfiles oficiais na Rua da Conceição, no Centro de Niterói, tem motivos de sobra para se preocuparem. A crise que assola o país pode determinar a redução das verbas a serem destinadas aos sambistas para a realização do espetáculo, o que representa, pela primeira vez, uma real ameaça a qualidade do evento em onze edições. Sem saber qual será o planejamento financeiro por parte do poder público, eles podem ter que reduzir componentes e suprimir alegorias para irem às ruas.
O plano proposto pela União das Escolas de Samba e Blocos Carnavalescos de Niterói (Uesbcn) era que os desfiles oficiais voltassem a ser realizados em quatro dias - 6,7 8 e 9 - de fevereiro, sendo a primeira data, destinada a agremiações convidadas e blocos que porventura quisessem se apresentar. Os sambistas, no enanto já foram comunicados pela empresa Niterói, Lazer e Turismo (Neltur) que a exemplo do que aconteceu no ano passado, as apresentações irão se restringir ao domingo e segunda terça-feira, com as apresentações da agremiações do Grupo Especial de Enredo (10), do Grupo de Acesso (10) e do Grupo Principal (10), respectivamente.
Durante a última semana santa, no mês de abril, os alegorias e esculturas guardadas por parte das agremiações no galpão que funcionava no extinto quartel do Exército no Barreto, foram retiradas do local, destruídas e expostas ao tempo. A ação foi de responsabilidade dos operários da empresa responsável pela construção da nova sede da Guarda Municipal no local.
A prefeitura de Niterói, através da Empresa Municipal de urbanização Moradia e Saneamento (Emusa), alugou um galpão na Avenida Feliciano Sodré, no Ponto Cem Reis, e o cedeu as agremiações. Mas diante da falta de definição sobre o planejamento dos desfiles o o ressarcimento das agremiações pelos prejuízos de correntes da destruição, o novo local pouco foi usado. Apesar do contato de aluguel do imóvel ter sido firmado em meados de outubro, galpão ainda está sem fornecimento de água e energia elétrica.
Campeão do ano passado, no Grupo Especial de Enredo, o presidente da Combinados do Amor, Carlos Chororó, diz não saber o que fazer para manter a qualidade de 2015. “Estou cheio de dívidas e remando contra a maré para fzer um trabalho digno. Com essas condições, será difícil continuar”, afirmou. Já o presidente da Sabiá, Jhonatan dos Anjos, que diz ter sido vítma da destruição de todos carros que estavam no Barreto, sendo que uma delas era equipada com motor, para facilitar o deslocamento. “Perdi um patrimônio que demoramos anos para conseguir”, declarou.
A Uesbcn prevê dificuldades caso os valores sejam repassados e, cima da hora. “Nessa época, os produtos ficam muito mais caros”, afirmou Sérgio Soares, diretor de Comunicação da entidade. A Neltur não se pronunciou sobre o assunto.