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Na luta contra o Aedes Aegypti

Moradores de Jurujuba, em Niterói, participam de experiência da Fundação Oswaldo Cruz

relogio min de leitura | Redação 20 de dezembro de 2015 - 22:17

Leonardo Pires: empenhado em ajudar o projeto científico

Foto: Leonardo Ferraz

Por Daniela Scaffo

Com a chegada das chuvas de verão, a preocupação com a proliferação de mosquitos da dengue aumenta. Pensando nisso, o bairro de Jurujuba, na Zona Sul de Niterói, ganhou um projeto científico desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), intitulado “Eliminar a dengue: desafio Brasil”. A pesquisa usa mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, capaz de reduzir a transmissão da doença.

A iniciativa - que também acontece simultaneamente na Austrália, na Indonésia, no Vietnã e na Colômbia - visa estudar o uso da bactéria Wolbachia como uma forma natural, segura e autossustentável para controle da dengue. A bactéria reduz significativamente a capacidade do inseto transmitir doenças. De acordo com os estudos, metade da população de mosquitos do bairro já têm o micro-organismo.

Nesta fase, a liberação de mosquitos adultos e de ovos são estudadas. No segundo caso, é utilizado um Dispositivo de Liberação de Ovos (DLO), que é “hospedado” na casa dos moradores que colaboram com a iniciativa. No interior do recipiente, há ovos de Aedes aegypti com Wolbachia, água e alimento para as larvas que vão nascer. Cerca de 80 pessoas abrigam o DLO em Jurujuba.

Anfitrião do projeto, o comerciante Leonardo Pires, de 36 anos, aprovou a ideia e instalou um dos recipientes.

“Meus pais moram em Icaraí e já tiveram dengue. A fundação nos explicou a importância do projeto e achei uma boa iniciativa”, contou o comerciante.
De acordo com Luciano Moreira, pesquisador da Fiocruz e coordenador do projeto no Brasil, o uso dos dois métodos é parte da busca por metodologias de liberação que sejam ao mesmo tempo mais eficazes e mais baratas.

“Devido à facilidade logística e ao menor custo, o DLO permite que áreas maiores sejam trabalhadas, possibilitando, no futuro, a ampliação da área de atuação do projeto com o uso de Aedes aegypti com Wolbachia. É importante ressaltar que o DLO não possui produtos químicos ou tóxicos”, explicou.

Método aprovado por vários órgãos

Mais de metade dos insetos do mundo já possuem a bactéria, incluindo o pernilongo. Foram realizadas inúmeras tentativas de introduzir a Wolbachia dentro do ovo do Aedes aegypti. O método não envolve nenhum tipo de modificação genética, e a bactéria é passada de mãe para os filhotes.

Os estudos de campo do projeto no Brasil foram aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep, após rigorosa avaliação sobre a segurança para a saúde e para o meio ambiente.

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