Sem assistência, familiares levam o corpo de mulher morta para a RJ-104

A dona de casa Marceli foi enterrada, na tarde de ontem, no Cemitério Maruí após rápido velório
Por Celso Brito
Em uma atitude desesperada, parentes e vizinhos da dona de casa Marceli Pinto de Araújo, de 45 anos, conseguiram que o seu corpo fosse recolhido e tivesse tratamento digno na última segunda. Depois de enfartar em casa e sem saber as providências a serem tomadas, os familiares acionaram a Defesa Civil para a retirada do corpo. Mas, sem respostas, eles colocaram o corpo de Marceli em um lençol e o levaram até a RJ-104, no Fonseca, em frente ao Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv). Ela foi enterrada, ontem, no Cemitério Maruí, no Barreto.
Segundo a polícia, Marceli morreu, na tarde de segunda, em consequência de um infarto fulminante, logo depois de almoçar com a família no Morro da Caixa D’Água, no Complexo do Caramujo, em Niterói. Os familiares acionaram a Defesa Civil para a retirada do corpo de dentro de casa. O órgão nega que tenha sido acionado, mas os familiares disseram que eles se negaram a ir à comunidade devido ao clima de tensão devido as manifestações na RJ-104, na entrada do Caramujo, por causa da morte de um adolescente atropelado domingo por um ônibus.
Para chamar a atenção das autoridades, os moradores do Morro da Caixa D’água decidiram também fazer uma manifestação e levaram o corpo da dona de casa, enrolado em lençol, para as pistas da RJ-104, nas imediações do BPRv, na subida da Caixa D’Água. O corpo foi recolhido em maca para o Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), onde foi expedido um atestado de óbito.
Com o atestado, o corpo foi removido para o Instituto Médico Legal (IML) de Niterói. Após o reconhecimento da família, o cadáver foi encaminhado para a Capela C do Cemitério do Maruí, onde os familiares já aguardavam para um rápido velório. Cerca de 50 pessoas, entre parentes e amigos compareceram ao sepultamento. A dona de casa deixa filhos e netos.