Yoga: Harmonização entre corpo, mente e espírito
Filosofia milenar ajuda no autoconhecimento

Uma filosofia milenar que atravessou o continente e permanece viva entre os brasileiros. Com a proposta de ser uma atividade de equilíbrio entre corpo, mente e espírito, o yoga ganhou ainda mais espaço quando a saúde mental entrou em primeiro plano para muitas pessoas. Entre os principais benefícios da técnica está o autoconhecimento.
“É difícil traduzir a filosofia do yoga em poucas palavras. É uma harmonização entre corpo, mente e espírito. Aos participantes, a técnica proporciona melhoria de vida e ajuda superar os desafios do cotidiano. Trabalha a meditação, a respiração (pranayamas) e a postura (asanas). Não é à toa que a Unesco tornou a prática Patrimônio Imaterial da Humanidade”, explica a instrutora de yoga integral, Suzi Issa, de 55 anos.
O yoga foi codificado pelo sábio Patañjali, há cerca de três mil anos (a.c.), na Índia. A prática foi desenvolvida e influenciada diretamente pelas doutrinas do budismo e do hinduísmo. No entanto, no Brasil, ela chegou como uma filosofia independente de crenças religiosas.
“O yoga tem essa característica de unir pessoas de diferentes idades e sexos. Não há restrição ao peso e tamanho, por exemplo. Comecei a praticar de maneira frequente há 10 anos, quando tive uma leucemia aguda. O yoga foi fundamental para minha recuperação física e mental”, contou Suzi, que recebeu o nome de “Samata” (que significa equanimidade - constância, igualdade de temperamento, de ânimo, em qualquer circunstância) durante uma imersão (iniciação da doutrina do yoga) na Índia.
A diferença de idades em uma mesma turma é retratada pela coordenadora de escola Jeruza Sardinha, de 54 anos, e a estudante Michelly Luz, de 20 anos. Apesar de praticarem por causas diferentes, as duas procuraram o yoga pela mesma razão: controlar a ansiedade. Jeruza adotou a prática por conta da relação diária com alunos, professores e pais.
“As situações de conflitos diários na escola prejudicam nosso desempenho como profissional. Diferente de muitas pessoas, eu consigo me expressar e liberar a tensão durante a aula de yoga. Aprendi que quanto mais se fechar, mais difícil é tratar”, descreve Jeruza.
Michelly passou a frequentar as aulas do yoga por causa da pressão do vestibular para Medicina, que pretende prestar. “Tentei o vestibular, mas não consegui da primeira vez. Encontrei no yoga uma forma de levantar a autoestima e aprender a lidar com toda essa pressão. Fora que agora consigo controlar a ansiedade para fazer provas com mais atenção”, detalha Michelly.
Estresse, ansiedade e depressão são os grandes vilões
O ambiente “zen” que a prática do yoga proporciona é o que motiva para somar ainda mais adeptos na região. O estresse, a ansiedade e a depressão têm sido grandes vilões do cotidiano e a cada dia fazem novas ‘vítimas’.
Neste contexto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) dedicou o ano de 2017 à atenção da saúde mental, com foco no combate à depressão. De acordo com a entidade, cerca de 5,8% da população brasileira sofre da doença – um total de 11,5 milhões de casos.
“Desde a revolução industrial, o foco da sociedade foi voltado para o financeiro, para a produção de trabalho cada vez mais árdua. Agora, de alguns anos para cá, esse conceito tem mudado. As pessoas passaram a dar mais valor a ter uma mente saudável. O estresse e a ansiedade passaram a ser as principais doenças dos trabalhadores”, explicou a publicitária Luana Issa, de 32 anos.
De acordo com Samata, as técnicas de respiração podem ser aplicadas facilmente nas relações diárias como, por exemplo, no trânsito. Para a instrutora, essa proximidade do estúdio de meditação e a realidade é o que mais cativa os novos praticantes.
“O yoga não é só posturas, como muitas pessoas pensam. É ter o autoconhecimento suficiente para superar as adversidades diárias. É saber respirar para controlar o estresse e entender as reações do seu próprio corpo”, encerra.