Instagram Facebook Twitter Whatsapp
Dólar R$ 5,0748 | Euro R$ 5,8452
Search

As aparências realmente enganam

Orgânicos são menores e opacos, mas são mais saudáveis

relogio min de leitura | Redação 02 de julho de 2017 - 22:27
Viviane Mukim explica que a produção hidropônica é mais limpa, mas também recebe agrotóxicos
Viviane Mukim explica que a produção hidropônica é mais limpa, mas também recebe agrotóxicos -

O dito popular de que as aparências enganam parece certeiro quando o assunto é alimentação. A fruta mais suculenta, a verdura mais bonita e o legume mais colorido, embora pareçam nutritivos e saudáveis, podem esconder grandes vilões da saúde humana: os agrotóxicos. A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) estima que, em média, o Brasil consome sete litros per capita de veneno a cada ano.

 Na contramão desse índice, os alimentos orgânicos surgem como solução nutritiva para a mesa do brasileiro. No entanto, é difícil competir com a beleza estética dos alimentos hidropônicos e convencionais. De acordo com a gestora do curso de nutrição da Universidade Salgado de Oliveira (Universo), Viviane Mukim, há uma diferença marcante entre os três tipos de produtos. 

 "Os alimentos orgânicos são aqueles produzidos no solo, sem uso de agrotóxico ou outros tipos de químicas. Por serem naturais, não têm textura e coloração perfeitas, são geralmente mais opacos e menores. Os hidropônicos são cultivados fora do solo, em estufas. Embora seja uma produção mais limpa, também recebem agrotóxicos. Para saber se é hidropônico, é só ver se está sendo vendido junto com a raiz", explica. 

São Gonçalo e Niterói já têm feiras semanais

A procura por produtos orgânicos não é uma tarefa mais tão difícil. Na região, feiras de cultivos caseiros e familiares ganham espaço semanal em pontos principais das cidades, como acontece às sextas, em São Gonçalo, e aos sábados, em Niterói.

Promovida pela Associação de Agricultores Biológicos do Estado (Abio), a Feira Orgânica do Festival EcoSol acontece, das 7h às 13h, no Campo de São Bento, em Niterói. Ao todo, o projeto contempla 19 feirantes, entre grupos de comercialização solidária e individuais. Entre os alimentos oferecidos estão frutas, legumes, verduras, ovos e mel.

“A busca por um alimento mais saudável é uma crescente porque o Inca (Instituto Nacional do Câncer) confirmou uma relação direta da doença com agroquímicos. Então, quando você come um alimento orgânico, você está consumindo só os nutrientes encontrados na própria natureza. São produtos mais saudáveis produzidos livres desses nocivos agroquímicos”, explica a agrônoma e gestora de informação da Abio, Maria Emília.

Em São Gonçalo, o movimento é mais recente. Há três semanas, foi inaugurada a Feira de Agricultura Familiar no Centro Cultural Joaquim Lavoura, o Lavourão, na Estrela do Norte. Os alimentos vendidos são chamados de agroecológicos porque seguem a forma de cultivo familiar. Porém, assim como o orgânico, é livre de agentes agroquímicos nocivos à saúde.

A responsável pela Agricultura Familiar da Secretaria de Educação de São Gonçalo (Semed), Jane Rangel, explica que a iniciativa é importante para dar visibilidade aos produtores e fortalecer o negócio. Por enquanto, os agricultores da feira são integrantes da Associação de Produtores Rurais da Fazenda Engenho Novo (Aprafen) e oferecem queijos, melado, geleias, polpas de frutas, ovos, hortaliças, legumes e frutas.

 Segundo a especialista, de todos, o mais saudável para o organismo é o alimento orgânico. Em escala do melhor para o mais prejudicial, a professora enumera: orgânicos, hidropônicos e convencionais. No entanto, enfatiza que para todos é necessária boa higienização antes da ingestão.

 "Uma limpeza rápida, que tira um pouco a contaminação da superfície dos alimentos é dissolver solução clorada ou de iodo em um litro de água. Nos próprios hortifrutis, é possível comprar essas pastilhas de cloro. Depois de deixar um tempo de molho, é importante lavar bastante em água corrente", explica a profissional.

Matérias Relacionadas